terça-feira, dezembro 31, 2013

Retrospectiva 2013


Chegou aquele meu momento de fazer a retrospectiva do ano. Comecei esse blog em 2006 e nunca tive uma retrospectiva realmente maravilhosa para escrever. Foram anos difíceis desde aquela época, textos difíceis de escrever, pois eram momentos doloridos que precisavam ser revistos.

Mas nesse ano, eu, a especialista em sonhos frustrados, vivi o inimaginável.

Um ano perfeito não significa que não passei por momentos difíceis, porque passei, e como - de estrangeira desamparada nos EUA à distância da minha mãe que adoeceu, sem mencionar a saudade estratosférica do Gi e dos momentos que ainda nem vivemos.

Só que como num jogo de futebol de final de copa do mundo, numa dessas em que o Brasil ganhou contrariando todas as expectativas; meu ano virou o jogo.

Eu dediquei posts exclusivos a isso, mas não poderia deixar de falar mais uma vez. Eu não apenas conheci pessoalmente os Yanceys, eu me tornei amiga deles.

Eu tive um grande progresso na escrita do meu livro e ganhei amigos incríveis de algumas partes dos EUA e do mundo. Meus amigos do Brasil se fizeram presentes, mesmo à distância.

Eu comprei coisas legais com meu dinheiro, ganhei presentes maravilhosos e conheci lugares incríveis. Ganhei uma nova família, pessoas maravilhosas que vão estar pra sempre em meu coração.

Eu li livros em Inglês, aumentei minha biblioteca (e ganhei minha primeira estante que me aguarda no Brasil).

A lista, na verdade, poderia continuar por dias...a mesma graça que esteve presente nos últimos e sombrios anos da minha vida me surpreendeu esse ano. Meu coração machucado foi cicatrizado de tantos sonhos frustrados, por sonhos que se tornaram realidade (alguns deles que nem ousaram virar sonhos de fato).

2014 está batendo à porta. Tenho planos, mas não sei o que me espera. Confio na graça de Deus, porém, que está sempre comigo e não falha, sejam anos felizes ou tristes, eu posso terminar meus anos em paz sabendo que Ele está comigo sempre.

Dizem que a gente só aprende quando sofre, eu discordo. De fato aprendi muito nos últimos anos, e em todo sofrimento que passo eu aprendo mais. Mas também podemos aprender quando coisas boas acontecem. Na verdade, estar perto de Deus quando está tudo bem é um desafio a mais, aprendemos a estar com Ele não apenas quando precisamos dele - não que exista um tempo que não precisemos, mas existem tempos em que podemos andar com nossas pernas e viver como se não precisássemos - mas em todo tempo.

Não preciso entender todos os porquês do mundo, só preciso confiar em Sua graça - em sua imprevisível, surpreendente, ilógica, inexplicável e maravilhosa graça. Eu só preciso sonhar.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Aquele sonho impossível - Carreira


Sábado, 14 de Dezembro de 2013

Dormi achando que estivesse sonhando e acordei confirmando que o sonho estava acontecendo de verdade. Tomamos café em casa, um cereal quente com iogurte, muito gostoso, que a Janet fez. Não consegui terminar meu prato. O Philip é o lavador oficial de vasilhas, lavou todos os dias em que eu estava lá (e não só porque eu estava lá).

- Já decidimos se raposas comem aveia?
- Não sei, pode deixar aqui que a gente decide mais tarde.

Minha vasilha com o cereal ficou lá pela metade. Eu detesto desperdiçar comida, mas realmente não conseguia terminar.

Philip tinha um almoço de ex-alunos da Wheaton College naquele dia, daí iríamos com ele e depois à uma peça de teatro. Passamos a manhã conversando, maior parte do tempo Janet e eu, já que Philip precisava se arrumar para o almoço. Saímos inclusive para uma caminhada pela vizinhança.

Que pessoa incrível a Janet é. Eu já era fascinada por ela pelo que o Philip escrevia, mas ela era uma personagem, agora eu estava conhecendo a pessoa. Por mais fascinada que estivesse em conhecer o Philip, pelos e-mails que a gente trocava há anos eu me sentia mais íntima dele. Eu tinha começado a trocar e-mails com ela recentemente, depois do Wild Goose Festival, mas foi nesse fim de semana que a conheci de verdade. E nem precisa ser casado com ela pra querer escrever sobre ela. O casal Yancey é realmente fascinante.

Ela me mostrou as montanhas famosas que eles haviam escalado, onde ficava a casa antiga que eles moravam, me fez perguntas, mostrou o local onde uma alce fêmea morreu e não foi comida pelos pássaros ou por nenhum animal, só ficou lá até se decompor por completo. Eram só os ossos, mas a neve cobriu.

Mostrou um barril e me explicou que a areia que tinha dentro era pra ser jogada na estradazinha, pra criar atrito pros carros e principalmente caminhões de entrega poderem trafegar com mais segurança.

Explicou que as crianças do Colorado têm aulas ao ar livre onde aprendem a diferença entre os pinheiros. E me mostrou como diferenciá-los.

Foi uma manhã maravilhosa ao lado dela. Chegando em casa ela contou ao Philip sobre o alce que foi coberto pela neve.

Antes de irmos ao almoço paramos numa montanha, Red Rock ou algo do tipo, onde uma arena foi sede de vários shows de bandas super famosas ao longo do tempo.

Chegamos ao local do evento, onde tinha aquelas etiquetinhas com nomes. Daí Philip reviu alguns amigos e eu fui apresentada a eles.

- Essa é a Dani, nossa amiga do Brasil.
Sou amiga dos Yanceys, tra la la la la
- Muito prazer, blalwfjwu?
- Oi?
- Ela vai ser escritora, foi assim que a gente se conheceu.
Eu imagino que devo estar da cor dos enfeites de natal agora.
- E o que você está escrevendo?
Eu estou falando mesmo sobre meu livro??
- No momento estou trabalhando em um livro sobre a graça, como eu consigo vê-la em diferentes aspectos das nossas vidas.

Philip olhava pra mim com um olhar de pai orgulhoso enquanto eu falava.

No almoço conhecemos Julie, uma senhora de meia idade que morou com o marido no Japão por mais de 20 anos. Ela venceu o câncer duas vezes e estava em tratamento de novo. Ela tinha um sotaque meio oriental para falar, apesar de ser mesmo americana. Os dois eram super simpáticos, conversei "profissionalmente" com o marido e ele me fez várias perguntas sobre o Brasil, ficou bastante interessado. Com ela conversei menos, mas a simplicidade e a alegria de viver eram impressionantes, ela radiava gratidão. Eu sou simplesmente apaixonada por histórias de câncer, é inevitável.

Na nossa mesa também tinham duas meninas, irmãs. Uma foi pra Wheaton, a outra era a convidada da irmã. Elas passaram o almoço todo conversando com o Philip, elas bobas igualzinho a mim conversando com ele e ele conversando com elas super simpático como sempre.

E tinha mais uma moça, Thereza Linn com seu filho, que estava fazendo mestrado em Ópera em alguma faculdade famosa que eu esqueci o nome. Além de um outro rapaz, casado e que estava desempregado. Thereza conhecia o Philip, ele me contou no fim do dia no carro de onde se conheceram. Na mesa deram indicações de locais pro jovem conseguir emprego.

Não me lembro de ter conhecido mais ninguém no almoço, a não ser um dos palestrantes, esse a qual fui apresentada como amiga-dos-Yancey-que-veio-do-Brasil-e-vai-ser-escritora, mas desconfio seriamente que sentei na mesa mais legal.

O almoço era sanduíche natural com salada e de sobremesa uns bolinhos típicos americanos.

Fomos para a peça de teatro, que produção incrível! Das criancinhas ao velhinho que fazia o Mr Scrooge, todos excelentes atores, e a produção em si era impecável, efeitos maravilhosos, trilha sonora perfeita, evento cultural para ninguém botar defeito. Leitura de Isaías 9:6 por um menininho em determinado momento da peça.

Sentado atrás da gente estava o casal que morou no Japão. No almoço Janet tinha comentado sobre o que tinha gostado de lá, e é claro que eu ficava maravilhada. Eu "esquecia" que estava na casa de um casal que já viajou pra boa parte do mundo. Em determinado momento do dia, falando sobre viagens com a Janet, ela percebeu meu brilho nos olhos e disse que eu deveria viajar o mundo inteiro um dia, e ainda afirmou que quem sabe um dia eu não faria isso? Eu era escritora, afinal de contas.

A Julie é uma pessoa incrível que eu queria ter tido mais tempo de conversar. Ela me desejou feliz natal e boa estadia nos EUA até eu voltar pra casa, não por formalidade, porque dava pra notar a sinceridade dela ao realmente me desejar toda felicidade no mundo. Eu realmente queria ter tido mais tempo de conversar com ela, pessoa realmente incrível.

Saímos da peça de teatro e fomos dar uma volta à pé por Denver. Primeira parada foi num mercado de rua, especial pro natal. Comemos castanhas cozidas na hora, procuramos pelo enfeite da irmã da Janet. A Janet descascou umas castanhas, me deu e ofereceu ao Philip.

- Não, obrigado.
- Não está com fome?
- Eu prefiro descascar minhas castanhas, me faz sentir mais útil.
Ego masculino e sua necessidade de auto-afirmação, presente nos melhores homens, hahaha.

Fomos tirar foto num urso gigante que espia um prédio de vidro, ponto turístico pra fotos famoso por lá. O Philip tirou a foto.

Depois de andar pela cidade fomos jantar num restaurante brasileiro chamado Cafe Brazil. Os donos eram Colombianos. A música era hispânica. O menu era brasileiro - atração principal Feijoada e caipirinha. Pedi uma feijoada de frango, Janet também. Philip pediu feijoada completa. Eu pedi um suco de manga pra acompanhar, que estava uma delícia. Antes da feijoada servem uma "sopa" de iogurte de mamão com cebola e sei lá mais o que, para acalmar o estômago pra feijoada. Era extremamente picante, não terminei nem a primeira colher. Os dois amaram a comida, mas não pediram sobremesa, Philip queria a torta de noz-pecã que aguardava em casa.

- Ele adora sobremesa!
- É verdade.
Ponto em comum \o/

Chegando em casa ele comeu a torta, mas eu não aguentava comer mais nada. Ele falou: "tem dias que certa coisa não sai da sua cabeça, sabe?", e comeu a torta na maior felicidade do mundo, mas dizendo que estava sendo mal-educado na frente da visita, por comer quando eu não estava comendo. Eu disse que não tinha problema. Conversamos mais, falamos mais sobre o meu futuro como escritora, minha vida e planos no Brasil, foi um tempo muito bom.

Ele me contou da Thereza (do almoço). Ele deu uma palestra há alguns anos falando sobre amar nossos inimigos. Mostrou uma foto da Al-Kaeda falando, "esses são nossos inimigos". O marido dela estava na plateia e decidiu criar um site com fotos de terroristas chamado "adote um terrorista para oração (https://atfp.org/)". Você vai lá e adota um terrorista para oração. Li sobre isso em um de seus livros e me dei conta que conversei com mais uma das personagens de seus livros.

Philip olhou meu Facebook, cada postagem. Publicou um comentário em uma das minhas fotos agradecendo por eu estar lá.

Eu tenho um comentário do Philip Yancey no meu Facebook!

- Obrigado por me ensinar a mexer nisso, vou acompanhar seu Facebook para saber como você está.

!!!!!!!!!!!!

- E você já traduziu em público, Dani?
- Ahn?
- Se eu fosse te visitar e falasse em algum lugar, você me traduziria?
=O
- Ah, não, nunca traduzi em público, só as conversas da minha host mother e minha mãe.
- Elas conversam?
- Aham, e eu fico traduzindo os dois lados.
- Ah, sei, ela fala: "ela é muito irresponsável", você traduz: "ela é extremamente responsável". Ela fala: "ela é péssima com as crianças", você diz: "ela é ótima com as crianças", por aí, né?
- hahahahahahaha, não, eu traduzo direitinho, mas ela gosta de mim, hahaha.

Depois de muita conversa fomos dormir, o último dia estava chegando. Engraçado como o tempo parecia estar passando muito rápido e parecia estar durando pra sempre, ao mesmo tempo.

Domingo, 15 de dezembro de 2013

Então, o último dia tinha chegado. No dia anterior Philip tinha comentado que não passaria o dia inteiro com a gente e Janet falou pra eu arrumar minhas coisas porque da igreja a gente não voltaria mais pra casa.

Portanto, acordei muito cedo, e fiquei só curtindo o quarto e relembrando cada segundo, tentando absorver o sonho que era realidade. Olhei pela janela e vi as lindas montanhas do Colorado. Pensei no quanto seria legal morar por lá.

Conversei com uns amigos no Facebook, troquei de roupa, arrumei as malas e o quarto. Desci e era o Philip que estava lá. Poderiam ser mil dias que acho que ainda achar super legal acordar e ver o Philip tomando café no sofá da sala dele.

Nesse último dia Philip fez o café da manhã, omelete com queijo e presunto. Já estou quase acostumada com a cultura americana de comer esse tipo de coisa de manhã, então comi feliz. Na verdade, estava com fome pela primeira vez desde que cheguei. A altitude atrapalhou meu estômago um pouco. Depois disso a Janet descascou uma manga pra eu comer, comi mais da metade.

Depois do café eles foram se arrumar para sair. Philip voltou primeiro e eu tomei coragem e pedi pra ele assinar os livros que eu trouxe na bagagem. Coloquei um nome a mais porque calculei mal, ele foi no escritório buscar mais um e assinou. Eu não queria incomodar, mas ele achou super legal o que eu fiz. Pediu pra eu não guardar os livros pra mostrar pra Janet o tanto de livro que eu tinha trazido para ele assinar.

Antes disso ele já tinha me dado o livro dele de lançamento "The question that never goes away", que vai lançar aqui só em Janeiro, mas já foi lançado na Inglaterra (essa edição era com inglês britânico, portanto, ou seja, a perfeição - livro do Philip em inglês britânico). E um outro pra levar pra minha host mother em agradecimento por ter me deixado ir pra casa deles.

Eu comprei uns presentes pra eles que não chegaram a tempo de eu levar pra lá. mas escrevi uns cartões.

- Own, você é uma escritora, Dani, uma escritora bilíngue!

Ele comentou mais um pouco da casa que eles tinham que ficava literalmente no meio das montanhas.

- A vida é cheia de perdas e ganhos, Dani. Perdemos a montanha, mas ganhamos esse riacho. Você perdeu o contato diário com sua família e noivo, mas está aqui vivendo coisas incríveis.

Como Philip não passaria o dia todo com a gente, fomos em carros separados. Janet em um carro, Philip e eu em outro. Cavalheiro como ele tinha se mostrado todos os dias, abriu a porta do carro pra mim e a gente foi pra igreja conversando no carro.

O meu mentor pra vida estava de fato me dando dicas pra tudo, e estávamos conversando coisas nada a ver também, como dois amigos fariam. Conversamos sobre minhas características de introspecção.

O culto foi super bacana. Lá estava eu na igreja, cantando e ouvindo a pregação, ao lado dos Yanceys. Acho que o fato de eu ter vivido essas coisas cotidianas foi uma das coisas mais incríveis dessa viagem. As conversas profissionais durante o sábado foram realmente incríveis, mas o cotidiano de alguém(ns) que eu tanto admiro foi algo que eu realmente fiquei maravilhada em poder viver.

Após o culto, Philip se despediu. Ele ia sair da cidade e ir pras montanhas pra apressar a escrita do seu novo livro, ele quer terminar esse mês ainda. Eu imaginei que a despedida ia ser muito diferente, mas eu me despedi com a sensação de que estava me despedindo de um amigo que eu logo veria de novo, mesmo não tendo ideia de quando vou ter a chance de vê-lo novamente.

Janet e eu voltamos pro carro, onde fomos conversando a caminho do shopping onde iríamos almoçar.

- O fato é, Dani, que Deus fez você nascer brasileira por um motivo. Pode ser que você não more lá para sempre, mas Ele te quer lá por enquanto. E você vai fazer história onde estiver.

Não estava falando mal do Brasil, acreditem, ela soltou isso meio que do nada mesmo.

Almocei uma fatia de pizza no shopping. Ela comprou um pacote de pipoca doce e fomos pro carro, em direção ao aeroporto. Na despedida dela tive a mesma sensação que tive ao me despedir do Philip.

No avião a ficha começou a cair de tudo que eu tinha vivido. Sabe quando você faz atividade física por um longo período e só percebe o cansaço quando para? Foi mais ou menos assim que vivi esses dias, vivendo em mundo paralelo dentro do mundo paralelo que já é estar vivendo aqui nos EUA.

Eu falei no primeiro post e repito, Deus quer que sonhemos. Na verdade, tudo o que vivi e que registrei com muito menos palavras que seriam suficientes para descrever tudo, é muito, muito mais do que eu jamais ousei sonhar. A graça de Deus não é só surpreendente, ela é impagável. Ela não é de graça apenas porque Deus é bonzinho, mas porque mesmo que quiséssemos pagar por ela, nunca teríamos condições. E ela não existe apenas na salvação (o que já seria muito mais que suficiente), mas em cada passo e momento de nossas vidas, a cada vez que respiramos.

É sobre essa graça ilógica, inexplicável, irresistível e surpreendente, o tema do livro que estou escrevendo. A primeira metade veio para o papel graças ao meu primeiro encontro com o Philip, a segunda está por vir, ainda mais inspirada.

Eu sempre serei eternamente grata a Deus pela oportunidade de colocar o Philip e a Janet na minha vida, desde os meus 13 anos, quando li o seu primeiro livro, até agora, como amiga deles. Deus é incrível e seu amor é extraordinário.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

That impossible dream - the Yanceys


Those days' report is the most accurate that my memory let me do it. Also, I would let you know that for the first time I'm doing something that I don't do not even when I am writting - I am exposing my thoughts during a conversation (not that this is somet thing absolutely fantastic and could change the human race destiny, but I would like to let you know anyway).

December 12th, about 00h, local time.

I got off the plane and went to the bagage claim. Among the several little signs with names was a couple who didn't need them for me to recognize them. Waiting with a big smile there they were - Philip and Janet Yancey. So it was happening after all.

On the way home they showed me some city views, but it was late, I would see that much better on the next day.

- I don't know what you ate, but there is a bag next to you, where you can find some snacks, and a watter bottle is here - said the sweet Janet.

At some point they asked me if I drink coffee and I said no.

- I thought that you were from Brazil. - said Philip
- Yeah, I get that alot.

We arrived at their house - a stunning vision, even at night.

- We will treat you as family, the front door is locked, let's get in by the garage. - said she.

Well, the fact that I was in their house was itself so fantastic that I could sleep on the living room couch and would be unforgetable days anyway, but no, I had a whole level just for me.

A part of Philip's library, with his books translated in different languages. And there were my old fellows, the Portuguese books.

My room had bathroom, a closet with warm clothes, tv, water and more snacks. The doorway was just like those princesses movies, with two doors and everything. My heart was still beating fast but I needed to sleep, on the next day the adventure would actually begins.

Friday, December 13th

I woke up, got ready for the day and went downstairs. There he was, taking a coffee on the living room.

- Good morning, Dani! (They actually call me "Doni", not "Deni", as most of my american friends)

So I am at Philip Yancey's house, the author of my favorite books. Ok, calm down! Look at this view! I would write a whole entire book just to talk about this view!

- Do you want tea? Hot chocolate?
- Do you have juice?
- Yes, berries or apple?
- Apple, please.

Yep, Philip is serving me juice!

Janet came just after that and also said good morning. He went to get ready and she saw me looking at their pictures and told me about her sisters.

- We will take breakfast in one of our favorite restaurants, they are a traditional Colorado's place.

We went for breakfast and they were talking about the landscape with me, I was remaining in silence. I was really trying to say something, but everything that they were saying impressed me by their generosity and the views would make even the most extrovert of all mute.

- And here is where I go sometimes when I want a quiet time to write.
- No wonder why, it's beautiful!
- I know!

At the restaurant I was introduced as a friend from Brazil and Philip described the menu to me.

- He loves mashed potatoes!
- Yes, I do

I know his favorite food now!

On the prayer before we eat, he thanked God for my life and my safe flight.

We talked a bit about my life here in the US, my English, among other things. I was trying to answer with more words and ask questions, but I was still shocked to have breakfast with them - the author and the character of my favorite books.

The pancake that I order could feed easily five people. My stomach was not fine, maybe because of the altitude, so I ate probably only one third of it.

- Can I taste?
- Sure!

haha, Philip Yancey eating from my plate.

The waitress later asked me if I wanted a box and I knew that I wouldn't eat, so I said no.

- Since you are not getting any boxes, I'm going to get another piece, it is really good!

There was this baby there. When was the time to leave they both talked to the mom and the baby.

- You are going to have a funny hair just like mine when you grow up.

Then we went back home to get a few things for the rest of the day.

Philip was downstairs at his office.

- Hey, Philip, are you downstairs?
- Yes;
- Can Dani come over there and you show her your office?
- Sure!

When I got there he told me that there was where he worked and showed me everything.

When you get there, at your left there is a dictionary, I think, with a big magnifying glasses, on the other side is his table and computer, some pens and books. In the middle several bookshelves with his more than five thousand books. On the walls pictures of him interviewing famous people, beautiful landscapes.

He started talking about a picture of him interviewing president Clinton - he worked at Christianity Today at the time.

- And those are my books!
- I love books!
- Yeah, I know.

Then he showed me this landscape amazing pictures.

- We used to live here, see this little black dot? That was our house. All those picture were taken there.
- It is a beautiful place.
- Yes, it is.
- And here another president interview. What's your favorite american president?
If I tell that is Roosevelt because of "Night on the museum" would be weird, and I could say Obama because of the immigration laws, but most american don't like them.
- I...don't know.
- Hehe, it's ok. Well, here is where I work, did you like it?
- It's amazing!
- Let's go meet Janet upstairs?
- Aham.

We sat on the couch in front of the fireplace in silent.

I didn't talk that much today or yesterday. I should say something. I'm at Philip Yancey's house, sitting next to Philip Yancey and not saying anything. Think, think, think!

- So, Dani, how is your writing going?

Ok, maybe the silence was not that bad. How can I possibly talk that I'm writing a book about grace to the person who inspired me to do that? I think I'm blushing.

- I'm writing a book about grace, actually finished half since I got here.
- Really?
[Janet got here while we were talking]
- Yep.
- And I bet you write all in the computer.
- Actually, I like the paper. I write first and then type.
- Philip, tell her about your transition to the computer!
- Well, that started a long time ago, when I was afraid that type could interfere on my writing process. You know, on the paper you know exactly where you changed something, on the computer you have no clue. Then I decided to test it and wrote one chapter by hand and another on the computer. Didn't notice any difference, so I started to type only. So, do you have any of your writing on the Facebook or somewhere I could read?
!!!!!!!
- No, just a file on my computer.
- Oh, ok.

From there we went to the Loveland Pass. Absolutely incredible view - it was the second time that the nature took out my focus of my thoughts of the euphoria to be with the Yanceys. Well, that until Janet suggested to take a picture of us in front of the sign. That person who climbed all those mountains was the one who was standing next to me in the picture.

After we went to Breckenridge to see people skiing. We got the gondola and went up. When we arrived it was really crowded, it was happening the Dew Tour. We watched a bit and then went back down to walk through the city.

First stop was at Starbucks. Hot chocolate with cream for me, coffee for both of them to share.

- I was showing Dani that picture of my sisters. We are all old people, Philip!
- Yeah...
- We didn't use to be.
- Oh, well, it happens.

We walked through the city and went to a Christmas store where we were looking for rocking horses, since Janet's sister collects them and didn't find any this year. They didn't have it. Did she know the sales girl? She talked to them like they were friends since forever.

We met Phillip in an outlet, where he was trying a pair of jeans.

- They didn't look good. Maybe if I was twenty.

Then we went to a clothes store, the owners were their friends. They donate a good amount of the profits to social programs. She also showed me this brand of shoes which donate one pair of shoes for each one bought.

At the entrance, though, a funny looking coat captured our attention. It was red with white polkadots.

- Do you want one, Philip?
- No, thank you.

Then Janet and the sales lady were talking about how it would look good if was a ladies coat.

We went back to the car, where Janet started to make some phone calls to her sisters. She had said the day before that cellphones usually don't work really well in their house and that she wasn't really good with texts.

- I think you should text her.
- I'm not good with texts, Philip.

I was sitting on the front seat like the whole day. Janet had suggested that so I could have a better view, when she said:

- I'm sorry, I just need a few more calls before I stop bothering you.
- If you text, that wouldn't happen.
I couldn't hold myself and laugh.
- He is not gonna let this go, will he, Dani?
- I don't think so.

Before we got home we stopped in a grocery store to buy icecream for the pecan pie that she made for dessert. When we got home Janet went to finish the dinner. I offered help, but she said that she would like me to take a rest. So I went talk to my friends, Philip went to take a nap.

After a while she asked me to come down to have dinner. This time she prayed and again thanked God for my visit and for the day. During dinner we talked about my family and once we finished I showed some pictures of them in my phone. For desserts, pie and ice cream. Philip and I sat on the couch while Janet was checking something on her Ipad.

- And the good thing is that now I have time to write and nobody asking me to leave my room. And I can write at night without anybody getting worried.
- So you write at night? I'm better in the morning.
I know that time that he prefers to write!
- Yeah, I'm better at night.

He told me that wanted to show me something on Facebook, and Janet joined us after a while. His profile was blocked though. After we unlocked I helped him with some things.

- Look at you! Congratulations! ...
- Thank you!
- ...for being young...
- hahaha, ok.

He read with me a message that a brazilian girl sent it to him, we discussed the brazilian church situation for a while.

It was getting late and he thanked me for the help on Facebook and for show the pictures of my family to them and said good night. Janet did the same.

It was kind off impossible go to bed after a day like that. I took a bath - with bubles, to remember Friends, which is not related to anything that I said, but I wanted to mention anyway - turned on the computer which was not working the whole day (Philip borrowed me the adaptor for the plug and I figured out that the battery was the problem), I transfered the camera photos to the computer and then to the phone, posted the picture with him at Loveland pass on Instagram and at the end I was actually tired so I decided to try to sleep.

It was a fantastic day, but it was just the first.








terça-feira, dezembro 17, 2013

Aquele sonho impossível - o casal Yancey


O relato desses dias é o mais preciso que minha memória permite fazer. Pela primeira vez estou fazendo algo que não faço nem mesmo escrevendo - expondo meus pensamentos durante diálogos (não que seja algo absolutamente fantástico e que vá mudar o destino da humanidade, mas gostaria de deixar isso registrado assim mesmo).

12 de dezembro, quinta-feira, 00h do horário local. 

Desci do avião e me dirigi ao terminal. Dentre as diversas plaquinhas com nomes estava um casal que não precisava delas para que eu pudesse encontrá-los. Esperando com um grande sorriso lá estavam Philip e Janet Yancey. Tudo estava de fato acontecendo.

No carro, eles me mostraram algumas coisas da cidade, mas estava tarde. No dia seguinte eu veria tudo melhor.

- Eu não sei se você comeu, mas o voo foi muito longo, tem uma sacola com lanchinhos para você e uma garrafa de água ao seu lado - disse a doce Janet.

Em algum momento da viagem me perguntaram se eu tomava café e eu disse que não.

- Como assim, você é brasileira e não toma café?
- É, eu ouço isso bastante.

Chegamos à casa deles - uma estonteante visão, até mesmo de noite.

- Vamos te tratar como membro da família, entrando pela garagem já que tranquei a porta da frente - ela disse.

Bom, o fato de estar na casa deles já era algo tão fantástico que eu podia dormir no sofá e seriam inesquecíveis dias de qualquer forma, mas não, eu tinha um andar inteiro só pra mim.

Uma amostra da biblioteca, com livros do Philip traduzidos em diferentes línguas. E lá estavam meus velhos companheiros, os livros em Português.

O meu quarto era uma suíte, com closet abastecido de roupas quentinhas, e também no quarto tinha tv, água e mais lanchinhos. A porta de entrada era exatamente como aquelas de filmes de princesa, com duas portas e tudo. O coração ainda batia forte, mas eu precisava dormir, no dia seguinte a aventura começava de vez.

Sexta-feira 13 de dezembro. 

Acordei, me preparei para o dia e desci. Era ele lá, tomando um café no sofá da sala.

- Bom dia, Dani! (eles me chamam de Dani mesmo, não "Deni", como a maioria dos americanos)

Então eu estou na casa do Philip Yancey, o autor dos meus livros preferidos. Ok, calma, olha essa vista! Eu escreveria um livro inteiro só pra falar dessa vista!


- Você aceita um chá? Chocolate quente?

- Você tem suco?
- Claro, frutas vermelhas ou maçã?
- Maçã, obrigada.

Sim, o Philip Yancey está me servindo suco!

A Janet veio em seguida e também me desejou bom dia. Ele foi se arrumar e ela me viu olhando umas fotos e me contou sobre suas irmãs.

- Vamos tomar café hoje em um dos nossos restaurantes favoritos, tradicional aqui do Colorado.

O Philip estava lá embaixo em seu escritório.

Eu quero ver o escritório!


- Ei, Philip, você está aí embaixo?

- Estou.
- A Dani pode ir aí e você mostra seu escritório?
- Claro!

Chegando lá ele me mostrou e disse que era lá onde ele trabalhava.

Logo na entrada, à esquerda, tinha uma mesa com o que eu acredito ser um dicionário gigante com letras minúsculas e uma lupa atrelada à mesa. No meio diversas fileiras de estantes, com os mais de cinco mil livros que inspiraram o meu escritor preferido. As paredes eram decoradas com quadros. Gente famosa que ele entrevistou, paisagens lindas. No fundo uma mesa com computador, canetas, alguns livros.

Ele começou falando de uma foto na parede que tinha a foto dele com o presidente Clinton - foi uma entrevista que ele fez para a Christianity Today na época.

- E essas são minhas estantes, meus livros.
- Eu amo livros!
- É, eu sei.

Em outra parede tinha uma foto com cenários lindos de montanhas cobertas de neve.

- A gente costumava viver aqui, vê esse pontinho? É a nossa casa. Essas fotos foram todas tiradas de lá mesmo.
- Muito lindo!
- É.
- Aqui outra entrevista com um presidente, qual o seu presidente americano favorito?
Eu deveria pensar numa resposta bacana, mas só consigo lembrar de Theodore Roosevelt por causa de Uma Noite no Museu ou do Obama por causa das leis de imigração...mas ele não é exatamente popular para os americanos.
- Eu...não sei.
- Hehe, ok, foi uma pergunta difícil. Bom, é aqui onde eu trabalho, Dani, gostou?
- É incrível!
-  Vamos esperar a Janet lá em cima?
- Aham.

Sentamos no sofá em frente à lareira apagada, em silêncio.

Eu mal mal falei hoje, eu realmente deveria falar alguma coisa. Estou na casa do Philip Yancey, sentada ao lado do Philip Yancey e não estou falando nada. Pensa, pensa, pensa!


- Então, Dani, como anda a escrita do seu livro?


Ok, o silêncio talvez não fosse tão ruim assim. Como falo que estou escrevendo um livro sobre graça para a pessoa que mais me inspirou a escrever sobre esse assunto? Acho que estou ficando roxa.


- Eu...estou finalmente escrevendo um livro sobre graça, já estou na metade desde que cheguei aqui.

- É mesmo?
[Janet chegou quando eu estava falando sobre isso]
- Aham.
- Parabéns! Você digita tudo no computador, né?
- Na verdade, eu gosto do papel. Escrevo primeiro pra depois digitar.
- Philip, conta pra ela como foi sua transição do papel pro computador - disse a Janet.
- Então, isso começou há muitooos anos, e eu estava com medo de que poderia afetar meu processo de escrita.Sabe, no papel você acaba vendo o que corrigiu, no computador uma vez que você apaga não tem mais como ver o que era com a mesma facilidade. Daí fiz um teste, comecei a escrever um capítulo à mão e outro no computador para comparar. Não notei nenhuma diferença, então comecei a digitar apenas. Mas então, você tem isso que escreveu postado no Facebook ou em algum site, em que eu possa ver?
!!!!!!!!!!!!
- Não, só uns arquivos no meu computador.
- Ah, ok.

Saímos para o café da manhã, eles iam me falando da paisagem e eu ainda em silêncio. Eu realmente estava tentando puxar assunto, mas tudo que eles falavam me deixavam impressionada pela generosidade deles e a natureza era fantástica, de emudecer até mesmo a mais extrovertida das pessoas.

- Esse lago aqui é onde venho às vezes quando quero um momento mais às sós para escrever.
- É fácil entender o porquê, lugar muito lindo!
- Não é?

Chegando ao restaurante, fui apresentada como uma amiga do Brasil, e o Philip descreveu as seções do cardápio para mim.

- Ele adora purê de batata.
- Eu admito, é verdade.
Eu agora sei até comida preferida dele.

Na oração antes de começarmos a comer ele agradeceu a Deus pela minha vinda e pelo meu vôo.

Conversamos um pouco sobre minha vida aqui nos EUA desde que cheguei, meu inglês, dentre outras coisas. Eu tentava responder com mais palavras e fazer perguntas, mas eu ainda estava chocada por estar tomando café da manhã com eles - o autor e a personagem de tantos dos meus livros preferidos.

A panqueca que pedi dava para alimentar umas cinco pessoas. Meu estômago não estava muito bom, talvez pela altitude, então não comi nem um terço.

- Posso provar?

haha, Philip Yancey filando do meu prato!


O garçom me perguntou mais tarde se eu queria uma caixa. Eu sabia que não comeria depois, então disse que não.


- Já que você não vai levar pra casa, vou pegar mais um pedaço, está muito boa essa panqueca!

Tinha um bebezinho no mesmo restaurante. Na hora de ir embora os dois foram conversar com a mãe e com ele.

- Quando você crescer vai ter um cabelo engraçado igual ao meu - disse o Philip.

De lá fomos de carro a uma montanha muito alta, quase quatro mil metros de altura. Vista absolutamente incrível -  pela segunda vez no dia a natureza tirava o foco dos meus pensamentos da euforia de estar com os Yanceys. Bom, isso até a Janet sugerir que a gente tirasse uma foto em frente a placa do local. Aquela pessoa que tinha escalado todas aquelas montanhas do Colorado era a mesma que estava comigo na foto.

Depois disso fomos para um lugar onde poderíamos ver pistas de esqui. Pegamos uma gôndola e fomos montanha acima. Chegando lá, pista lotada, um grande evento de snowboarding - o Dew Tour, estava acontecendo nesse dia. Ficamos observando as apresentações por um tempo e depois descemos de novo para andar pela cidade.

A primeira parada foi na Starbucks. Chocolate quente com creme para mim, um café grande que eles dividiram.

- Estava mostrando para Dani aquelas fotos com minhas irmãs, Philip. Nós somos um bando de gente velha!
- É...
- Não costumava ser assim.
- Bem, fazer o quê? Acontece.

Andamos pela cidade, fomos em uma loja de natal onde a Janet procurou por cavalinhos de balanço para enfeite de árvore, porque a irmã dela fazia coleção e não tinha encontrado nenhum até hoje para esse ano. Eles não tinham. Eu não sei se ela conhecia a vendedora, mas conversou com ela como se fossem amigas de anos.

Encontramos com o Philip num outlet, onde ele estava experimentando um par de jeans.

- Não ficou bom, talvez se eu tivesse uns vinte anos.

Fomos então numa outra loja de roupas, cujo dono era amigo deles.  Eles doavam boa parte dos lucros para um projeto missionário que coordenavam. E ela me mostrou também uma marca de sapatos que doava um par a cada par comprado para crianças em necessidade.

Logo na entrada da loja um paletó vermelho com bolinhas brancas chamou a atenção de todos.

- Quer que eu compre um desses pra você, Philip?
- Não, obrigado.

Ela e a vendedora discutiram como o casaco seria até legal se o corte fosse feminino.

Voltamos para o carro, onde a Janet começou a fazer algumas ligações para as irmãs. Ela havia comentado no dia anterior que celulares não funcionavam bem na casa deles, e que não era boa com mensagens.

- Eu acho que você devia mandar uma mensagem.
- Eu não sou boa com mensagens.

Eu fui sentada no banco da frente assim como durante o dia todo eu tinha feito. Janet tinha sugerido isso para eu poder ter uma visão melhor das paisagens. Estávamos conversando no banco da frente, quando ela disse:

- Desculpa gente, já estou quase acabando com as ligações e não vou mais incomodar vocês.
- Isso não aconteceria se você mandasse mensagens.
Eu não me contive e ri bastante.
- Ele não vai deixar essa passar batida, né Dani?

Antes de chegar em casa paramos em um supermercado para comprar sorvete para a torta de noz-pecã que a Janet havia feito de sobremesa para janta.

Em casa, Janet foi terminar de cozinhar a janta. Eu ofereci ajuda, mas ela me mandou descansar, a noite anterior tinha sido longa. Philip também foi tirar uma soneca.

Depois de um tempo, ela me chamou e fomos jantar. Dessa vez ela orou e novamente agradeceu por eu estar ali. Durante a refeição, conversamos sobre minha família. Ao término da janta, mostrei fotos deles no meu celular. De sobremesa tínhamos a torta com sorvete. Nos sentamos no sofá - Philip e eu, enquanto a Janet checava algo em seu Ipad - e continuamos conversando.

- E está sendo bom porque eu tenho tempo para escrever agora e ninguém pra me mandar sair do meu quarto. E eu posso escrever à noite sem deixar ninguém preocupado.
- Você escreve melhor à noite? Eu escrevo melhor pela manhã
Eu sei a hora que ele gosta de escrever!
- É, eu prefiro à noite.

Ele disse que queria me mostrar algo no Facebook. A Janet se juntou a nós. O perfil pessoal dele tinha sido bloqueado, entretanto. Depois que conseguimos desbloquear o ajudei com algumas coisas.

- Olha só, você, parabéns! ...
- Hehe, de nada.
- ...por ser jovem.
- hehehe, ok.

Ele leu comigo uma mensagem que uma menina do Brasil o enviou, nós discutimos a situação da igreja brasileira por um tempo.

Estava ficando tarde e ele agradeceu por ter ensinado as coisas do Facebook e por ter mostrado as fotos da minha família, e me desejou boa noite. Janet fez o mesmo.

Era meio impossível ir dormir depois de tudo isso. Tomei um banho - de banheira, com bolhinhas de sabão, para relembrar Friends, que não tem nada a ver com o assunto, mas quis falar assim mesmo - , liguei o computador que não tinha funcionado o dia inteiro (Philip me emprestou o adaptador de tomada que eu havia esquecido em casa e eu descobri que a bateria do notebook era o problema), transferi as fotos da câmera para o pc e de lá a foto do alto da montanha alta para o celular. Postei a foto no Instagram e no fim estava cansada mesmo e resolvi tentar ir dormir.

Foi um dia fantástico, mas era ainda só o primeiro.














That impossible dream - a meditation


There is this funny thing about dreams. When we are kids we live for them, but then we grow up and the disappointments and the people saying all the time that we need to keep both of our feet on the ground make us believe that to dream is too dangerous.

Well, I didn't learn this lesson. Who follows me (here or personally) knows that the author Philip Yancey is an inspiration to me.

I have this dream to be a writer since I was really young. I remember once when I was in middle school and we have this conversation about our future careers. One said that would be a guitarist, the other said that would be a doctor...I said with no second thoughts that I would be a writer, even though I decided at the time already that I would do Speech Therapy as a college degree.

It was about the same time when I first read the book "What's so amazing about grace". Even though it took me a few years to go back to read Yancey again, since that day he became a referential to me in many different aspects of my life. Many books later and finally a consistent idea for my own book, I decided to write him an email. Well, Philip Yancey is an international famous and award winning author, with several bestsellers, it would be understandable if he didn't answer me - but he did.

After a while I decided to write another email. The first answer could be a courtesy from a nice famous author. But about the same time Francis Collins had answered me more than once, so I decided to take a risk one more time. And the answer came once more. Each email that he would answer made me more and more enchanted by the person of Philip. Then came an interview, which was published in an important brazilian Christian website.

I was still writing but even though I had the book structure ready on my mind, for several years all that I had were drafts. I realized that if I really wanted this book to be ever published, I needed to move from home.

So, I had ressearched before about the Au Pair program, but I decided to really apply later last year with two main goals (other than the cultural exchange and the possibility to be around kids): to write and to personally meet Philip.

The fact is, as soon as he answered my first email, we started this joke with friends that I would meet him and he would invite me to go to his house, with the beautiful views of Colorado, including his library and office, and I would even meet his adorable wife.

Well, even thought I was in the US since March, months have passed by without me writing not even a single line of my book. I followed Philip's online schedule until I found out that he would be on the Wild Goose Festival, And there I was, after several hours in a bus, in North Carolina to meet him. I could barely believe that was actually him that I was seeing. Then I talked to Janet and him and was absolutely fantastic!

It was after this meeting anyway that I was finally able to put the ideas on the paper. Half of the book was done after all this time. The meeting with the Yanceys was enough for me to create discipline and  let the ideas flow from my head to the paper (and the computer screen, eventually).

Well, be able to meet Philip personally and exchange a few words with him was by itself something absolutely fantastic and so much more that I had ever dreamed about what I could do. But then the unthinkable happened. Janet invited me to spend a few days with them in their house.

I have to admit though that to dream too high can actually hurt you- the higher you are, the bigger can be the fall. But only those who are not afraid to fall are the ones that can fly. Well, that and some wings, but those are all gifts provided by the grace of God.

I think that after all, God want us to dream. Being a Christian will not make all your dreams come true or get you out of all the life complicated issues - actually it can mean the opposite sometimes. But God is a God of grace, He will always surprise us with his baffling grace.

And is this story, about this absolutely high dream that actually became true in my life the subject of my next posts here.

Aquele sonho impossível - uma reflexão


Existe uma coisa engraçada sobre os sonhos. Quando somos crianças vivemos deles, mas, à medida em que vamos crescendo, as decepções e as cobranças em ser "pé no chão" nos fazem acreditar que sonhar é muito perigoso.

Bom, o fato é que eu não aprendi essa lição. Quem me acompanha (pelo blog ou pessoalmente mesmo), sabe o quanto o autor Philip Yancey é uma inspiração para mim.

O sonho de ser escritora existe em mim desde muito nova. Eu me lembro de uma conversa que tive no colégio na época do ensino fundamental. Nós discutíamos os nossos sonhos de carreira pro futuro. Uma comentou que seria guitarrista, outra médica...eu disse sem nem piscar que queria ser escritora, mesmo já nessa época tendo escolhido Fonoaudiologia como faculdade.

E foi mais ou menos nessa mesma época em que eu li o livro "Maravilhosa graça". Mesmo demorando anos até que eu voltasse a ler Yancey, a partir daquele dia ele se tornou um referencial para mim em vários aspectos da minha vida. Muitos livros depois e finalmente uma ideia consistente para o meu próprio livro, eu resolvi escrever um e-mail para ele. Philip Yancey é um autor internacionalmente famoso com uma coleção de prêmios e bestsellers, não havia nenhuma razão pela qual ele deveria me responder - mas ele respondeu.

Algum tempo depois resolvi escrever outro e-mail. A primeira resposta poderia ser uma cortesia de um autor famoso. Mas mais ou menos na mesma época Francis Collins me respondeu mais de uma vez, resolvi arriscar mais uma vez. E a resposta também veio dessa vez. A cada e-mail que ele respondia eu ficava ainda mais encantada pela pessoa do Philip. Em seguida veio uma entrevista, que acabou sendo publicada no site da Ultimato Jovem e então na Ultimato.

Mas apesar de continuar escrevendo e ter uma estrutura pronta para o livro, durante anos e anos eu não tinha nada mais do que uns rascunhos. Cheguei à conclusão de que, se eu quisesse mesmo publicar esse livro, eu precisava sair de casa.

Já havia lido sobre o programa au pair há algum tempo, mas decidi realmente me inscrever no fim do ano passado com dois objetivos principais (além da troca de culturas e a possibilidade de ficar rodeada de crianças o tempo inteiro): escrever meu livro e conhecer pessoalmente o Philip.

O fato é que, assim que ele começou a responder meus e-mails, a gente começou a brincar entre amigos de que eu iria conhecê-lo pessoalmente e ele ia até me convidar para conhecer a casa dele, com as belas vistas do Colorado, além da sua biblioteca e escritório, e de sua adorável esposa.

Bom, apesar de ter chegado aos EUA em março, meses se passaram sem que eu escrevesse uma linha do livro. Acompanhei a agenda do site do Philip diariamente, até que descobri que ele estaria num festival chamado Wild Goose Festival. E lá estava eu, na Carolina do Norte, depois de horas dentro de um ônibus. Para não alongar ainda mais esse texto, eu fiz um relato bacaninha sobre o evento e o meu encontro com ele lá, que você pode ler aqui e aqui.

Foi depois desse encontro que eu consegui finalmente colocar as palavras no papel. Metade do livro finalmente tinha sua primeira versão concluída. O encontro com o casal Yancey foi o suficiente para que eu conseguisse criar uma disciplina e deixasse as ideias fluírem da minha cabeça para o papel (e para o computador depois, eventualmente).

Pois bem, encontrar o Philip pessoalmente e poder trocar umas palavras com ele já era absolutamente fantástico e muito mais que eu esperava algum dia poder fazer. Mas daí o impensável aconteceu. Janet, sua esposa, me convidou para passar alguns dias com eles em sua casa.

Devo admitir que sonhar demais machuca mesmo, quanto mais alto se está, maior a ferida causada pela queda. Mas só aprende a voar quem não tem medo de cair. Claro, seria sensato afirmar que são necessárias asas também. Tudo isso vem pela graça de Deus.

Acho que, no fim das contas, Deus quer que sonhemos. Ser cristão não significa ter todos os sonhos realizados e uma vida isenta de problemas, na verdade, muitas vezes significa o contrário. Mas Deus é um Deus de graça. Ele sempre irá nos surpreender com a sua desconcertante graça.

E é essa história da realização de um sonho definitivamente alto demais que eu contarei nos próximos posts.

sábado, agosto 31, 2013

Peixinho dourado


Meus meninos aqui nos EUA ganharam uns peixinhos dourados. Eu me lembrei da minha infância.

Eu não podia ter bichinhos de estimação, meu pai não gostava e não me deixava ter. Só peixe. Peixinhos dourados normalmente morrem rápido, mas eu tive um que viveu um ano. Daí ele morreu. Fui pra escola chorando e quando me perguntaram o que foi falei que meu peixe tinha morrido. Eu me lembro claramente de todos rindo de mim, porque era só um peixinho dourado.

O ser humano é assim, faz escalas de sofrimento desde criança. Perder um cachorro e ficar triste, pode, perder um peixinho não. E daí que o peixinho era com quem você conversava todas as noites? E daí que você era filha única e seus únicos amigos da rua tinham se mudado? Era só um peixe, pelo amor de Deus!

A situação toda pode ter te feito sentir pena, mas na verdade a gente continua agindo assim quando cresce. A gente julga o sofrimento por escalas, sem considerar nenhum outro fator. Só é digno o sofrimento de quem perdeu alguém pro câncer, ou perdeu a casa num incêndio. A menina e o menino que choram por não terem um namorado estão fazendo tempestade em copo d'água, não sabem esperar em Deus. E daí que a pessoa sonha em formar família e vê esse sonho morrendo cada dia que passa? E daí que todo mundo te julga por estar solteiro "até hoje"? É só um desejo bobo de beijar na boca, pelo amor de Deus!

Eu não vou nem falar de outros "sofrimentos pequenos", porque quero mesmo enfocar a questão do namoro aqui, do relacionamento. Acho que a maneira que a igreja tem tratado esse assunto de maneira muito errada e, justamente por considerar ser algo de menor escala acaba fazendo muito jovem sofrer - e muito, por isso.

A partir do momento que encaramos que alguém que é cristão quer um namorado(a) não apenas por desejos físicos, mas porque anseia mesmo com o dia em que vai ter uma família de sua, poderemos corrigir a visão.

Eu vejo muito - "você é amada por Deus" e muito "menino, não transe antes de casar", mas poucas instruções práticas sobre o que é um relacionamento de verdade. Porque o que não falta é gente se casando irresponsavelmente só para poder ter a "aprovação de Deus" para transar.

Não vou chegar a dizer que o enfoque no sexo é tão errado assim. Acho que falar sobre isso num mundo onde tudo é sexo é totalmente válido, mas a vida de casado não se resume a isso. O relacionamento entre homem e mulher não se resume a isso. E a abordagem da maneira como é feita é também perigosa. Sexo antes do casamento é pecado, e depois também não pode fazer isso, isso e aquilo.

Eu não sou casada para poder falar, mas poxa, para mim sexo envolve muito mais que isso. Tratar o sexo de uma maneira tão mecânica como a igreja muitas vezes trata contraria até a própria natureza do ato.

Bom, voltando ao assunto do "sofrimento banal", é preciso e muito válido sim, querer que a pessoa pare de sofrer. Mas assim como as frases automáticas de "pelo menos agora ele descansou", para quem perde alguém pro câncer, fazem a pessoa até se sentir mal pela saudade, o "Deus vai te dar alguém na hora certa, é só você esperar" também fazem o solteiro se sentir menos digno ao invés de ajudar.

Meu apelo, enfim, é que nos lembremos, mais uma vez da graça e deixemos os julgamentos, preconceitos e frases feitas de lado. Um pai não quer saber se o filho quebrou o braço ou se arranhou de leve, quando o vê chorando tudo que quer é fazer a dor passar. Deus nos escolheu como transmissores da sua graça - que não estejamos fazendo essa imagem chegar distorcida ao nosso próximo.




quinta-feira, agosto 29, 2013

Graça, justiça, pecado e perdão


Durante uma das palestras do Philip Yancey no Wild Goose Festival ele contou sobre uma fila de supermercado que enfrentou. Era um caixa rápido e alguém que estava com mais itens que o permitido. O sistema saiu do ar, alguém pagou com cheque e o inglês da atendente não era dos melhores.

Seu instinto natural foi de querer reclamar do homem e pensar mal da moça. Mas uma de suas orações diárias é que Deus o ajude a enxergar as pessoas como Ele as vê. Resumindo a história, ele foi super simpático com a moça e alegrou o dia dela.

A graça é ilógica e, por isso, não é nada fácil de ser colocada em prática. No momento em que escrevo esse texto acabo de ler uma notícia: um garotinho chinês teve seus globos oculares arrancados possivelmente para tráfico de órgãos. De família pobre, o menino tem fissura lábiopalatina, o que pode ter sido o motivo para ter sido escolhido como alvo.

O garoto ainda não entendeu o que está acontecendo. "Ele perguntou por que estava escuro e por que ainda não havia amanhecido", contou um tio dele (Fonte: G1).

A reação inicial de qualquer um é querer arrancar os olhos de quem fez isso, ou até pior. Mas não é assim que a graça nos ensina a agir.

Sua ação ilógica, desconfortável e até escandalosa, é o perdão. É eu querer orar não só pelo menininho que provavelmente vai ter um futuro bem difícil depois dessa barbárie, mas orar também pelo agressor.

Não é fácil, não é natural. Chega a ser injusto. Mas Deus perdoou criminosos à beira da morte e condenou religiosos com altos padrões de moral. Dá até pra entender os que condenam o cristianismo de injusto quando se vê por essa perspectiva.

Não estou dizendo que a agressora não deve pagar pelo seu crime. As consequências desse ato hediondo, entretanto, são de responsabilidade da justiça humana. O fato de recebermos o perdão, por qualquer pecado que seja, não nos livra de enfrentar as consequências do que fizemos - elas servem inclusive como forma de ensino.

O preço da salvação, para todos, é um só e sem direito a cupom de desconto - a perfeição. Nenhum ser humano é, foi ou será de capaz de atingi-lo. Então Deus, por sua infinita misericórdia, se tornou humano como nós, morreu a morte que nos estava reservada por meio de Jesus Cristo. Ele nos salvou da perdição certa.

Devemos viver a vida em eterna gratidão à essa graça. Ainda que ela venha a ultrajar nosso senso de justiça.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Mais que eu sonhava - o encontro com Philip Yancey (e sua esposa)

Aos 11 anos de idade estava em um Encontrão de Gente Miúda, uma espécie de mini congresso cristão infantil que acontecia na minha igreja da época, Batista da Floresta. O tema era oração ou algo do tipo, nem me lembro bem. Mas me lembro de um sorteio que estava acontecendo. Eu estava aprendendo ainda o que era a fé, oração e tudo mais. Um dos itens do sorteio era uma bicicleta e eu não tinha uma bicicleta, porque era muito cara. Eu me lembro de pensar: "se eu orar sem parar, quem sabe Deus não me ouve e eu ganhe a bicicleta". E foi assim que aconteceu, orei, literalmente, sem parar. Mesmo sendo só no pensamento, fiquei sem fôlego algumas vezes, mas continuei até o sorteio. E eu fui sorteada. Foi o primeiro e um dos poucos sorteios que ganhei na vida.

Claro que a fé e a oração não funcionam sempre desse jeito, e eu viria a aprender isso. Mas eu serei sempre agradecida por Deus ter ouvido aquela minha oração de criança.

Um pouco mais tarde, aos 13 anos de idade, li meu primeiro livro de mais de 200 páginas, "Maravilhosa Graça". Naquele momento minha vida mudou completamente. Ficaria ainda alguns anos até voltar a ler Philip Yancey de novo, na faculdade, mas nunca vou me esquecer daquele momento.

Como os leitores antigos e amigos próximos sabem, eu me correspondo por e-mail com o autor há alguns anos. Na tentativa ainda não concluída de escrever um livro, e em toda minha caminhada cristã nesses últimos anos, ele tem sido meu mentor e conselheiro.

Um dos meus maiores objetivos ao vir para os Estados Unidos era conhecê-lo. Procurei onde ele estaria publicamente, já que viajar pro Colorado do nada e bater na porta da casa dele não me parecia ser uma boa opção. Foi quando descobri o Wild Goose, que, como vocês viram pelo post de ontem, foi muito além do Philip.

Depois dessa longa, mas necessária, introdução, vou contar então como foi o encontro.

A primeira pregação dele seria na sexta às 11h30. Como voluntária, não estava escalada para a manhã, então acordei, tomei meu café e sentei com minha toalha no lugar mais próximo do palco para esperar por ele e assistir o resto da programação.

Teve uma discussão sobre igreja emergente - fantástica - e, depois, uma discussão sobre racismo e igualdade social. Durante essa discussão houve um exercício em grupo. Tínhamos que contar uma situação onde nos sentimos incluídos em um grupo social qualquer, e outra em que nos sentimos excluídos. Era minha vez de falar quando eu o vi chegar.

"Oh my God! Esse é o Philip Yancey! Ele está aqui mesmo! É ele! OMG!"

Enquanto me perdi no que estava falando ele se dirigiu à barraca onde os preletores se preparavam pra palestra. Eu me distanciei do meu grupo e voltei pro meu lugar de origem, aguardando a palavra do Philip começar. Foi quando conheci mãe e filha missionárias do post anterior. Ela me convidou a apoiar as costas na perna dela, caso precisasse (ela tinha uma dessas cadeiras portáteis), e colocou uma sombrinha em cima de mim porque o sol estava muito quente.

A introdução do Philip resume bem a diversidade que eu comentei ontem, sobre o festival: "Eu não sei exatamente porque me chamaram pra falar aqui. Eu como carne, não tenho tatuagens (nenhuma que eu vá contar a vocês, pelo menos), sou casado - com uma mulher. Mas fico muito honrado por ter sido convidado!"

Ele pregou nesse dia basicamente sobre seu testemunho de vida, sobre como foi crescer numa igreja fundamentalista no sul dos Estados Unidos. Para quem já leu quase todos os livros dele, meu caso, não tinha nenhuma grande novidade, mas só de ouví-lo falar ao vivo já tinha sido fantástico.

Ao terminar, ele abriu então para perguntas do público. Nesse momento eu percebi que toda minha preparação, sobre o que diria a ele, ao longo dos anos, tinha simplesmente desaparecido. Eu queria falar, mas não sabia o que perguntar. Um rapaz o perguntou sobre o fim da história de seu irmão mais velho e eu lembrei que isso não estava em nenhum livro, mas o próprio Philip havia me contado quando fiz a mesma pergunta por e-mail.

A saber, ao contrário de Philip, seu irmão Richard, seguiu odiando os cristãos e a igreja quando cresceu. Ao dizer que queria estudar na Wheaton College, uma renomada instituição americana (fundada por Billy Graham, inclusive), a igreja o condenou e disseram que iriam orar pra que ele sofresse um acidente e morresse, ou, ainda pior, ficasse paralítico. Bom, o acidente não aconteceu, mas há alguns anos Richard sofreu um derrame e hoje só consegue falar com a ajuda de aparelhos, pois só move os olhos. Alguns dos antigos membros da igreja dizem ser resposta de oração de Deus. É muito triste saber que ainda existe gente assim na igreja. Não aprenderam com Jó e não sei se um dia vão entender o que é a graça e a justiça de Deus.

Quando ele terminou de pregar eu estava determinada a ir conversar com ele, mas ao mesmo tempo aterrorizada. Quem me conhece sabe o quanto eu sou tímida. Mas daí a senhorinha missionária foi conversar com ele e eu tomei coragem e fui com ela. Segue o diálogo:

- Ei Philip, não sei se você se lembra, mas eu sou Dani, escrevo e-mails pra você há algum tempo...
(arregalou os olhos) - Dani! Claro que lembro! Me dá um abraço! Janet, essa aqui é Dani, do Brasil, que veio aqui me ver! Como você veio parar aqui?
- Eu vim de ônibus.
- Sério? Quantas horas de viagem?
- Aham, 14 horas de viagem até Charlotte.
- E de lá pra cá?
- Dividi um carro alugado e com mais umas 4h estava aqui.
- Que legal! Puxa, que legal! A família que você está agora é boa?
- Sim, eles são maravilhosos!
- Estou orgulhoso de você! A gente se vê pelo acampamento então!
- Ok =)

Daí a Janet veio falar comigo:

- Como você descobriu que ele estaria aqui?
- Eu pesquisei onde poderia vê-lo, descobri o festival, achei super legal a ideia e resolvi vir.
- Essas crianças de hoje em dia, descobrem tudo pela internet! (comentando com a assistente do Philip, que estava do lado). E como foi a recepção americana pra você, te trataram bem?
- Bom, a primeira família não foi muito boa, mas agora estou numa ótima família!
- É, eu sei. Mas que bom que está tudo certo agora! Como foi sua viagem?
- Boa, cansativa, mas boa!
- E você está aproveitando o festival?
- Sim, não posso ver tudo, porque estou trabalhando como voluntária. Mas é bem legal poder trabalhar também.
- E ainda está trabalhando como voluntária?!? Você tem uma daquelas blusas verdes?
- Sim, não uso o tempo todo porque bem, tenho que usá-la por quatro dias.
- É, você não quer que ela fique toda suja. Nós viajamos um tempo de carro também. Chegamos 1h30 da manhã e eles nos colocaram num bed and breakfast - você sabe o que é isso? (sei) - pois é, foram super gentis, a gente chegou tão tarde, mas eles levantaram e foram nos atender mesmo assim. Bom, o Philip tem uma agenda a seguir, você sabe, mas com certeza a gente se fala depois por aqui. Amanhã às 16h tem a sessão de autógrafos, não se esqueça de passar por lá.
- Ok =)

Saí de lá tremendo e fui me preparar pra almoçar e começar meu turno de trabalho do dia, que era às 13h. Nesse meio tempo descobri um trailler onde ele estava quando estava no congresso. E fui trabalhar. Não que eu o estivesse seguindo, mas parte do meu trabalho como voluntária era andar pelo acampamento e ver se tinha alguém precisando de ajuda. Esqueci de contar ontem sobre o Ken, mas ele foi meu companheiro de trabalho. Ele é casado e têm três filhos, além de uns 10 intercambistas que recebe por ano em sua casa. Sua filha mais velha está na faculdade, o do meio acabou de ser aceito numa faculdade local e o mais novo acabou de entrar no ensino médio. Motivo pelo qual ele vai parar de receber intercambistas por um tempo, pra poder se dedicar aos estudos desse filho. Bom, mas estávamos andando e conversando, e eu cruzei pelo caminho com o Philip umas 10 vezes. Não tive coragem de ir conversar de novo e pedir uma foto, mas ainda não acreditava que o estava vendo toda vez que isso acontecia.

Fui dormir muito feliz e, no dia seguinte, trabalhei algumas horas de manhã - porque cheguei muito tarde na quinta, e estava escalada, então quis pagar minhas horas. 12h30 era a segunda pregação do Philip. Quando larguei o "serviço" para ir sentar no meu lugar vi o Philip conversando com um rapaz e uma moça. Como era cedo, resolvi esperar e ver se conseguia minha foto com ele. Fiquei atrás de uma árvore observando tudo, torcendo pra que ele não me visse e achasse que eu o estava perseguindo. A conversa com o rapaz, entretanto, demorou demais e já não ia dar tempo, então resolvi ir sentar. Nessa hora Janet apareceu e eu, muito feliz por vê-la, fui conversar com ela. Ela perguntou se eu estava com sede, falei que minha garrafa de água estava cheia. Perguntou se eu estava com fome, e eu disse que não. Ela me deu uma barrinha de cereal e disse: "não quero te ver com fome!". E me convidou pra sentar com ela.

Na mesa ela me apresentou aos seus amigos:

- Essa é Annie, nossa amiga do Brasil (eu corrigi da primeira vez, mas, como ela não ouviu ou não entendeu, meu nome passou a ser Annie pra ela, rs).

Philip pregou sobre oração nesse dia, baseado em seu livro sobre o tema. Estar sentada ao lado da Janet durante a pregação foi uma experiência fascinante. Eu a vi vibrar quando ele contou sobre suas escaladas às montanhas. E a vi quase chorar e ficar alguns segundos encarando o céu, quando ele contou sobre o acidente que quase o tirou a vida. No fim, eu peguei o celular e estava tomando coragem pra pedir uma foto com ela, quando ela disse:

- Você quer uma foto com o Philip, né?
- É, e com você também, se possível.
- Claro, será uma honra! Vamos lá, que o Philip tem uma peça pra assistir agora, então temos que correr pra tirar sua foto.

Fomos ao encontro do Philip que, ao me ver, sorriu e disse:

- Dani! Que bom te ver! Alguém da sua família ou amigos vêm te visitar esse ano?
- Acho pouco provável, as passagens são muito caras.
- É, eu sei. Você é muito corajosa! Quanto tempo vai ficar aqui ainda?
- Até março ou abril do ano que vem, provavelmente.
- Que legal! Eu espero que agora realmente esteja melhor que no início.
- Sim, está maravilhoso agora!
- Que bom!
Janet interrompeu, dizendo que eu queria uma foto com eles.
- Opa, claro!
Daí eu agradeci e ela disse que eles precisavam ir pra peça.
- Mas, você sabe de uma coisa, pesquise um vôo pra Denver - ou trem, interrompeu a assistente - é, ou trem, e você será nossa convidada de honra por uns dias lá em casa. Será um prazer te receber.
- Ok (eu realmente perdi as palavras todas nesse momento), eu vou, boa peça. Obrigada!
- A gente se vê por aí mais tarde - disse o Philip
- Ok.
- Você almoçou? - Janet de novo.
- Não, estou indo agora.
- Precisa de dinheiro?
- Não, eu tenho aqui.
- Bom, tome aqui algum assim mesmo. Considere presente de Deus. (o interessante é que, no caminho de ida, tinha perdido $40. Coloquei no bolso e deve ter caído no caminho e eu não percebi. Ela me deu $20).

Fui almoçar absolutamente extasiada, e depois fui assistir a entrevista com o Brian McLaren. Daí subi pra sessão de autógrafos. "É só seguir onde a lama está indo" - disse o Philip mais cedo, ao orientar o pessoal a chegar à tenda.

Cheguei lá e ele não estava ainda. Eu o vi chegar, mas resolvi esperar um pouco. Uma moça e um rapaz chegaram, daí fui.

- Dani! Que bom te ver! Eles estão esperando pelo Brian McLaren, então você é a primeira pra mim aqui =)
- Ok, hehe. - entreguei os três livros pra ele. O meu, comprado previamente, que molhou na chuva, infelizente. E os dois que comprei pros meus amigos.
- E-gleidson. Esse nome é brasileiro?
- Nem lembro. Acho que não.
- É, não me parece brasileiro. Patrícia, é com acento?
- Sim.
- Então, me conte de novo, 14h de ônibus mais 5h de carro, pra vir aqui?
- Aham
- Estou muito orgulhoso de você! E foi uma honra te conhecer pessoalmente! Seu turno começa daqui a pouco, a Janet me contou, né?
- É.
- Te vejo por aí então.
- Ok =)

Voltei a trabalhar e a Janie me disse que precisavam de gente no estacionamento. Daí, em meio à chuva que estava presente em todas as tardes/noites do acampamento, vi o Philip indo pro carro. Pensei comigo: "tchau!", mas não falei nada.

Fiquei surpresa quando o vi no domingo de manhã, assistindo Brian McLaren. Não assisti tudo porque estava trabalhando nesse dia. Daí me colocaram na portaria. Pensei: "seria legal se ele passasse por aqui e eu pudesse dar tchau". Alguns minutos depois lá estava ele. Ele me viu e veio se despedir.

- Dani! Te colocaram aqui hoje?
- É.
- Vai ficar aqui o tempo todo?
- Não sei. Vou até meio dia, mas talvez eles me mudem de lugar.
- Bacana! Bom, foi um prazer finalmente te conhecer pessoalmente. Quem sabe depois eu não vá te visitar no Brasil também?
- Isso ia ser muito legal!
- É, bom, boa viagem pra você, que Deus te abençoe.
- Amém, a vocês também.

Dessa vez não fiquei orando sem parar, mas com certeza me lembrei daquela oração aos 11 anos para ganhar a bicicleta. O fato é que nem em sonhos eu sonhava com tudo o que aconteceu nesse encontro com Philip e Janet Yancey. Eu me lembro de conversar com meu irmão, Egleidson, e dizer: "eu queria conhecer um dia o escritório dele. E a Janet, porque ela parece ser uma senhorinha muito legal!"

Lembro vividamente de cada coisa que aconteceu nesse festival, mas ainda me pego pensando: "Meu Deus, esse é o Philip Yancey ao meu lado nessa foto!", toda vez que olho pra essa foto que tirei com eles.

Deus cuida da gente. Em cada pequeno detalhe, ele cuida da gente.


terça-feira, agosto 13, 2013

Mais que eu sonhava - a viagem pra Carolina do Norte e o festival Wild Goose

Bom, colocar o blog de volta à ativa com essa postagem e a próxima que se segue realmente me deixa muito feliz - primeiro, porque estou voltando a atualizar o blog (quem escreve sabe a angústia que é ficar meses sem nenhum texto novo) e segundo porque contar essa experiência aqui com certeza me deixa muito contente.

Eu vou contar essa história por meio de personagens - sejam eles lugares ou pessoas - porque com certeza essa viagem com a surreal experiência que eu tive, foi construída por meio de personagens muito importantes. Um deles, ou dois, Philip Yancey e sua esposa, Janet, vão ficar pro próximo post, porque são um capítulo à parte disso tudo, sem dúvidas.

Algumas considerações a serem feitas antes da introdução dos personagens: por ser um post extremamente pessoal, estou contando minha experiência, sem intenção nenhuma de causar nenhuma polêmica em nada que falar. O Festival Wild Goose é um festival cristão que tem como base a justiça social, igualdade e um espaço para promover arte e música cristãs.

Então vamos parar com a enrolação e começar nossa aventura:

GreyHound

Famosa linha de ônibus dos Estados Unidos. Minha host mother me sugeriu olhar o valor e, realmente, era muito mais barato que ir de avião. Super curti a ideia, porque poderia viajar e observar a passagem enquanto ainda tivesse luz do sol para tanto.

O interessante é que 90% dos passageiros eram negros, assim como no bairro onde a estação fica localizada. Como a maioria dos leitores desse blog deve saber, eu não estou nem perto de ser morena, haha. As pessoas me olhavam como se eu não pertencesse àquele lugar. No caminho de volta até sofri de um "racismo ao contrário" que nem vale à pena citar aqui.

Mas achei no mínimo interessante estar "do outro lado" e sentir literalmente na pele o que os negros sofrem por alguns momentos. Claro que foi uma parte bem superficial do processo. Sei que a situação dos negros, especialmente aqui nos EUA é ainda bem complicada. Sei que o racismo vai muito além do que vivi. Porém, como "imigrante" aqui também sei como funciona essa divisão de classes por aqui.

Tim Gosset

Conheci o Tim num evento criado no Facebook para o festival. Dividimos o carro que ele alugou junto com mais duas garotas.

Mas a história do Tim é tão fantástica, que não poderia deixar de citar. Em uma conferência de jovens, muitos anos atrás, Tim conheceu uma pessoa que o inspirou e incentivou a escrever. Mesmo sem nunca ter planejado se tornar escritor, ele hoje já tem alguns livros publicados e escritor se tornou uma das carreiras que ele tem.

Ele é casado. Tentaram engravidar por alguns anos mas, sem sucesso, partiram para tentar a adoção. Queriam adoção internacional como a maioria dos americanos, já que o processo para adoção local nos EUA é complicado e às vezes o governo pode simplesmente decidir devolver a criança para os pais biológicos, uma vez que esses se recuperem de vícios ou prostituição.

Enfim, tentaram, sem sucesso também, adotar uma criança de El Salvador. Conheceram então uma moça de El Salvador que era cristã e queria dar seu bebê para adoção. Tudo acertado, até o momento do parto, onde a mãe resolveu que não queria mais dar o bebê.

Começaram o processo todo de novo, até acharem uma jovem de sua igreja. Tudo certo de novo, mas a moça perdeu o bebê.

Por fim, há alguns anos, quando estavam prestes a desistirem, conheceram uma moça e foi assim que vieram a ser pais de um doce menininho de três anos.

Tim é líder de um grupo de jovens em sua cidade em Idaho.

Natureza

Foi o meu primeiro acampamento de verdade. Repelentes não foram suficientes e estou toda cheia de picadas de insetos (às quais sou alérgica). Presenciei a captura de uma cobra e acordei um dia com uma linda (e gigante) aranha no "teto" da minha barraca. Agradeci a Deus por ter minha cama e banheiro sem ser químico de volta.

Mas faria 10, 100 vezes mais de novo. O contato com a natureza, por mais que tenha seus contratempos (a gente não a controla, o que é uma das coisas mais bacanas de se estar em contato com ela), é algo simplesmente fantástico.

Antes desse acampamento o mais perto que tinha chegado do que vivi foram minhas "escaladas" pela Serra do Curral e as viagens para São Sebastião de Soberbo (a minha roça, que ia sempre, antes que se precipitem em dizer que o primeiro parágrafo dessa seção vêm de "menina da cidade"), mas ainda assim o acampamento foi absolutamente fantástico.

Um dia acordei mais cedo e sentei em beira ao rio que cortava o acampamento. Eu esqueci o nome, mas me lembro da Janet (Yancey) me dizer algo como "é o rio mais antigo e um dos mais importantes daqui dos EUA". Fiquei por horas apenas observando o rio correr.

Vocês já notaram o fato óbvio que o rio nunca para de correr? Que ele está sempre em movimento? O rio só para de correr se não tiver mais água nenhuma, pois até um filetezinho ele ainda faria correr. O rio só para quando está morto.

Não é uma lição para nós? A gente não pode parar de "correr", de batalhar pelos nossos sonhos, de correr para o nosso alvo. Às vezes, em tempos muito difíceis, tudo que nos resta é um pouquinho de água (força), mas temos que continuar fazendo essa água correr. E, na verdade, nós não temos que fazer isso por nós mesmos. Quem controla a correnteza do rio, muito além das explicações científicas, é o mesmo que nos controla. Deus sempre vai nos dar a força para continuarmos em frente. Mesmo quando parece que estamos prestes a "morrer", Ele está lá. As circunstâncias às vezes vão evidenciar o contrário, mas o fato é que Ele sempre está conosco.

Brasil

Na sexta-feira sentei no chão e fiquei esperando a pregação do Philip Yancey. Estava enrolada na minha bandeira do Brasil.

Um senhor veio falar comigo em português, dizendo que morou no Brasil por alguns anos e, depois, uma senhora e sua filha vieram falar comigo em português também. Elas são missionárias.

Essa senhora e sua filha se tornaram minhas amigas de congresso. Enquanto não estava trabalhando eu assistia às programações com elas.

Elas já foram também pra Moçambique e são fundadoras (ou ajudam bastante, nem me lembro bem) de um orfanato em Goiás que cuida de cerca de 25 crianças.


Voluntários

Já faziam alguns anos desde que eu trabalhava como voluntária em grandes eventos. Ah, como a saudade batia, foi fantástico poder fazer parte de um time como esse de novo.

Os meus líderes, Shane e Janie Rager, são pessoas absolutamente fantásticas! O carinho e o cuidado que eles tiveram comigo desde o dia em que cheguei (e fomos procurar minha barraca no escuro e chovendo, mesmo ela já tendo trabalhado mais de 12 horas naquele dia) até o momento da despedida, foram inenarráveis.

Também conheci o David, o Dan, o Douglas, o Charles e o Brighton, voluntários do estacionamento, com os quais dei muitas risadas. Foi debaixo de chuva que trabalhei com eles também, mas foi excepcionalmente divertido.

Não só nesse último grupo, mas em todo o grupo de voluntários e, na verdade, no festival inteiro, tinha gente de toda idade e jeito.

O Festival

O espírito do ganso selvagem é, obviamente, inspiração pro nome do festival. E é sempre algo maravilhoso pra mim quando vejo a diversidade da Igreja. No festival tinha gente tatuada e idosos de cabelos branquinhos. Tinham famílias com seus filhinhos de colo, e tinham gays e lésbicas. Tinham cadeirantes e tinham crianças correndo e brincando na lama. Tinha, enfim, todo tipo de gente que tem no mundo, numa pequena amostra de mil pessoas.

As palavras sobre justiça social, a fantástica entrevista com Brian McLaren que, entre outras coisas, disse: "se os pastores pregassem durante um mês sobre a abdicação das posses terrenas, como Jesus fazia, logo logo as igrejas iriam reduzir drasticamente em número de membros". E também disse, ao comentar sobre a reação dos cristãos ao seu filho gay: "na igreja católica o processo de excomungação é muito claro e estruturado. Na igreja evangélica é mais complicado. Muito antes desse episódio eu acredito que já tenha sido lentamente excomungado da igreja evangélica, então não tive tanta reação assim. O engraçado é que, na essência da fé cristã: "eu acredito em Jesus como senhor e salvador, e na palavra de Cristo como revelação de fé", eu acredito que sou mais "cristão" que muitos dos que me excluíram. Quantas igrejas você vê falando sobre o amor de Deus, sobre Jesus, hoje em dia?"

Houve também um representante dos direitos civis, um senhor negro que falou brilhantemente sobre a sociedade americana e a igreja emergente. Algumas frases que anotei:

"Os EUA precisam se desenvolver não mais como exemplo de democracia para o mundo, mas como desenvolvimento de fé."

"Qual a diferença entre a Igreja emergente e a sociedade americana? No que combinam e no que não? Se não combinam em nada, o que esta igreja está buscando?"

Houve também a palavra, na mesma "roda de discussão" do senhor acima, uma senhora, escritora, chamada Phyllis:

"Não apenas a mente, mas o seu corpo tem que acreditar/adorar a Jesus."

Por ser bem alternativo, tinham uns momentos zen também, como no momento de dança coletiva, onde as pessoas se reuniram e começaram a dançar, conforme o que a música os fazia sentir.

Nunca vou me esquecer no momento em que, em frente à tenda da cerveja, todos começaram a cantar "Amazing Grace".


Apesar do gigantesco post, acreditem, esse é só o resumo desses dias pra mim. Ah, esqueci de comentar dos livros, ganhei vários livros durante o festival, o que, com certeza, é um ponto super positivo, haha.

E eu voltei pra casa, assim como os velhinhos, as crianças, os bebês, as famílias, os gays, e todos os que estavam naquele festival. O que faremos daqui pra frente é o que vai contar, no final das contas, mas com certeza foram dias inesquecíveis.





sábado, abril 27, 2013

Esperança



Eu estou com saudades de músicas que falam de esperança. Esperança de verdade, sabe, não essa esperança vã que as músicas cristãs atuais insistem em focar.

A esperança de verdade é saber que tudo pode dar errado na vida, mas saber que Deus está contigo, então não há nada com o que se preocupar.

Não é positivismo barato, antes que alguém venha me corrigir. Na verdade, eu sei bem o valor do sofrimento na vida. Sei que até mesmo a tristeza tem seu lugar na vida.

E acho que justamente por já ter vivenciado esse tal de sofrimento é que aprecio esse tipo de música. Na foto que ilustra esse post está uma das canções mais antigas que cantei e uma das minhas preferidas.

"REFRÃO:
Porque Ele vive, posso crer no amanhã.
Porque Ele vive, temor não há.
Mas eu bem sei, eu sei, que a minha vida
Está nas mãos do meu Jesus, que vivo está
Deus enviou Seu Filho amado
Para morrer em meu lugar
Na cruz sofreu por meus pecados
Mas o sepulcro vazio está porque Ele vive
[REFRÃO]
E quando, enfim, chegar a hora
Em que a morte enfrentarei
Sem medo, então, terei vitória
Verei na Glória o meu Jesus que vivo está
A esperança que essa música reside em Deus. Jesus é a razão de podermos crer no amanhã. Quantas vezes deixamos de crer no amanhã? Alguém dizer que tudo vai ficar bem pode até me animar, mas a decepção é dobrada caso nada melhore e fique ainda pior. Mas se Jesus está vivo, se Ele passou por tanto sofrimento sem pecar; se Ele morreu na pior forma de sentença possível pra época, injustamente; se Ele voltou à vida/ se ele fez isso tudo pela graça, sem me cobrar nada em troca e sabendo que eu vou continuar o decepcionando, então posso crer no amanhã. 
"Temor não há. Mas eu bem sei..." - Já notaram o quanto a construção dessa frase é interessante? Pode ser apenas uma questão musical, mas eu acho bem interessante o uso do "mas" no lugar de "e". Nós continuamos lutando com o medo e a insegurança, continuamos sendo humanos. Mas eu bem sei que a minha vida está nas mãos do meu Jesus que vivo está.
E, quando enfim, chegar minha hora, sem medo então, terei vitória. A vitória que eu busco, a vitória que me dá esperança, não é superar um grande problema na vida. A vitória que me dá esperança é de que essa vida não acaba aqui. Isso aqui é só a introdução de uma história eterna. 
Verei meu Jesus, meu motivo de sorrir e acreditar em um novo dia, todos os dias =)

Veja mais em

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