terça-feira, dezembro 17, 2013

Aquele sonho impossível - uma reflexão


Existe uma coisa engraçada sobre os sonhos. Quando somos crianças vivemos deles, mas, à medida em que vamos crescendo, as decepções e as cobranças em ser "pé no chão" nos fazem acreditar que sonhar é muito perigoso.

Bom, o fato é que eu não aprendi essa lição. Quem me acompanha (pelo blog ou pessoalmente mesmo), sabe o quanto o autor Philip Yancey é uma inspiração para mim.

O sonho de ser escritora existe em mim desde muito nova. Eu me lembro de uma conversa que tive no colégio na época do ensino fundamental. Nós discutíamos os nossos sonhos de carreira pro futuro. Uma comentou que seria guitarrista, outra médica...eu disse sem nem piscar que queria ser escritora, mesmo já nessa época tendo escolhido Fonoaudiologia como faculdade.

E foi mais ou menos nessa mesma época em que eu li o livro "Maravilhosa graça". Mesmo demorando anos até que eu voltasse a ler Yancey, a partir daquele dia ele se tornou um referencial para mim em vários aspectos da minha vida. Muitos livros depois e finalmente uma ideia consistente para o meu próprio livro, eu resolvi escrever um e-mail para ele. Philip Yancey é um autor internacionalmente famoso com uma coleção de prêmios e bestsellers, não havia nenhuma razão pela qual ele deveria me responder - mas ele respondeu.

Algum tempo depois resolvi escrever outro e-mail. A primeira resposta poderia ser uma cortesia de um autor famoso. Mas mais ou menos na mesma época Francis Collins me respondeu mais de uma vez, resolvi arriscar mais uma vez. E a resposta também veio dessa vez. A cada e-mail que ele respondia eu ficava ainda mais encantada pela pessoa do Philip. Em seguida veio uma entrevista, que acabou sendo publicada no site da Ultimato Jovem e então na Ultimato.

Mas apesar de continuar escrevendo e ter uma estrutura pronta para o livro, durante anos e anos eu não tinha nada mais do que uns rascunhos. Cheguei à conclusão de que, se eu quisesse mesmo publicar esse livro, eu precisava sair de casa.

Já havia lido sobre o programa au pair há algum tempo, mas decidi realmente me inscrever no fim do ano passado com dois objetivos principais (além da troca de culturas e a possibilidade de ficar rodeada de crianças o tempo inteiro): escrever meu livro e conhecer pessoalmente o Philip.

O fato é que, assim que ele começou a responder meus e-mails, a gente começou a brincar entre amigos de que eu iria conhecê-lo pessoalmente e ele ia até me convidar para conhecer a casa dele, com as belas vistas do Colorado, além da sua biblioteca e escritório, e de sua adorável esposa.

Bom, apesar de ter chegado aos EUA em março, meses se passaram sem que eu escrevesse uma linha do livro. Acompanhei a agenda do site do Philip diariamente, até que descobri que ele estaria num festival chamado Wild Goose Festival. E lá estava eu, na Carolina do Norte, depois de horas dentro de um ônibus. Para não alongar ainda mais esse texto, eu fiz um relato bacaninha sobre o evento e o meu encontro com ele lá, que você pode ler aqui e aqui.

Foi depois desse encontro que eu consegui finalmente colocar as palavras no papel. Metade do livro finalmente tinha sua primeira versão concluída. O encontro com o casal Yancey foi o suficiente para que eu conseguisse criar uma disciplina e deixasse as ideias fluírem da minha cabeça para o papel (e para o computador depois, eventualmente).

Pois bem, encontrar o Philip pessoalmente e poder trocar umas palavras com ele já era absolutamente fantástico e muito mais que eu esperava algum dia poder fazer. Mas daí o impensável aconteceu. Janet, sua esposa, me convidou para passar alguns dias com eles em sua casa.

Devo admitir que sonhar demais machuca mesmo, quanto mais alto se está, maior a ferida causada pela queda. Mas só aprende a voar quem não tem medo de cair. Claro, seria sensato afirmar que são necessárias asas também. Tudo isso vem pela graça de Deus.

Acho que, no fim das contas, Deus quer que sonhemos. Ser cristão não significa ter todos os sonhos realizados e uma vida isenta de problemas, na verdade, muitas vezes significa o contrário. Mas Deus é um Deus de graça. Ele sempre irá nos surpreender com a sua desconcertante graça.

E é essa história da realização de um sonho definitivamente alto demais que eu contarei nos próximos posts.

Um comentário:

Anita Lacerda disse...

Ansiosa pela continuação... Hihihi

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