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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Anotações de "Milagres"

Mais uma fantástica obra de prumor artístico e intelectual reservado aos gênios da literatura, como não poderia deixar de ser, em se tratando de Lewis

C.S. Lewis




"Para ele [o teísta], a razão - a razão de Deus - é mais antiga que a Natureza e dela deriva a ordem natural que, sozinha, nos capacita a conhecê-la. Para ele,  no ato do conhecimento a mente humana é iluminada pela razão Divina. Ela é libertada, na medida necessária, do imenso vínculo da causalidade não racional; é livre da necessidade de determinar esse vínculo pela verdade conhecida." - p. 41

"O Sobrenatural não é remoto e confuso. Trata-se de um assunto da experiência diária e de toda hora, tão pessoal quanto a respiração." - p. 70

"Nada parece contraditório até que se conheça o que é ordinário. A crença em milagres, longe de depender da ignorância em relação às leis da Natureza, só é possível na medida em que essas leis são conhecidas." - p. 78

"Se, de qualquer modo, for reafirmado que algo tão pequeno quanto a Terra é insignificante demais para merecer o amor do Criador, responderemos que cristão algum jamais supôs que o merecêssemos. Cristo não morreu pelos homens por eles serem dignos dessa morte, mas porque Ele é intrinsecamente amor e, por isso, ama infinitamente." - p. 85

"Por definição, milagres devem, de fato, interromper o curso habitual da Natureza, mas se forem reais devem, justamente por meio desse ato, confirmar ainda mais profundamente a harmonia intrínseca da realidade total." - p. 98

" Não é na Natureza, mas em Algo muito além dela que todas as linhas se encontram e todos os contrastes se explicam." - p. 104

"A liberdade criativa de Deus deve ser concebida de modo semelhante à do poeta: liberdade de criar algo coerente, concreto, com sabor próprio e inimitável." - p. 104

"Deus não precisava criar esta Natureza. Ele poderia ter criado outras, e deve mesmo tê-lo feito. Todavia concedeu existência a esta Natureza, então não há dúvida de que a menor parte dela existe para expressar o caráter que Ele escolheu lhe dar." - p. 104,105

"É preciso experimentar, mesmo que brevemente, a água pura de outro mundo antes de tomar consciência do sabor indescritível da corrente morna e salina da Natureza. Tratá-la como se fosse Deus ou como Tudo é perder toda a sua essência e prazer. Saia, olhe para trás e então verá...essa surpreendente cachoeira de ursos, filhotes e bananas; esse imenso dilúvio de átomos, orquídeas, laranjas, caranguejos, canários, pulgas, gases, tornados e sapos. Como pudemos pensar que essa era a realidade suprema? Como nunca pensamos que se tratava simplesmente de um cenário para o dilema moral de homens e mulheres? A Natureza continua sendo ela mesma, e não lhe ofereça adoração nem desprezo, mas vá ao seu encontro e a conheça." - p. 106

"Toda a essência do Hinduísmo, penso eu, permaneceria inalterada se você subtraísse o milagroso. O mesmo também é quase verdade quanto ao Islamismo. Todavia não se pode fazer isso com o Cristianismo, que é precisamente a história de um grande Milagre. Um Cristianismo naturalista deixaria de lado tudo que é especificamente cristão." - p. 108

"Os relatos dos 'milagres' na Palestina do século primeiro ou são mentiras, ou são lendas, ou são história. Caso todos, ou o mais importante deles, forem lendas ou mentiras, então as afirmações que o Cristianismo têm feito nos últimos dois mil anos são simplesmente falsas; mesmo que, sem dúvida, contivesse sentimentos nobres e verdades morais, assim como as mitologias grega e nórdica as contêm." - p. 124, 125

"Quem faz de sua religião o seu deus não terá Deus em sua religião." - Thomas Erskine de Linlathen, citado na p. 127

"Nós, que defendemos o Cristianismo, vemo-nos constantemente atacados pela verdadeira religião de nossos ouvintes, e não por sua falta de religião. Falemos de beleza, verdade e bondade ou de um Deus que é simplesmente o princípio de habitação interior de um desses três atributos; falemos de uma grande força espiritual que permeia todas as coisas, uma mente comum da qual todos somos partes, um reservatório de espiritualidade generalizada o qual podemos todos fluir. Iremos deparar com um amigável interesse. No entanto, a temperatura sobe quando mencionamos um Deus que tem planos e realiza atos notáveis, que faz uma coisa e não outras, um Deus concreto que escolhe, dá ordens, proíbe e tem caráter definido. Os ouvintes ficam imediatamente perturbados ou aborrecidos. Tal concepção lhes parece antiga, rude e até irreverente." - p. 128

"A natureza aperfeiçoada de qualquer coisas real é sempre, a princípio, um estorvo às nossas fantasias naturais, um intruso infame e pedante que interrompe a lógica de uma conversação que se desenvolvia maravilhosamente bem sem ele." - p. 134

"Ousemos dizer que Deus é uma Coisa específica. Outrora, Ele foi a única Coisa, mas Ele é criativo. Fez com que outras coisas passassem a existir. Ele não é, contudo, essas outras coisas que criou. Não é um 'ser universal'. Se fosse, não haveria criaturas, pois uma generalidade não pode criar nada." - p. 137

"Na linguagem do apóstolo Paulo, o propósito de nos despirmos não é fazer com que nossa ideia de Deus alcance a nudez, e sim que nossa nudez seja revestida." - p. 140

"Custe o que custar, Ele não deve ser concebido como uma generalidade sem traços característicos. Se Ele realmente existe, então é a coisa mais concreta que existe, a mais individual, 'organizada e minuciosamente articulada'. Ele é impronunciável não por ser indefinido, mas por ser definido demais para a inevitável falta de precisão de linguagem." - p. 142

"A Filiação Divina é, por assim dizer, o sólido do qual a filiação biológica é simplesmente uma representação esquemática na superfície." - p. 142

"Talvez devêssemos, acertadamente, rejeitar também grande parte do simbolismo do Antigo Testamento. Entretanto devemos ter certeza da razão de o fazermos: não é pelo fato de as imagens serem muito fortes, mas por serem muito fracas. A realidade espiritual suprema não é mais vaga, mais inerte, mais transparente que as imagens, e sim mais positiva, mais dinâmica e mais opaca." - p. 143

"Se precisamos de uma imagem mental para simbolizar o Espírito, é preciso representá-lo com algo mais sólido que a matéria." - p. 144

"Em toda parte, o grande acolhe o pequeno, e essa capacidade é praticamente a prova de sua grandeza." - p. 172

"Onde o Deus real está presente, as sombras desse Deus não aparecem, apenas aquilo com que as sombras se assemelham. Através de toda a sua história, os hebreus foram sempre desviados da adoração dos deuses da Natureza - não porque os deuses-Natureza fossem diferentes em todos os aspectos do Deus da Natureza, mas porque, na verdade, eram no máximo semelhantes, e fazia parte do destino daquela nação ser afastada das semelhanças para se aproximar do próprio Deus." - p. 178

"Deus jamais se desfaz de algo, a não ser do mal; jamais faz algo bom para depois desfazê-lo (...). Ele jamais se separará da Natureza novamente, e ela deve ser glorificada de todas as maneiras que essa união milagrosa exige." - p. 189

"Onde há um Deus cheio de propósitos e que tudo prevê agindo sobre uma Natureza totalmente interligada, não pode haver acidentes ou acasos, nada a que possamos nos referir como simplesmente." - p. 189

"A vida das Vidas que estava nele [Jesus] não odiou menos que nós esse castigo cruel [a morte] - odiou-o ainda mais. Por outro lado, só aquele que perde a própria vida a salvará. Somos batizados na morte de Cristo, e ela é o remédio para a Queda. A Morte, de fato, é o que alguns indivíduos chamam de 'ambivalente'. Ela é a grande arma de Satanás e também a grande arma de Deus. É sagrada e profana. Nossa suprema desgraça e nossa única esperança, aquilo que Cristo veio conquistar e o meio pelo qual Ele efetuou a conquista." - p. 192

"Eles [os milagres] proclamam que Aquele que veio não é apenas um rei, mas o Rei, o Rei da Natureza e nosso Rei." - p. 202

"A mente que exige um Cristianismo sem milagres é aquela que se encontra no processo de rebaixar o Cristianismo a simples 'religião'".  - p. 203

"(...) suspeito que nosso conceito de Céu como um simples estado de espírito relaciona-se com o fato de que a virtude cristã da Esperança enfraqueceu muito em nossos dias. Onde nossos pais , perscrutando o futuro, viram lampejos dourados, vemos apenas a bruma branca, informe, fria e imóvel." - p. 245

"O cristão não deve perguntar se este ou aquele acontecimento ocorreu em resposta a uma oração, mas deve acreditar que todos os eventos, sem exceção, são respostas à oração, no sentido de que, se atendidas ou recusadas, as orações de todos os aflitos, bem como suas necessidades, são todas levadas em consideração por Deus." - p. 274




quarta-feira, setembro 14, 2011

Anotações de "O problema do sofrimento"



C.S. Lewis

Eu fico imensamente feliz de poder colocar essas anotações aqui. Esse livro é fonte de sabedoria para grandes escritores cristãos, e comigo não seria diferente. Se há alguém que foi usado por Deus, e ainda o é, mesmo após sua morte, esse é C.S. Lewis. Pensar que ele diz nesse livro que não pretende falar como um teólogo, rs.


"(...) diante da necessidade de suportar o sofrimento, um pouco de coragem contribui mais que muito conhecimento, um pouco de empatia humana ajuda mais que muita coragem e o mínimo matiz do amor de Deus vale mais que tudo isso." - p. 16

"O espetáculo do Universo, do modo em que é revelado pela experiência, jamais pode ter sido a base da religião: deve sempre ter sido algo a despeito do qual a religião, adquirida de uma fonte diversa, foi mantida." - p. 19,20

"Ou ele [Jesus] foi um lunático delirante, de um tipo abominável que raramente se encontra, ou foi - e é, exatamente o que afirma ser. Não há meio-termo. Se os registros tornam inaceitável a primeira hipótese, devemo-nos submeter à segunda. E, se fizermos isso, tudo o mais que for afirmado pelos cristãos tornar-se-á crível - que esse Homem, depois de ser morto, ainda estava vivo e que Sua morte, de alguma forma incompreensível ao pensamento humano, levou a efeito uma verdadeira mudança em nosso relacionamento com o Senhor 'temível' e 'justo' - uma mudança a nosso favor." - p. 29

"Não se trata de um sistema em que temos de enquadrar o incômodo fato do sofrimento. O Cristianismo é em si um dos fatos incômodos que tem de ser enquadrados em qualquer que sistema que venhamos a criar. Em certo sentido, ele cria, em vez de resolver, o problema do sofrimento, pois este não seria um problema se, aliado à nossa experiência diária neste mundo de dor, não tivéssemos recebido o que julgamos ser uma boa certeza de que a realidade última é justa e amorosa." - p. 29,30

"Que Deus possa modificar e, de fato, por vezes modifique o comportamento da matéria e realize o que chamamos milagre faz parte da fé cristã, mas a própria concepção de um mundo comum e, portanto, estável, requer que essas ocasiões sejam extremamente raras." - p. 41

"Tente excluir a possibilidade de sofrimento implicada pela ordem da natureza e pela existência do livre-arbítrio, e você descobrirá que excluiu a própria vida." - p. 42

"A liberdade de Deus consiste no fato de que nenhuma causa além dele mesmo produz os Seus atos e nenhum obstáculo exterior os estorva, isto é, de que Sua bondade é a raiz da qual todos eles se desenvolvem, e Sua onipotência, o ar em que todos florescem." - p. 43

"(...) se Deus é mais sábio que nós, Seu juízo deve diferir do nosso em muitas coisas e não menos no que diz respeito ao bem e ao mail. O que nos parece bom pode, portanto, não ser bom a Seus olhos, e o que nos parece mau pode não sê-lo." - p. 45

"A 'bondade divina' difere da nossa, mas não é absolutamente diversa: ela difere da nossa não como o branco do preto, mas como o círculo perfeito se distingue da primeira tentativa de uma criança em desenhar uma roda: quando a criança aprender a desenhar, ela saberá que o círculo que agora consegue fazer é justamente aquele que estava tentando reproduzir desde o começo." - p. 47

"Queremos, com efeito, menos um Pai no Céu que um avô no céu - certa benevolência senil que, como se diz, 'gostasse de ver gente jovem usufruindo as coisas' e cujo projeto para o Universo fosse simplesmente que se pudesse dizer sinceramente ao fim de cada dia: 'Todos se divertiram'." - p. 48,49

"Há bondade no Amor, mas um e outro não são sinônimos (...)." - p. 49

"Se Deus é Amor, Ele é, por definição, algo mais do que simples benevolência." - p. 50

"(...) nossa capacidade de pensar é o poder de Deus comunicado a nós." - p. 50

"Da mesma forma, é natural queremos que Deus nos tivesse designado um destino menos glorioso e árduo. Ao fazer isso, não estamos querendo mais amor, e sim menos." - p. 52

"Podemos desejar, de fato, que fôssemos tão pouco estimados por Deus, que ele nos deixasse livres para seguir nossos impulsos naturais, que Ele parasse de tentar nos treinar para levar-nos a ser algo tão diverso de nosso eu natural. No entanto, uma vez mais, não estamos pedindo mais amor, e sim menos." - p. 53

"O Amor pode perdoar todas as fraquezas e assim mesmo amar, a despeito delas, mas não pode deixar de querer que eles sejam eliminados. O Amor é mais sensível que o próprio ódio a cada imperfeição no ser amado." - p. 55

"De todos os poderes, ele [o amor] é o que perdoa mais, porém é o que menos fecha os olhos; ele se satisfaz com pouco, mas exige tudo." - p. 56

"Você pediu um Deus amoroso; agora tem um (...), não uma benevolência senil que preguiçosamente deseja que você seja feliz à sua maneira; não a fria filantropia de um juiz escrupuloso; tampouco os cuidados de um anfitrião que se sente responsável pela comodidade de seus convidados, mas Ele próprio o fogo a consumir-se, o Amor que criou os mundos; pertinaz como o amor do artista por sua obra e despótico como o amor de um homem por seu cão; providente e venerável como o amor de um pai por seus filhos; ciumento , inexorável e exigente como o amor entre os amantes." - p. 56

"O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só permanecerá insolúvel se atribuirmos um sentido corriqueiro à palavra 'amor' e encararmos as coisas como se o homem fosse o centro delas. O homem não é o centro. Deus não existe para o bem do homem. O homem não existe para o próprio bem (...). Não fomos feitos em primeiro lugar para que possamos amar a Deus (embora tenhamos sido criados para isso também), mas para que Deus nos possa amar, para que possamos nos tornar algo em que o amor Divino possa repousar 'plenamente satisfeito'. Pedir que o amor de Deus fique satisfeito conosco como somos é pedir que Deus deixe de ser Deus." - p. 57,58

"Se Ele nos requer, o requerimento é escolha dele. Se o coração imutável pode ser ofendido pelos fantoches de sua criação, é a Onipotência divina, e não outra coisa que assim o subordinou, livremente e numa humildade que ultrapassa a compreensão. Se o mundo não existe principalmente por amor a Deus, mas para que Deus nos ame, esse mesmo fato, no entanto, num nível mais profundo, assim o é para nosso bem. Se Ele, que em Si Mesmo não pode ser carente de coisa alguma, escolhe carecer de nós, é porque necessitamos ser necessários." - p. 61

"Viver o amor de Deus de modo verdadeiro, não ilusório, é portanto vivê-lo na forma de nossa rendição à Sua exigência, nossa conformidade ao Seu desejo." - p. 61,62

"(...) tudo advém dele, incluindo a própria possibilidade de O amarmos (...)." - p. 62

"Quando queremos ser algo além do que Deus quer que sejamos, estamos desejando na verdade aquilo que não nos fará felizes. As exigências divinas que soam aos nossos ouvidos mais como as de um déspota e menos como de alguém que ama nos conduzem aonde deveríamos querer ir, caso soubéssemos o que desejamos." - p. 63

"Ou seja, quer gostemos, quer não, Deus intenta dar-nos aquilo de que necessitamos, não aquilo que ora achamos que queremos. Uma vez mais, vemo-nos desconcertados diante da benevolência intolerável - diante do excesso, não da escassez do amor." - p. 64

"Você não pode ter sinal maior de orgulho crônico que no momento em que se julga bastante humilde." William Law, citado na p. 65

"O Cristianismo hoje tem de anunciar o diagnóstico - em si mesmo, uma notícia muito ruim - antes de conquistar ouvintes dispostos a ouvir sobre a cura." - p. 66

"Entretanto, a menos que o Cristianismo seja inteiramente falso, a percepção de nós mesmos em momentos de vergonha deve ser a única verdadeira." - p. 67

"A culpa é purificada não pelo tempo, mas pelo arrependimento e pelo sangue de Cristo." - p. 71

"Deus pode ser mais que bondade moral: Ele não é menos que isso." - p. 76

"(...) se nossa depravação fosse total, não nos reconheceríamos como depravados e em parte porque a experiência nos mostra muita bondade na natureza humana." - p. 77

"Creio que todos pecamos tanto por desobedecer desnecessariamente à determinação apostólica de 'nos alegrarmos' quanto por qualquer outra coisa. A humildade, depois do primeiro choque, é uma virtude alegre: triste mesmo é o descrente arrogante, que tenta desesperadamente, a despeito das repetidas desilusões, reter sua 'fé na natureza humana'." - p. 78

"O que se aprende por tentativa e erro deve começar com a imperfeição, independentemente do caráter de quem começa." - p. 84

"(...) a simples existência do eu - o mero fato de chamar 'Eu' - inclui, desde o princípio, o perigo da idolatria de si mesmo." - p. 92

"O que o homem perdeu na Queda foi sua natureza original específica (...). Ao organismo como um todo, que fora alçado ao de um ser espiritual, foi concedido decair novamente à condição de simplesmente natural da qual ao ser criado, havia sido elevado (...). Assim, o espírito humano, de senhor da natureza humana passou a ser um simples hóspede em sua própria casa, ou até mesmo um prisioneiro." - p. 93,94

"O que realmente ocorreu foi uma alteração radical de sua constituição [do homem], um distúrbio da relação entre as partes que o compunham e uma perversão interna de uma delas." - p. 95

"Daí a necessidade de morrer diariamente: por mais que julguemos ter destruído aquele 'eu' rebelde, ainda o encontraremos vivo." - p. 104

"E o sofrimento não é só o mal imediatamente reconhecível, mas o mal impossível de se ignorar." - p. 105

"Deus nos sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas brada em nosso sofrimento. O sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo." - p. 105,106

"(...) as coisas mais repulsivas na natureza humana são perversões de características boas e inocentes." - p. 107

"Não resta dúvida de que o sofrimento, na forma de megafone de Deus, é um instrumento terrível, pois pode levar à rebelião definitiva e sem arrependimento. Ele propicia, contudo, a única oportunidade que o homem mau pode ter para se emendar. Ele retira o véu ou finca a bandeira da verdade na fortaleza da alma rebelde." - p. 108

"Se a primeira operação do sofrimento, a inferior, dissipa a fantasia de que está tudo bem, a segunda despedaça a ilusão de que o que temos, independentemente de ser bom ou mau em s mesmo, é nosso e nos basta." - p. 108

"'Temos tudo o que queremos' é uma frase terrível quando 'tudo' não O inclui." - p. 109

"Enquanto o que chamamos 'nossa vida' continuar satisfatório, não o entregaremos a Ele." - p. 109

"é lamentável arriarmos a bandeira e nos render a Deus quando o barco já está afundando. É lamentável dirigirmo-nos a Ele como o último recurso, ofertar 'o que nos pertence' quando isso não é mais digno de ser conservado." - p. 110

"Dificilmente será lisonjeiro para Deus que O escolhamos como alternativa para o Inferno: no entanto, até isso Ele aceita." - p. 110

"Se Deus (...) não nos aceitasse enquanto não chegássemos a Ele impulsionados pelos mais puros e melhores motivos, quem poderia ser salvo?" - p. 111

"Os perigos da aparente auto-suficiência explica por que Nosso Senhor considera os vícios dos fracos e dissolutos de maneira tão mais tolerante que os vícios que levam ao êxito mundano. As prostitutas não correm o risco de achar a vida que têm satisfatória a ponto de não poderem se voltar para Deus. Já o orgulhoso, o avarento e o hipócrita estão correndo perigo." - p. 111

"A vontade de Deus é determinada por Sua sabedoria, a qual sempre percebe,e por Sua bondade, que sempre acolhe, o intrinsecamente bom." - p. 113

"(...) ao obedecer, a criatura racional conscientemente desempenha seu papel de criatura, inverte o ato pelo qual decaímos, executa os passos da dança de Adão ao contrário e faz o caminho de volta." - p. 114

"A vontade humana torna-se verdadeiramente criadora e verdadeiramente nossa quando é inteiramente de Deus, e esse é um dos muitos sentidos pelos quais aquele que perde sua alma a deverá encontrar." - p. 115

"O Cristianismo ensina-nos que a terrível tarefa já foi em certo sentido realizada para nós, que a mão de um mestre segura a nossa enquanto tentamos traçar as letras difíceis e que nosso roteiro precisa ser apenas uma 'cópia', não um original." - p. 117

"(...) o sofrimento não é bom em si mesmo. O que é bom em toda experiência do sofrimento é, para o sofredor, sua submissão à vontade de Deus e, para os espectadores, a compaixão despertada e os atos de clemência a que ela conduz." - p. 126

"Pois com certeza você realizará os propósitos de Deus, independentemente de seus atos, mas para você faz diferença se está servindo como Judas ou como João." - p. 126

"Se você fizer o serviço dele [de Satanás], também deverá estar preparado para receber o respectivo salário." - p. 127

"'O que quero é submeter o que quero à vontade de Deus.'" - p. 129

"Depois de um erro, você precisa não apenas eliminar as causas (...), mas de corrigir o próprio erro." - p. 132

"Se a felicidade de uma criatura está na renúncia de si mesma, ninguém pode fazer essa renúncia, a não ser ela mesma (embora muitos possam ajudá-la a fazer isso), como também ela pode recusar-se a isso." - p. 134

"Entrar no céu é tornar-se mais humano do que jamais se conseguiu ser na Terra; entrar no interno é ser banido da humanidade." - p. 141

"Ser um homem completo significa ter as paixões obedientes à vontade e a vontade ofertada a Deus: ter sido um homem - ser um ex-homem ou um 'fantasma condenado' - presumivelmente significa consistir em uma vontade inteiramente concentrada em seu eu e em paixões totalmente incontroláveis pela vontade." - p. 141

"(...) uma consequência da queda do homem foi que sua animalidade retrocedeu da humanidade a que fora elevada, mas sobre a qual não se podia mais ter domínio." - p. 152

"É seguro dizer aos puros de coração que eles verão a Deus, pois só os puros de coração querem vê-lo" - p. 162

O amor, por definição, busca usufruir aquilo que é objeto de seu amor." - p. 162

"Será que as amizades que duram a vida toda não nascem no momento em que você finalmente encontra outro ser humano que tenha alguma noção (embora tênue e incerta, mesmo no melhor dos casos) daquilo que você nasceu desejando e que, sob o fluxo de outros desejos e em todos os silêncios momentâneos entre as paixões mais estrondosas, noite e dia, ano após ano, da infância até a velhice, você procura, espera e ouve?" - p. 163

"Pois não é a humanidade em teoria que deve ser salva, mas você - o leitor individual, fulano ou beltrano." - p. 165

"Deus, contudo, olhará para cada alma como a seu primeiro amor porque Ele é seu primeiro amor, e seu lugar no céu parecerá ser feito para você, e só para você, porque você foi feito para ele - ponto por ponto, como a luva é feita para a mão." - p. 165

"Às vezes, o cenário do cotidiano parece-nos grande com seus segredos." - p. 166

"Se todos conhecessem a Deus da mesma forma e lhe oferecessem em troca um culto idêntico, a canção da Igreja em triunfo não seria sinfonia, seria como uma orquestra em que todos os instrumentos tocassem a mesma nota." - p. 168

"(...) a alma é apenas um vazio que Deus preenche." - p. 169

"Do mais alto ao mais baixo, o eu existe para que dele se abdique e, por meio dessa abdicação, tornar-se eu de maneira mais verdadeira, para ser, logo em seguida, no entanto, o mais abdicado, e assim eternamente." - p. 170

"O sofrimento propicia uma oportunidade para o heroísmo, e essa oportunidade é aproveitada com frequência surpreendente." - Dr. R. Havard, citado na p. 175


quarta-feira, junho 29, 2011

Anotações de "Oração: cartas a Malcolm"

C.S. Lewis


"Nada torna um amigo ausente tão presente quanto uma discordância." - p. 5

"É como se acreditassem [os clérigos] que as pessoas podem ser seduzidas a ir à igreja por luminosidade, claridade, morosidade, condenações, simplificações e complicações incessantes do culto." - p. 6

"Sapato bom é aquele que passa despercebido no pé. A leitura torna-se prazerosa quando você não pensa mais nos seus olhos, na luz, na letra impressa, na grafia das palavras. O culto perfeito na igreja seria aquele que transcorresse quase de forma imperceptível para nós, porque nossa atenção estaria voltada para Deus." - p. 6

"Se o rebanho se mantiver pacientemente junto, balindo sem cessar, será que, por fim, não conseguirá trazer de volta os pastores?" - p. 8

"O mundo é feito de todo tipo de gente; também uma igreja. Sobretudo a igreja. Se a graça aperfeiçoa a natureza, ela deve expandir todas as nossas naturezas à riqueza absoluta da diversidade que Deus tinha em mente quando os criou. No céu haverá maior diversidade do que no inferno." - p. 13

"[As palavras na oração] são apenas uma âncora, ou melhor dizendo, os movimentos da batuta de um maestro, não a música." - p. 15

"Nenhuma outra criatura é igual a mim; nenhuma outra situação idêntica à minha. Na verdade, eu mesmo e a situação que vivo estamos em constante mutação. Uma fórmula pronta não pode servir à minha relação com Deus" - p. 15

"A crise do momento presente, assim como o poste telegráfico mais próximo, sempre parece maior do que de fato é. Não há o perigo de que nossas necessidades maiores, permanentes objetivos - em geral mais importantes - acabem banidas de nossas orações [justificando as orações "pré-fabricadas"]? - p. 16

"Seria melhor não ter reverência alguma do que cultivar uma reverência que negasse a proximidade." - p. 18

"O ato sexual, quando lícito (...) pode, a exemplo dos demais atos meramente naturais (...), ser realizado para a glória de Deus, e aí então será santo. E como outros atos naturais, às vezes os praticamos dessa maneira, às vezes não." - p. 20

"Creio que 'as coisas belas da natureza' são um segredo que Deus decidiu partilhar conosco [seres humanos] apenas." - p. 24

"(...) o ajoelhar é importante, mas há outras coisas ainda mais importantes. A mente atenta e um corpo sentado são mais úteis à oração do que o corpo ajoelhado e a mente sonolenta." - p. 24

"Pode acontecer de perdermos o nome da pessoa, ou jamais tê-lo sabido, mas nem por isso nos esquecemos do quanto ela precisa de nossas orações." - p. 24

"Imagino que só a atenção divina sustente, da fato, minha existência (ou qualquer outra coisa)." - p. 26

"Temos de apresentar diante dele [de Deus] o que há dentro de nós, não o que deveria haver." - p. 30

"Se pusermos todas as cartas sobre a mesa, Deus nos ajudará a moderar os excessos." - p. 31

"Creio que, às vezes, sentimo-nos desestimulados de pedir coisas pequenas movidos por um sentimento de dignidade própria, em vez de nos fiarmos na dignidade divina." - p. 31

"Essa súplica ["seja feita a tua vontade"], portanto, não significa que eu deva ser mero paciente da vontade divina, mas que devo realizá-la com determinação. Devo ser agente tanto quanto paciente. Estou pedindo para ser capacitado a realizá-la. Em última análise, peço que me seja dada 'a mesma mente de Cristo Jesus'" - p. 34

"Se Deus tivesse atendido a todas as orações tolas que eu fiz na vida, onde eu estaria agora?" - p. 38

"Pode até mesmo se dar o caso de as ações mais genuinamente cristãs de um homem acontecerem fora daquela parte de sua vida que ele considera religiosa." - p. 43

"Às vezes, oro não para que me seja concedido um auto-conhecimento total, mas apenas o suficiente para o momento, o tanto que eu possa suportar e usar em um instante determinado. Minha pequena dose diária." - p. 47

"Há quem se sinta culpado da própria angústia e a interprete como falta de fé. Não concordo de modo algum. Trata-se de aflições, não de pecados." - p. 56

"Nossas orações são ouvidas (...) não apenas antes de a fazermos, mas antes mesmo de existirmos." - p. 64

"Sempre há esperança se mantivermos um problema não resolvido diante de nós; não há nenhuma se fingirmos que ele não existe." - p. 78

"Para a maioria de nós, a oração do Getsêmani é o único modelo que conta. Remover montanhas pode esperar." - p. 79

"Envenenamos o vinho que Ele decanta em nós; assassinamos uma melodia que Ele executa em nós, instrumentos dEle. Fazemos uma autocaricatura do retrato que Ele pinta de nós. Portanto, todo pecado, qualquer que seja ele, é um sacrilégio." - p. 90

"Pela graça, Ele dá às criaturas mais elevadas poder para experimentar Sua vontade (...). As menos elevadas limitam-se a executá-la automaticamente." - p. 96

"Podemos ignorar a presença de Deus, mas não fugir dela em lugar nenhum. O mundo está repleto dEle (...). A verdadeira labuta é lembrar, prestar atenção. Na verdade, despertar. Mais ainda, permanecer desperto." - p. 97

"É da natureza do real que ele tenha arestas pontiagudas e extremidades ásperas, que ele seja resistente, seja ele mesmo." - p. 98

"Nunca conheci ninguém que descresse por completo do Inferno e também mantivesse uma crença viva e inspiradora no Céu." - p. 98

"Intensidade emocional em si mesma não serve como prova alguma de profundidade espiritual (...). Só o próprio Deus pode baixar o balde às profundezas dentro de nós." - p. 106

"Nós - ou pelo menos eu - não devemos ser capazes de adorar a Deus nas ocasiões mais ilustres se não adquirirmos o hábito de fazê-lo nas mais triviais." - p. 116

"A alegria é um assunto levado a sério no Céu." - p. 119

"Enquanto estamos orando, não quando estamos lendo um romance ou resolvendo uma palavra cruzada, qualquer ninharia é suficiente para nos distrair." - p. 143

"Deus, às vezes, parece nos falar com maior intimidade quando nos pega, por assim dizer, desprevenidos. Nossos preparativos para recebê-lo por vezes encontram o resultado oposto." - p. 148

"O primeiro homem que tentasse adivinhar 'o que o público quer' e a partir de então pregasse suas conclusões como cristianismo porque o público assim o desejava seria uma bela mistura de tolo e patife." - p. 151

quarta-feira, junho 22, 2011

Anotações de "Cartas de um diabo a seu aprendiz"

C.S. Lewis

Aqui, vale uma explicação antes de colocar as frases. 
C.S. Lewis, o conhecido autor de "Crônicas de Nárnia" e "Cristianismo Puro e Simples", escreveu esse livro em homenagem a seu amigo J.R.R. Tolkien (isso, o autor de "O Senhor dos Anéis"). Nele, um diabo "mestre", o Fitafuso, ensina ao seu sobrinho, Vermebile, como ser um tentador experiente, ou seja, como levar os humanos para o lado do senhor das trevas. Nesse livro, Deus é tratado como "o inimigo", já que Ele leva as pessoas para perto de si, e atrapalha as tentativas dos tentadores. O diabo é conhecido como "Nosso Pai", pai dos demônios. O ser humano tentado por Vermebile é chamado de "o paciente". Dito isso, seguem as frases:

"Há dois erros semelhantes mas opostos que seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco saudável por eles." - p. IX

"O problema da argumentação é que ela leva a batalha para o campo do Inimigo" - p.2

"Se [os humanos] conseguirem atravessar essa avidez inicial com sucesso, eles se tornarão bem menos dependentes das emoções e, assim, bem mais difíceis de tentar." - p. 9

"Se eu, sendo o que sou, me considero em algum nível um Cristão, por que os defeitos das pessoas sentadas no banco ao lado seriam provas de que a religião delas é pura convenção e hipocrisia?" - p. 9

Dicas de fitafuso para incentivas brigas domésticas:
"1. Faça-o prestar aenção apenas na sua vida interior" - p. 12
"3. Quando dois humanos vivem juntos por muitos anos, é bem comum que cada um tenha um tom de voz ou uma expressão facial que sejam quase insuportáveis para o outro. Aproveite-se disso" - p. 13"

´'É engraçado como os mortais sempre nos imaginam enfiando ideias em suas cabeças, quando, na verdade, somos peritos em deixar coisas de fora" - p. 18

"O modo mais simples [de fazer os humanos falharem na oração] é evitar que olhem para Ele e voltem o olhar para si mesmos" - p. 18

"Onde quer que haja uma prece, existe o perigo de Sua ação imediata" - p. 18

"(...) você deve manter seu paciente sempre rezando para isso - a coisa que ele mesmo criou, não a Pessoa que o criou" - p. 20

"Obviamente, naquele exato momento de horror, de luto ou dor física [que a guerra produz] você poderá capturar a sua presa, quando ela deixar momentaneamente de raciocinar. Mas eu descobri que, mesmo nesse instante, se ele buscar refúgio no Inimigo, quase sempre será atendido" - p. 25

"Nada mais eficaz que o suspense e a ansiedade para proteger a mente de um ser humano contra o Inimigo. Ele quer que os homens se preocupem com o que fazem; nossa tarefa é fazê-los pensar constantemente sobre o que lhes poderá acontecer." - p. 26

"Quando os humanos não acreditam na existência de demônios, não temos mais os agradáveis resultados diretos do terrorismo direto e não podemos 'produzir' nenhum mago" - p. 31

"Todos os extremos, com exceção da devoção extrema ao Inimigo, devem ser encorajados." - p. 33

"Queremos que a Igreja seja pequena, não apenas no sentido de cada vez menos homens conhecerem o Inimigo, mas também no sentido de fazer com que aqueles que O conhecem adquiram uma intensidade inquieta e o farisaísmo definitivo em uma sociedade secreta ou de um grupo fechado." - p. 33

"Nós queremos apenas um gado que finalmente poderá ser transformado em alimento; Ele quer servos que finalmente poderão tornar filhos. Nós queremos sugá-los; Ele quer fortalecê-los. Somos vazios, e por isso queremos ser preenchidos; Ele está repleto e transborda. Nosso objetivo nessa guerra é um mundo no qual o Nosso Pai nas Profundezas possa absorver todos os outros seres nele mesmo; o Inimigo quer um mundo repleto de seres unidos a Ele e ainda assim distintos." - p. 38

"Nunca a nossa causa corre tanto perigo como quando um humano que não deseja mais, mas ainda assim tenciona fazer a vontade de nosso Inimigo, perscruta um universo do qual Ele parece ter desaparecido sem deixar rastro, e pergunta por que foi abandonado, e ainda obedece." - p. 40

"Nunca se esqueça de que, quando lidamos com qualquer prazer, na sua forma normal e gratificante, estamos de certo modo, no campo do Inimigo. Eu sei que já ganhamos várias almas através do prazer. Ainda assim, o prazer é invenção dEle, não nossa. Ele concebeu os prazeres. (...) A fórmula, portanto, resume-se a uma ânsia cada vez maior por um prazer cada vez menor." - p. 43

"Uma religião moderada é tão proveitosa para nós quanto religião nenhuma - e ainda mais divertida." - p. 44

"Enquanto ele [o paciente] adiar o momento de confessar a sua fé, estará numa posição falsa. Ficará em silêncio quando deveria falar, e irá rir quando deveria ficar em silêncio." - p. 47

"Todos os mortais tendem a se transformar naquilo que fingem ser; isto é uma lei básica." - p. 48

"O tamanho dos pecados não importa, desde que seu efeito cumulativo seja o de afastar o homem da Luz e levá-lo para o Nada." - p. 60

"De fato, o caminho mais rápido para o Inferno é aquele que é gradual - um leve declive, um caminho suave, sem curvas abruptas, sem marcações e sem placas." - p. 60

"Quando Ele fala sobre o fato de eles perderem a si mesmos, Ele apenas se refere ao abandono da vontade própria; uma vez alcançado esse abandono, Ele lhes devolve toda a sua personalidade e gaba-se (desconfio que o faça sinceramente) do fato de que, quando eles pertencem totalmente a Ele, serão mais eles mesmos do que nunca." - p. 64

"(...) quando, finalmente, aprenderem a amar o próximo como a si mesmos, terão permissão para amar a si mesmos como a seus próximos." - p. 70

"(...) o presente é o ponto no qual o tempo toca a eternidade." - p. 71

"A gratidão tem os olhos no passado e o amor no presente; o medo, a avareza, a luxúria e a ambição têm os olhos no futuro." - p. 75

"Nenhum fenômeno natural está realmente a nosso favor." - p. 77

"Pois não devemos permitir que os humanos percebam que todos os grandes moralistas são enviados pelo Inimigo - não para informar os homens, mas para relembrá-los, para restabelecer aquelas obviedades morais primordiais, opondo-se ao contínuo obscurecimento que fazemos delas." - p. 116

"Os evangelhos (...) foram escritos não para criar cristãos, e sim para edificar os Cristãos já existentes." - p. 118

"Os longos, inóspitos e monótonos anos da prosperidade ou da adversidade na meia-idade proporcionam um excelente meio para suas ações." - p. 146

"A prosperidade faz com que o homem fique preso ao Mundo. Ele sente que está 'encontrando o seu lugar no mundo', quando na verdade é o mundo que encontra lugar nele." - p. 146, 147

"Quando atacamos a paciência, a castidade ou a bravura, o mais divertido é fazer os homens cederem exatamente quando o fim de sua agonia estava logo ali na esquina (ah, se eles soubessem)." - p. 158

"A fina flor da profanação só pode crescer se for plantada perto do Sagrado. Em nenhum lugar a nossa tentação é tão bem sucedida quanto nos próprios pés do altar." - p. 202

sexta-feira, outubro 01, 2010

Where I belong...

Quatro crianças perdidas na neve

Reis e rainhas a serem descobertos

Diante do desconhecido, o assombro

Um lampião no meio da floresta

Um amigo fauno ou uma feiticeira

Até Papai Noel cruza o caminho

Trazendo palavras de esperança e presentes para a guerra

A antiga profecia a se cumprir

Uma traição perdoada

O sacrifício do Leão renovando as forças

Navios, espadas, aventuras

Inverno dando lugar a uma eterna primavera

Os olhos do Leão dão alegria aos fracos

As palavras do Contrutor da Ponte iluminam o caminho

Nárnia, lugar de luta e descanso

Terra de Aslam

Terra de salvação

Minha casa


Retirado do Little Bit, blog que eu não recomendo - intimo os leitores do TrintaeTrês a lerem. É o melhor blog existente na face da terra (sim, melhor que o TrintaeTres mesmo) #ficadica

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Anotações de "Cristianismo Puro e simples"

"Cristianismo puro e simples" - de C.S. Lewis

Para download, clique aqui



"Não convém exigir uma religião simples. Afinal de contas, as coisas no mundo real são complexas"

"Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha com paternal condescendência, dizer que ele não passa de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la [sobre Jesus Cristo]."

"Se você passar por esse período de morte e penetrar na felicidade mais discreta que o segue, passará a viver num mundo que a todo tempo lhe dará novas emoções. Mas se fizer das emoçoes fortes a sua dieta diária e tentar prolongá-la artificialmente, eles vão se tornar cada vez mais raros até você virar um velho entediado e desiludido para o resto da vida [sobre o casamento e a paixão]."

"O orgulho, porém, sempre significa a inimizade - é a inimizade. E não só inimizade entre os homens, mas também entre os homens e Deus."

"A verdadeira prova de que estamos na presença de Deus é que nos esquecemos completamente de nós mesmos ou então nos vemos como objetos pequenos e sujos. O melhor é esquecer-nos de nós mesmos."

"Não perca tempo perguntando-se se você 'ama' o próximo ou não, aja como se amasse."

"Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes neste aqui."

"A resposta que devemos dar a essas pessoas [irônicos que tentam ridicularizar a esperança cristã do paraíso] é que, se elas não entendem livros que são escritos para adultos, não devem palpitar sobre eles."

"A fé (...) é a arte de se aferrar, apesar da mudanças de humor, àquilo que a razão já aceitou."

"Cristo, por ter sido o único homem que nunca caiu em tentação, é também o único que conhece a tentação em sua plenitude - o mais realista de todos os homens."

"Se o cristianismo não passa de mais um bocado de conselhos, ele não tem importância nenhuma."

"Você está sozinho na companhia dele [Deus] como se fosse o único ser que ele tivesse criado."

"e Deus deu-lhe o livre-arbítrio porque um mundo de meros autômatos não poderia conhecer o amor e, portanto, não poderia tampouco conhecer a felicidade infinita."

"Depois dos primeiros passos na vida cristã, nos damos conta de que tudo o que realmente precisa mudar na alma só pode ser feito por Deus."

"Cristo diz: quero tudo o que é seu. Não quero uma parte do seu tempo, uma parte de seu dinheiro e uma parte do seu trabalho: quero você. Não vim para artomentar o seu ser natural, vim para matá-lo. As meias-medidas não me bastam. Não quero cortar um ramo aqui e outro ali; quero abater a árvore inteira. Não quero raspar, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. Entregue-me todo o ser natural, não só os desejos que lhe parecem maus, mas também os que se afiguram inocentes - o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-lhe-ei a mim mesmo: o que é meu se tornará seu."

"É só quando me volto par Cristo, quando me entrego à personalidade dele, que começo a ter uma verdadeira personalidade minha."

"Quão monótona é a semelhança que iguala todos os tiranos e conquistadores, quão gloriosa é a diferença dos santos!"

"Entregue-se, pois assim você encontrará a si mesmo. Perca a sua vida para salvá-la. Submeta-se à morte, à morte cotidiana de suas ambições e dos seus maiores desejos e, no fim, à morte do seu corpo inteiro: submeta-se a ela com todas as fibras do seu ser, e você encontrará a vida eterna. Não guarde nada para si. Nada que você não deu chegará a ser verdadeiramente seu. Nada que não tiver morrido chegará a ser ressuscitado dos mortos. Se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a raiva e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e, junto com ele, encontrará todas as coisas."

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