domingo, maio 24, 2009
Pelo Deus da verdade
sábado, maio 23, 2009
Ócio
Às vezes nos acostumamos tanto a deixar as coisas como estão que deixamos de fazer coisas que realmente importam e só percebemos isso muito tempo depois.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Anotações de "O pequeno príncipe"
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"É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar."
"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."
"Os vaidosos só ouvem os elogios."
"Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo."
"A gente só conhece bem as coisas que cativou."
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar."
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Anotações de "Cristianismo Puro e simples"
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"Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha com paternal condescendência, dizer que ele não passa de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la [sobre Jesus Cristo]."
"Se você passar por esse período de morte e penetrar na felicidade mais discreta que o segue, passará a viver num mundo que a todo tempo lhe dará novas emoções. Mas se fizer das emoçoes fortes a sua dieta diária e tentar prolongá-la artificialmente, eles vão se tornar cada vez mais raros até você virar um velho entediado e desiludido para o resto da vida [sobre o casamento e a paixão]."
"O orgulho, porém, sempre significa a inimizade - é a inimizade. E não só inimizade entre os homens, mas também entre os homens e Deus."
"A verdadeira prova de que estamos na presença de Deus é que nos esquecemos completamente de nós mesmos ou então nos vemos como objetos pequenos e sujos. O melhor é esquecer-nos de nós mesmos."
"Não perca tempo perguntando-se se você 'ama' o próximo ou não, aja como se amasse."
"Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes neste aqui."
"A resposta que devemos dar a essas pessoas [irônicos que tentam ridicularizar a esperança cristã do paraíso] é que, se elas não entendem livros que são escritos para adultos, não devem palpitar sobre eles."
"A fé (...) é a arte de se aferrar, apesar da mudanças de humor, àquilo que a razão já aceitou."
"Cristo, por ter sido o único homem que nunca caiu em tentação, é também o único que conhece a tentação em sua plenitude - o mais realista de todos os homens."
"Se o cristianismo não passa de mais um bocado de conselhos, ele não tem importância nenhuma."
"Você está sozinho na companhia dele [Deus] como se fosse o único ser que ele tivesse criado."
"e Deus deu-lhe o livre-arbítrio porque um mundo de meros autômatos não poderia conhecer o amor e, portanto, não poderia tampouco conhecer a felicidade infinita."
"Depois dos primeiros passos na vida cristã, nos damos conta de que tudo o que realmente precisa mudar na alma só pode ser feito por Deus."
"Cristo diz: quero tudo o que é seu. Não quero uma parte do seu tempo, uma parte de seu dinheiro e uma parte do seu trabalho: quero você. Não vim para artomentar o seu ser natural, vim para matá-lo. As meias-medidas não me bastam. Não quero cortar um ramo aqui e outro ali; quero abater a árvore inteira. Não quero raspar, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. Entregue-me todo o ser natural, não só os desejos que lhe parecem maus, mas também os que se afiguram inocentes - o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-lhe-ei a mim mesmo: o que é meu se tornará seu."
"É só quando me volto par Cristo, quando me entrego à personalidade dele, que começo a ter uma verdadeira personalidade minha."
"Quão monótona é a semelhança que iguala todos os tiranos e conquistadores, quão gloriosa é a diferença dos santos!"
"Entregue-se, pois assim você encontrará a si mesmo. Perca a sua vida para salvá-la. Submeta-se à morte, à morte cotidiana de suas ambições e dos seus maiores desejos e, no fim, à morte do seu corpo inteiro: submeta-se a ela com todas as fibras do seu ser, e você encontrará a vida eterna. Não guarde nada para si. Nada que você não deu chegará a ser verdadeiramente seu. Nada que não tiver morrido chegará a ser ressuscitado dos mortos. Se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a raiva e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e, junto com ele, encontrará todas as coisas."
domingo, fevereiro 15, 2009
Cadê o tempo??
Credo, que tempo corrido.
Essa semana foi comemorado o aniversário do meu irmão. Ele está fazendo 12 anos. Acho que estou ficando velha.
A festa foi um campeonato de videogame. Aproximadamente 15 meninos participaram do torneio. 8 deles (incluindo, claro, o Jônata) passaram a última noite aqui. Claro que ninguém dormiu direito aqui em casa.
Quando dormi um pouco, fui acordada pelo seguinte diálogo:
A: - Eu nasci aqui.
B: - Não, você nasceu no hospital.
A: - Não, eu nasci na cama do hospital.
Pois é.
Assim que recuperar as noites perdidas por esse aniversário eu volto a escrever direito.
Fiquem com Jesus =)
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Anotações de "A morte da razão"
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"Precisamos reconhecer que no instante em que começamos a alterar a noção bíblica da verdadeira culpa moral, seja por meio da falsificação psicológica, da falsificação genética, da falsificação teológica ou de qualquer outra forma de falsificação, nosso conceito da obra de Jesus não será mais bíblico."
"É possível tomar o sistema que a Bíblia ensina, colocá-lo no mercado das idéias humanas e deixá-lo aí para falar por si mesmo."
"Cada geração da Igreja, em suas circunstâncias particulares, em seu próprio cenário, tem a responsabilidade de comunicar o evangelho de maneira que possa ser entendido, consideradas a linguagem e a forma de pensamento do ambiente ou o período específico em que a comunicação se processa."
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Obrigada Jesus
Hoje me deu vontade de te agradecer Jesus.
Primeiro, obviamente, por algo que eu nunca me canso de agradecer - pela sua morte na cruz, por mim.
Isso foi incrível, magnífico, perfeito. Enfim, não consigo achar adjetivos suficientes para agradecer seu sacrifício. A sua graça é algo totalmente inexplicável. Já cansei de dizer que eu realmente não mereço o que fez e ainda faz por mim. Eu sou tão pecadora e você tão perfeito. Tão humanamente perfeito.
Porque me escolheu? Porque me ama?
Nunca vou saber essa resposta, mas muito obrigada, mesmo.
Não posso esquecer de te agradecer também por me devolver meus sonhos. Ou pelo menos minha vontade de sonhar mais. Por me devolver parte da minha infância que eu nunca queria ter perdido.
De repente consigo não apenas sonhar, mas acreditar que esses sonhos realmente podem se tornar realidade. De maneira mais incrível do que eu jamais poderia sonhar. A sua graça, novamente, me surpreende. Muito obrigada
E me perdoe por ter parado de sonhar por um tempo.
Obrigada por todos aqueles que o Senhor colocou ao meu lado. Minha família, meus amigos, meu namorado. Nunca imaginei ter pessoas tão legais para me acompanhar, mas o Senhor as trouxe para mim. Muito obrigada.
Obrigada pelo ministério Salva-vidas. Enxergo o cristianismo com mais clareza depois dele. E ganhei uma nova família também. Obrigada por poder te servir. Eu não seria digna nem de lavar seus pés, mas você me deu a oportunidade de poder te servir nesse ministério maravilhoso. Não importa onde eu esteja, sempre serei Salva-vidas. Muitíssimo obrigada. O Senhor é totalmente maravilhoso.
Obrigada pela célula, e pelos novos amigos que fiz lá. Novamente mais uma oportunidade para eu te servir. Muito obrigada.
Obrigada por eu ter sido aprovada na faculdade, e por estar continuando, chegando ao final do curso. Eu não seria capaz nem de entrar lá, e o Senhor está me dando forças para terminar. Muito obrigada
Obrigada pelo ar que eu respiro, por mais um dia de vida. Quanto mais íntima eu fico do Senhor, mais eu percebo que sou a pior das pecadoras. Obrigada por me deixar viver dia após dia. E por perdoar meus pecados. Muito obrigada.
Obrigada pelas coisas simples, como dar uma volta e ouvir o som dos pássaros, ver flores bonitas, ouvir a risada do meu irmão, sentir o cheiro da roça eventualmente. Elas tornam meu mundo e minha vida mais feliz. Muito obrigada.
Enfim, muito obrigada por cuidar de cada detalhe da minha vida, e tornar tudo mais que perfeito.
Muito obrigada por ser você Jesus.
Eu te amo
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Anotações de "Ouça o espírito, ouça o mundo"
"Ouça o Espírito Ouça o mundo - como ser um cristão contemporâneo" - De John Stott.
Desde que comecei a ler esse livro, comecei a anotar as frases e trechos que mais me chamavam a atenção. São frases e trechos interessantes, mas por favor, peço que não tentem entender o livro apenas pelas frases. O que esse livro significa para mim ultrapassa em muito o que essas anotações podem significar isoladas.
Isso se tornou um hábito,e em breve posto frases e trechos de outros livros que li. Mas peço que tenham esse mesmo cuidado com todos. Leiam. São bons livros. Eu recomendo.
Onde vocês encontrarem algo citado [assim] é uma inserção minha na frase, apenas para melhor compreensão dela.
Se quiserem comprar cliquem em cima do nome, aqui no texto. Pra quem gosta de ler no computador, é só clicar aqui.
Bem, dito isto, seguem abaixo as frases:
"Com efeito, a principal razão para a Igreja estar perdendo a sua influência no Ocidente é que a sua fé está diminuindo."
"Pelo contrário, somos chamados para preservá-lo [o evangelho dos apóstolos] como mordomos, proclamá-lo como arautos e defendê-lo como advogados."
"O primeiro passo para se resgatar a nossa integridade cristã é o humilde reconhecimento de que a nossa cultura nos cega, ensurdece e dopa."
"Não é de se admirar que quem procura a Realidade geralmente passe por nós [cristãos] sem nem perceber!"
"Todo mundo o encontra [o amor]. Ou as pessoas estão apaixonadas, ou elas estão por se apaixonar, ou tentando se livrar de um amor, ou procurando um meio de evitá-lo." (frase de Woody Allen, citada no livro)
"O amor, o amor muda tudo:
muda mãos e faces, muda terra e céu.
O amor, o amor muda tudo:
como se vive e também como se morre.
O amor faz o verão voar
ou uma noite parecer uma vida inteira.
Sim, o amor, o amor muda tudo;
hoje eu tremo ao escutar seu nome.
Nada no mundo será mais igual
O amor, o amor muda tudo:
os dias são mais longos, palavras sem sentido.
O amor, o amor muda tudo:
a dor é mais profunda do que antes já foi.
É nosso amor que faz girar o mundo
e esse mundo há de durar pra sempre.
O amor, o amor muda tudo,
traz-nos glória enos traz vergonha.
Nada no mundo será mais igual"
(música de Andrew Webber, citada no livro)
"Necessitamos mais fidelidade à Escritura e mais sensibilidade para com as pessoas. Não um sem o outro, mas ambos."
"Já que a palavra é a espada do Espírito, alguma coisa tem que estar errada quando se enfatiza um em detrimento do outro."
"Esse é o relacionamento multifacético da Igreja com o mundo: viver nele, não pertencendo a ele, odiada por ele e enviada a ele."
"Se nós nos retirarmos do mundo, a missão se fará obviamente impossível, já que perdemos contato com ele. Da mesma forma, se nos amoldarmos ao mundo, será impossível fazer missão, já que perdemos o nosso limite."
"Somente o fato de preocupar-se com as ovelhas e de se importar profundamente com o bem-estar do povo a quel ele serve é que leva um bom pastor a buscar graça e coragem para enfrentar os desvios na Igreja."
"A marca essencial da liderança cristã é a humildade, não a autoridade; serviço e não senhorio; e também a mansidão e benignidade de Cristo."
"A Igreja recebeu de Deus a responsabilidade de infiltrar-se no mundo, escutando de fato os desafios do mundo, mas também trazendo para o mundo os seus próprios desafios, compartilhando com ele as boas novas em palavra e em ação."
"Nada é mais importante para a redescoberta da missão da Igreja (onde ela se perdeu) ou para o seu desenvolvimento (onde ela está enfraquecida) do que uma visão renovada, clara e abrangente a respeito de Jesus Cristo."
"[A missão] Exige identificação sem perda de identidade."
"Estamos realmente dispostos, se necessário, a morrer com Cristo para a popularidade e a promoção, para o conforto e o sucesso, para o nosso entranhado senso de superioridade pessoal e cultural, para a nossa egoísta ambição de ser ricos, famosos e poderosos?"
"Rejeitamos, pois, tanto o ceticismo que nega os milagres, como a arrogância que os exige, tanto a timidez que se afasta da plenitude do Espírito como o triunfalismo que nega a fraqueza em que se aperfeiçoa o poder de Cristo."
sexta-feira, janeiro 23, 2009
São Paulo é 17º melhor clube do mundo pela IFFHS
O São Paulo apareceu em 17º lugar na relação dos melhores clubes de todos os tempos elaborada pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS).
A lista, encabeçada pelo Barcelona, considera resultados obtidos entre janeiro de 1991 e dezembro de 2008.
O atual tricampeão brasileiro soma 367 pontos, empatado com o Valencia, da Espanha.
O Barça é o líder, com 757 pontos, seguido pelo Manchester United, atual campeão europeu e mundial.
A terceira posição ficou com a Juventus, seguida por Milan e Real Madrid.
O Chelsea de Luiz Felipe Scolari, vice-campeão europeu, é o décimo.
Entre os outros brasileiros, o Grêmio aparece em 33º, com 233 pontos. Já o Cruzeiro é o 36º, com 221.
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Estou procurando um emprego, em breve voltarei a postar com mais frequência no blog.
Fiquem com Jesus =)
segunda-feira, janeiro 12, 2009
O diário de Lot - os esquecidos (Parte 2)
"Todo trabalho árduo traz proveito, mas o só falar leva a pobreza"
Conversando com Vitor, percebi que toda aquela família me chamava a atenção. Como já estava ficando tarde, fui embora para casa.
No dia seguinte, o pequeno Pedro veio falar comigo na lanchonete. Naquele dia, esperei ele chegar, para poder ele mesmo escolher o lanche que queria.
P: Posso comprar o que eu quiser?
L: Claro! Pode escolher.
P: Mas tem que ser do mesmo preço do que você compra né?
L: Não, pode escolher o que você quiser.
Os olhos dele brilharam, de uma forma que nunca eu tinha visto brilhar antes.
P: Eu quero um cheeseburguer com um refrigerante. Posso comprar bala?
L: Claro!
P: Posso comprar para os meus irmãos?
L: Fique a vontade.
P: Porque você é tão bonzinho com a gente Lot?
L: Não sei, na verdade, eu conheço um segredo, que faz a gente virar bonzinho.
P: Mas você é bonzinho sem ser chato. Me conta esse segredo?
L: Claro. Vamos fazer assim, amanhã, você e toda a sua família vão almoçar lá na minha casa, eu venho buscar vocês aqui. E daí eu conto o segredo pode ser?
P: Eu vou almoçar na sua casa???
L: Você não quer?
P: Quero, muito! Mas é que ninguém nunca me chamou pra almoçar antes. Ei Lot!
L: Oi Pedrinho.
P: Obrigado.
L: Que isso, não precis...
P: Obrigado por fazer eu virar criança de novo.
Não consegui responder, mas o fato é que naquele momento o Pedro era realmente o Pedrinho, uma criança, que teve um dia legal. Então, tive uma idéia, mas não sabia se seria possível concretizá-la.
Ao chegar em casa, conversei com minha mãe sobre tudo que tinha acontecido, e ela sorriu para mim. Ela disse que iria fazer um almoço muito especial, e foi as compras.
No dia seguinte, quando fui encontrar com Pedrinho e sua família, encontrei seis pessoas vestidas com a melhor roupa possível, mas bastante apreensivos.
L: Podem ficar calmos, minha mãe é legal.
Todos riram e pegamos o ônibus que ia para minha casa. Chegando lá, deixei Pedrinho e os outros irmãos pequenos brincando com meu videogame, enquanto conversava com dona Joana e Vitor.
L: Sabe, ontem o Pedrinho me perguntou porque eu era tão bonzinho para ele, e eu disse que ia contar um segredo para ele, e vou fazê-lo agora na hora do almoço, vou contar pra todos vocês.
V: Então não é segredo.
L: É um segredo por ser muito valioso, mas vocês não precisam esconder de ninguém.
Minha mãe chamou avisando que o almoço estava pronto. Quando todos viram a comida, com um grande pernil que minha mãe tinha feito, ficaram paralisados. Pedro foi o primeiro a dizer alguma coisa.
P: Muito obrigada vocês dois. A gente não tem mesmo como agradecer, mas Alguém vai recompensar vocês.
L: Quem vai nos recompensar Pedrinho?
P: Aquele que te contou esse segredo que você vai contar pra gente.
L: Você sabe qual é o segredo?
P: Claro que sei. Dá pra ver nos seus olhos, que você conhece o Autor da mensagem.
L: Você conhece a mensagem?
P: Claro que conheço! É por causa dela que mamãe aprendeu a ler e escrever e começou a gostar de ler, e fez a gente gostar também. E é pelo Autor que nós temos o que comer todo dia em casa, mesmo que seja bem pouquinho, e é por Ele que eu te conheci, e também por isso que meu irmão tem um trabalho. E eu vou voltar pra escola, e meus irmãos nunca vão sair. Ele é muito bom pra nós.
O silêncio pairou na sala. Lágrimas desceram dos meus olhos e quando reparei, também desciam dos olhos da minha mãe, da mãe de Pedro, e dos irmãos mais velhos. Dona Joana disse.
J: Eu realmente não sabia que era sobre isso que iria falar, mas sabe, no natal eu tinha dinheiro para comprar um frango assado, mas eu perdi esse dinheiro. Fiquei muito triste por saber que meus filhos não teriam presentes. Até que ganhamos alguma coisa, porque todo ano a comunidade que fica perto da favela faz alguma coisa para dar para as crianças, e nos dá cesta básica e roupas, mas é só no natal que eles fazem isso, e ganhamos muitas roupas estragadas esse ano. O resto do ano as pessoas se esquecem de nós. Foi quando conheci a mensagem que resolvi não ligar para essas coisas e, no último natal não foi diferente. Quando fui dar boa noite para os meninos, ouvi Pedro pedindo pro Autor que Ele cuidasse de sua família, e que ele pudesse ser criança por pelo menos um dia. Você fez tudo isso por nós, muito obrigado Lot
L: Eu...não consigo dizer nada. É pela mensagem que eu vivo, e, é por ela que eu fiz tudo. Vocês só tem que agradecer ao Autor.
V: Nós agradecemos, desde o dia que o Pedro te conheceu, pela sua vida.
Nos abraçamos e eu prossegui.
L: Bem, quando conheci a casa de vocês, eu tive uma idéia. Como vocês disseram, a maioria das pessoas onde vocês vivem é diferente de vocês. Vamos fazer uma coisa, montar uma biblioteca lá dentro, e quem sabe até montar um centro de educação profissional.
P: É uma boa idéia Lot, mas onde vamos conseguir dinheiro para isso?
L: Nós vamos conseguir. Acredito que não conseguiremos atingir todos, e nem todos querem ser atingidos mesmo. Mas se não fizermos nada, estaremos desperdiçando tudo isso que vocês tem. Dona Joana pode ser a bibliotecária. E o Vitor, que já trabalha, pode ensinar alguma coisa para quem quiser lá.
V: Mas eu nem sei nada.
P: Você sabe tocar violão.
V: Mas isso não é educação profissional.
L: Ótimo, vamos ter uma escola de música também. E quem sabe se vocês não tem um artista no meio de vocês? Vitor, você procure seus amigos que sabem tocar, e monte a escola. Dona Joana, procure doadores de livros, eu te indico alguns lugares. Pedro, você vai me ajudar a construir um centro de ajuda, onde vão funcionar as classes de educação profissional.
Esse projeto levou vários meses para ficar pronto, mas a comunidade onde Pedrinho morava aprovou. Claro que nem todos participaram, e claro que o tráfico, as crianças doentes e vários problemas continuaram. Mas saíram de lá muitos jovens com qualificação para o mercado de trabalho, alguns músicos, e a biblioteca fez sucesso, principalmente entre as crianças amigas de Pedro.
Com o tempo, algumas famílias foram selecionadas, para ganharem cestas básicas, e cerca de cinco famílias conseguiram se mudar para um lugar melhor, por meio de muito trabalho.A família de Pedro foi uma dessas. Ele voltou para a escola, e sempre era o melhor da classe. Vitor tentou o vestibular duas vezes, e na terceira conseguiu ser aprovado. Dona Joana estava muito contente como bibliotecária do projeto. Os outros filhos dela também se desenvolviam muito bem. As famílias contempladas com as cestas tinham que estar com as crianças na escola e com o tempo, deveriam passar esse benefício para outra família, porque não precisariam mais. A mensagem se espalhou por muitos locais da comunidade.
Eu sabia que não podia atingir o mundo todo, mas de alguma forma tinha conseguido atingir algumas pessoas, por misericórdia do Autor. Eu sabia, que, por mais que a sociedade se esquecesse de famílias como a de Pedro, Ele nunca se esqueceria. Afinal, apesar de tudo que eu tinha sido e era, Ele não tinha se esquecido de mim.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
O diário de Lot - os esquecidos
"Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos"
Logo após o incidente com Mara, eu passei por uma situação bem diferente de qualquer outra que eu já tivesse passado antes.
Um garoto, de uns dez ou onze anos, veio me pedir dinheiro para comprar um lanche, enquanto eu estava no intervalo da faculdade. Se fosse um dia comum, eu agiria de uma de duas formas: ou eu compraria um lanche para o garoto, ou eu diria que não podia ajudá-lo naquele momento, e inventaria uma desculpa qualquer. Mas aquele não era um dia comum. Eu comprei um lanche para o garoto, e o chamei para se assentar comigo. No início ele ficou um pouco receoso, mas acabou sentando. Ele será chamado de Pedro.
L: E então garoto, o pão de queijo está gostoso?
P: Está sim, muito gostoso.
L: Você está aqui tem muito tempo?
P: Eu venho todo dia aqui.
L: Não, não, quis dizer se hoje, você já está aqui desde cedo?
P: Ah, ah, chego sempre cedo, umas oito horas, pra conseguir moedas suficientes para lanchar.
L: Já que paguei o lanche hoje, o que vai fazer com esse dinheiro que conseguiu até agora?
P: Vou comprar pão e levar pra casa, mas não consegui muito não.
L: Mas já é de tarde, não conseguiu muito?
P: Não, quando eu era mais novinho conseguia mais, mas agora as pessoas acham que eu sou ladrão, ou que vou usar o dinheiro pra outras coisas.
L: O que você acha de as pessoas acharem isso de você?
P: Ah, já estou acostumado, até porque, a maioria dos garotos que eu conheço faz isso mesmo, sai pra rua pra pedir dinheiro e, ao invés de usar pra alguma coisa, usam pra comprar drogas, pra comprar bebidas, pra fazer muitas coisas erradas.
L: Você tem irmãos?
P: Vivo tenho quatro.
L: Tinha quantos?
P: Tinha seis, mas um morreu quando era pequeno, de pneumonia, e o mais velho morreu porque estava devendo o traficante do morro.
L: Onde você mora?
P: Nessa favela que tem aqui perto, mais afastada do centro. Olha moço, o lanche estava muito bom, mas a tarde ainda não acabou, preciso ver se consigo mais dinheiro.
L: Ok, qual é o seu nome?
P: Pedro
L: Pedro, volte aqui amanhã nesse mesmo horário, que eu quero continuar conversando com você, eu te pago um lanche e compro alguns pães, pra você não "perder" tempo comigo a toa.
P: Tudo bem, muito obrigado moço.
L: Por nada.
O que tinha me chamado a atenção naquele garoto, que nunca me chamou atenção em nenhum outro eu não sei, mas no dia seguinte nem cheguei a dizer para meus amigos da faculdade aonde ia, apenas corri para o supermercado mais próximo e comprei algumas coisas para Pedro, em seguida fui a lanchonete, pedi meu lanche, e me assentei exatamente no mesmo lugar que tinha assentado no dia anterior. Alguns minutos depois Pedro chegou.
P: Você veio mesmo, achei que era mentira.
L: Claro que vim, eu disse que viria, pode acreditar quando eu disser.
P: É, desculpa, é que as pessoas costumam prometer algumas coisas e nunca cumprem.
L: Você é um garoto bem esperto para sua idade.
P: Já me disseram isso antes.
L: Você estuda?
P: Até ano retrasado estudei, mas devo voltar esse ano, porque minha mãe precisa do bolsa escola.
L: Você gosta de estudar?
P: Gosto bastante, mas é difícil quando a gente é pobre. Minha mãe sempre diz que o que é mais difícil é o que a gente tem que lutar mais pra conseguir, quando a gente sabe que é a coisa certa pra nós.
L: Sua mãe é uma pessoa bem sábia.
P: Não, ela só aprendeu a ler, mas lá perto da favela tem uma biblioteca pública, e ela pega uns livros lá pra ler, ela gosta de ler muito.
L: Você gosta também?
P: Muito. A gente fica competindo quem lê mais livros. O meu irmão de 16 anos trabalha perto de uma banca, e as vezes traz umas revistas que o moço da banca diz que estão estragadas e dá pra ele. O outro, de 13, tem um amigo na escola que empresta uns livros legais pra ele. A minha irmã, que tem 8, gosta de histórias em quadrinhos, e o mais novo, de 5, ainda não sabe ler, mas acho que vai gostar também quando crescer.
L: Você tem uma família bem legal, queria poder conhecê-los algum dia.
P: Uai, se você quiser, eu falo com minha mãe hoje e você vai lá amanhã, quando puder ir.
L: Sério?
P: Sério. Vou falar com ela.
L: Fala mesmo.
P: Vou falar, tenho que ir agora.
L: Tudo bem, mas antes, trouxe os pães que disse que iria trazer, e mais algumas coisas que podem ajudar vocês.
No dia seguinte lanchei de novo com Pedro, e tivemos mais um tempo de agradável conversa. Combinei de encontrar com ele na lanchonete logo que minhas aulas do dia acabassem e assim foi. Andamos cerca de 30 minutos e chegamos a favela onde Pedro morava, era a terceira casa de baixo para cima. Tinha cozinha, banheiro e um cômodo dividido em dois por uma espécie de cortina, formando, assim, dois quartos. Cada um com uma cama de casal. Pedro me explicou que no quarto onde tinha uma televisão antiga era o quarto da mãe dele, mas dormiam naquela cama ela, o irmão de 5, a irmã de 8 e no outro quarto, que era o dos filhos, dormiam o irmão de 13 e o de 16. Ele mesmo dormia cada dia em uma cama, mas na maioria dos dias dormia no quarto dos filhos.
Fui muito bem recebido pela família, e tivemos uma longa conversa até o irmão mais velho de Pedro chegar. Então a mãe de Pedro insistiu em fazer um lanche para mim, e eu aceitei. Com as bolsas família e escola que a família recebia, mais o pequeno salário do filho mais velho, a família recebia menos de três salários mínimos. Depois, quando os mais novos dormiram, incluindo Pedro e o irmão de 13, tive uma conversa mais séria com a mãe de Pedro e o irmão mais velho dele, os quais chamarei de Joana e Vitor.
L: Que situação difícil a que vocês vivem né?
V e J: Bastante.
J: Mas a gente não se deixa abalar por isso não. O pai desses meninos me deixou quando o mais novo nasceu, porque disse que não aguentava mais menino pra criar. Alguns meses depois o meu filho, que tinha 2 anos na época ficou doente, parecia gripe. Como não sarava levei ele pro hospital mais perto, e me disseram que era gripe mesmo, pra eu não preocupar. O mais velho, que na época tinha 17, me deu um dinheiro pra eu pagar uma consulta particular, mas era dinheiro de droga, eu não quis. Ele pegou o menino e levou ele pra consulta, onde descobriram que era uma pneumonia grave, e a médica mandou internar no hospital universitário que tem aqui perto. Ele ficou internado uma semana, mas já tinha avançado muito, e ele não resistiu. Um ano depois esse meu filho mais velho se envolveu numa briga de traficantes, e acabou morrendo. Os traficantes não morreram nenhum, a polícia nem teve coragem de entrar aqui, porque sabia que ia morrer também. Eu não estou contando isso pra você ter dó da gente não, mas desde aquele dia, eu mudei de vida. Eu poderia ter ficado em depressão, mas isso é doença de rico, pobre não pode ter isso não, senão morre de fome. Eu comecei a trabalhar de doméstica e aprendi a ler e escrever. Comecei a pegar uns livros na biblioteca e comecei a gostar muito de ler mesmo. Um dia, lendo um livro famoso, a filha da patroa me viu com o livro e falou que tinha roubado dela. A patroa não quis nem ver se era verdade, me mandou embora e me denunciou pra polícia. Quando cheguei lá o policial viu o selo da biblioteca e me liberou com uma advertência. Por causa dessa advertência nunca mais consegui emprego, e quando as pessoas esqueceram dela, eu já era muito velha pra poderem me contratar. Então o Vitor começou a trabalhar num programa da prefeitura e o Pedro começou a pedir dinheiro na rua. Tirando o pequeno, os outros também fazem isso. No fim do dia dá pra comprar uns pães, manteiga, arroz, feijão, e tem alguns meses que dá pra comprar carne. Mas esses meninos vão estudar todos, e vão ter um futuro melhor, eu tenho certeza. E eu falo demais né meu filho, você deve ter cansado.
L: Na verdade, eu achei fantástica a sua história, você dá para os seus filhos a certeza de um futuro melhor dando estudo pra eles.
V: Com certeza, o Pedro mesmo, um dia vai ser doutor e minha mãe vai ficar muito feliz. Mas essa não é a história da maioria do povo aqui não moço.
L: É, infelizmente não. E pode me chamar de Lot.
V: Nome diferente, mas tudo bem, Lot.
Continua...
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Graça
"Aleluia!
Darei graças ao Senhor de todo o coração na reunião da congregação dos justos.
Grandes são as obras do Senhor; nelas meditam todos os que as apreciam.
Os seus feitos manifestam majestade e esplendor, e a sua justiça dura para sempre
Ele fez proclamar as suas maravilhas; o Senhor é misericordioso e compassivo.
(...)
As obras das suas mãos são fiéis e justas; todos os seus preceitos merecem confiança.
Estão firmes para sempre, estabelecidos com fidelidade e retidão.
Ele trouxe redenção ao seu povo e firmou a sua aliança para sempre.
Santo e temível é o seu nome"
- Salmos 111:1-4, 7-9
Falar sobre a graça de Deus é algo extremamente arriscado, porque nunca conseguiremos descrevê-la plenamente com nosso limitado vocabulário humano.
Mas ao fazer minha tradicional retrospectiva esse ano, nenhuma outra palavra ou idéia me veio a mente além dessa: graça.
Como pode um Deus perfeito se tornar humano, passar por diversas dificuldades e, totalmente inocente, ser submetido a um dos piores (senão o pior) instrumentos de tortura da época e morrer, e carregar todos os meus pecados e do mundo inteiro, apenas para ter o "prazer" de ter uma pecadora como eu ao lado dele? Alguém que o decepciona dia após dia e Ele ainda assim fez tudo isso por mim?
Como eu pude ter a satisfação de ter feito mais por Ele esse ano do que fiz no ano passado? Mesmo sabendo que há tantas pessoas melhores que eu, porque Ele me escolheu para desempenhar as funções que comecei a desempenhar? Como consegui fazer alguma coisa no congresso Loucos por Jesus 2008, como posso ser considerada digna de ser serva dEle, amiga dEle, filha dEle?
Como consegui cuidar da minha família, com meu herói doente?
Como consegui vencer mais dois semestres na faculdade, apesar de saber que podia ter feito muito melhor, como? Como explicar conseguir uma vaga no projeto que queria, apesar de tudo?
Como explicar amizades que se fortaleceram e novas que surgiram, mesmo sem eu dar a assistência devida a todas elas?
Como consegui ter um namorado perfeito, quando eu menos esperava? O cara que me surpreende todos os dias e que supera todas as minhas expectativas, mesmo eu não estando no melhor momento da vida para fazê-lo feliz da mesma maneira que ele me faz?
Não me entendam mal, não quero parecer melancólica. É que cada vez que paro para pensar na graça de Deus me sinto constrangida, por saber que eu não mereço nada disso, mas Ele cuida de cada detalhe da minha vida.
Se eu consegui produzir coisas boas no meu ministério, é porque Ele me capacitou para isso.
Se eu consegui cuidar da minha família o melhor que pude, foi porque Ele me deu forças.
Se eu consegui terminar esse ano na faculdade, foi por misericórdia dEle.
Se eu tenho ao meu lado o cara que é mais do que eu poderia sonhar, é porque o amor dEle por mim é infinito.
Se os meus pecados são perdoados a cada vez que me arrependo, e se eu vou viver para sempre ao lado dEle, vendo-o face a face, é porque Ele é um Deus de graça.
Como disse no início, não ouso definir o que é a graça de Deus, mas essas foram algumas manifestações dela em minha vida, esse ano.
Obrigada Jesus, pelo ano de 2008
E que em 2009 eu possa fazer muito mais para o Senhor do que eu fiz esse ano.
Te amo
Dani
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Maternidade
Eu não sou mãe ainda, mas imagino o quanto deve ser maravilhoso.
Por nove meses você sonha com o momento do nascimento, e se alegra por um ser humano estar se desenvolvendo dentro de você. Então chega o desejado momento. Aquele pequeno ser está ali, no seu colo, e é completamente dependente de você.
Os primeiros dentes nascem, os primeiros passos são dados, as primeiras palavras são ditas. Você vibra com cada um desses acontecimentos.
Ele(a) aprende a ler, a fazer contas, a escrever. No dia das mães você ganha um cartão da escola com a letra dele (a) escrito: "Mamãe, eu te amo!". Lágrimas enchem seus olhos.
O escuro, uma chuva forte, e ele(a) diz: "mamãe, estou com medo". E você diz: "Está tudo bem, mamãe está aqui ao seu lado".
O primeiro fora de um garoto (a). Você consola: "ele/ela não sabe o que está perdendo, Deus vai te dar alguém bem melhor".
Claro que há vasos quebrados, notas ruins na escola e respostas mal-criadas em meio a tudo isso, mas quem se importa? Você não consegue deixar de olhar para aquela criaturinha sem ver o quanto você o ama. Não porque ele (a) fez algo legal, ou porque te conquistou, você simplesmente ama.
Vestibular, formatura, casamento. Cada nova conquista é celebrada. (Talvez mais até do que quando foram suas próprias conquistas).
Um dia espero ter esse prazer em minha vida, mas hoje queria dizer para minha mãe:
Obrigada por tudo, por sempre estar ao meu lado, por chorar e rir comigo...ou simplesmente obrigada, por ser minha mãe.
Parabéns pelo seu aniversário!
Que Deus te abençoe cada vez mais e que Jesus a faça sorrir a cada dia.
Te amo!!
Dani
terça-feira, dezembro 16, 2008
Diario de Lot - O Silêncio
Todo ínicio na Mensagem, muitas vezes é tranqüilo, cercado das bençãos de Deus e de sua proteção, como um filho que acaba de nascer, Ele te cerca de cuidados, te alimenta, está presente sempre que você precisar, cuida de você até ver que já te é possível dar alguns passos sozinho.
Ainda nesse momento, Ele esta perto, te dizendo coisas que você pode fazer e te instruindo em alguns cuidados, pra que você não caia. Os primeiros passos sozinhos na Mensagem, costumam ser tranquilos, você está como uma criança que aprende a andar de bicicleta, mas tem as rodinhas pra te amparar e sabe que seu Pai, também está olhando você e perto pra quando você precisar.
Mas chega um período em que você já consegue andar sozinho, sem ajuda de ninguém, sem as pessoas precisarem ficar te olhando, na sua bicicleta você anda sem precisar de rodinhas e de que seu Pai te ampare. É nesse período que acontecem muitas coisas que determinam seu caminhar na Mensagem ou a desistência do Caminho.
Essa história é de um dos muitos períodos que passei e ainda passo, semelhantes a esse caminhar sozinho.
Era uma semana corrida, muitos trabalhos de faculdade, final de semestre é uma correria que quem faz curso superior entende. Além disso tinha que conciliar o tempo, pra que pudesse fazer as coisas pertencentes a Mensagem, eu estava ficando esgotado, a dias parecia não saber mais o que Deus queria, problemas começavam a surgir de onde eu menos esperava, amigos tentavam ajudar, mas cada dia parecia escurecer um pouco mais.
Quando parava pra orar e pedir orientação de Deus, não ouvia nada da parte Dele, era um silêncio constrangedor, como seu eu estivesse numa sala a prova de som e Ele não pudesse me ouvir clamar, eu ia me enfraquecendo dia após dia.
Quando comecei a entender a Mensagem, era como se eu tivesse Asas, eu voava livremente e contava para as pessoas a sensação desse vôo livre, mas com o tempo, comecei a voar cada vez mais baixo, depois era como se eu só conseguisse andar, mas ainda me sentia livre, corria por imensas distâncias sem me cansar, e continuava na propagação da Mensagem, mais um tempo e eu já não conseguia correr, somente andar e ficando cada vez mais fraco, agora eu só consigo rastejar.
Falar da Mensagem? Naqueles dias eu mal conseguia acreditar o suficiente para mim, quanto mais falar dela para outros, comecei a duvidar de Ela era Real, aqueles que tentam crescer na Fé, se sentem nesse período como Icaro, ao tentar voar alto demais na mensagem, caímos rápida e miseravelmente na terra.
Eu lutei muito contra minhas próprias dúvidas nesse tempo, o Silêncio de Deus, foi uma das coisas mais pertubadoras pra mim, não o conhecia até aqueles dias e não sabia ainda como lidar com Ele. Eu ainda não sabia que podia jogar em Deus meu sofrimento, dor e indignação, nessas horas me vinha a mente apenas o Jeová do Antigo Testamento, não o Jesus do Novo, ou seja, eu esperava castigo e punição por meus erros, e não um abraço e compreensão de um Pai de Amor.
Hoje me volto para aquele período com Alegria, aprendi mais da Mensagem nele do que em qualquer outro período da minha vida, ainda hoje passo por momentos assim, na verdade aprendi que eles sempre acontecerão, enquanto eu estiver aqui, mas neles eu aprendo que quando não posso mais caminhar, quando estou fraco e rastejando, é nesse período que Deus usa a força Dele, e me pega no colo e caminha no meu lugar, é nesse tempo que experimento o que é realmente estar na vontade de Deus.
Bom, como passei por aqueles dias? Bem, Deus continuou em silêncio, continuei sem saber o que fazer direito, então fiz a única coisa que podia fazer sabendo ser o certo, continuei no Caminho, rastejando sim, sentindo dor, com sede, com fome, mas ainda em frente e hoje sei que essa é a única opção para mim, alguns nesse período apostatam da Fé, acho que fazem isso por não compreenderam a Verdadeira Mensagem, aquela que te ensina a carregar a Cruz, passar pelo Gólgota, e que te leva a dizer: Pai, se possível afasta de mim esse cálice, mas que não seja feita a minha vontade e sim a Tua.
Pra terminar, lembre-se apenas dessas pequenas coisas:
- O choro pode durar uma noite(e não importa quão longa ela seja), mas a Alegria vem pela manhã;
- A noite é mais escura, antes do amanhecer e as coisas sempre pioram antes de melhorarem;
- E quando você não tiver mais motivos pra sorrir, diga assim:
"Porque estás tão triste ó minha alma?, porque estás tão abatida dentro de mim? Espere no Senhor, pois eu ainda O louvarei."
E espere, não vai ser fácil, vai doer no mais profundo da sua alma, mas vai valer a pena, acredite em mim, eu sei, eu já vivi isso.
Graça e Paz a todos.
quinta-feira, novembro 13, 2008
JESUS ROCKS
"E assim os fariseus disseram uns aos outros: 'Não conseguimos nada. Olhem como o mundo todo vai atrás dele!'" - João 12:19
Não acredito que os fariseus vão deixar de existir. Pessoas que distorcem a fé cristã, que ficam presas a legalismos idiotas, sempre vão estar por aí, faz parte da humanidade. Assim como nós só seremos perfeitos na eternidade, os fariseus só não vão estar presente lá também.
Em toda a história, fariseus tentaram destruir o cristianismo. Na época de Jesus, eles o perseguiram, na época dos apóstolos, eram os perseguidores de cristãos. Na inquisição, muitos inocentes foram acusados de bruxaria. Hoje em dia, alguns insistem em se apegar a detalhes e rituais que passam longe do evangelho.
Eu já escrevi alguns textos sobre fariseus aqui no blog. Acredito que o farisaísmo é a pior praga dentro da Igreja, mas como disse, não tenho esperanças de que ele vá acabar. Acredito que a Igreja tem que continuar combatendo esse tipo de coisa, e que os cristãos devem ser verdadeiros cristãos e não fariseus, e acredito que as pessoas podem mudar (não sozinhas, mas quando conhecem Jesus), mas ainda insisto que os fariseus não vão simplesmente desaparecer.
A melhor notícia de todas é que, mesmo que eles tentem destruir o cristianismo, mesmo que eles passem falsas imagens do que é ser cristão, ainda que muitas pessoas se enganem por causa deles, ainda assim, no final os ouviremos dizer: "Não conseguimos nada. Olhem como o mundo todo vai atrás dele!"
A verdadeira mensagem de Jesus sempre será espalhada, e por mais que os fariseus tentem, nunca conseguirão impedir que pessoas do mundo todo vejam a luz de Jesus refletindo sobre as trevas do mundo, e seguindo o Seu caminho.
JESUS ROCKS \o/
Fiquem com Ele =)
segunda-feira, novembro 03, 2008
O diário de Lot - A difamadora da mensagem
"Os homens maus não entendem a justiça"
Desde que conheci Frederico busquei estudar cada vez mais os fundamentos da mensagem, além de exercer mais minha paciência.
Certo dia estava indo para a faculdade quando notei que uma moça vestia uma blusa com algo sobre a mensagem. Resolvi comentar:
L: Gostei da sua blusa, onde comprou?
Mara disse:
M: Eu...peguei emprestado de uma amiga.
L: Ah. Você acredita na mensagem?
M: Acredito sim, você também?
L: Acredito e vivo por ela.
M: Eu também. Nós podíamos conversar sobre ela qualquer dia desses, o que acha?
L: Por mim está ótimo. Eu estudo aqui, se você quiser, podemos conversar depois das 17hs.
M: Ótimo! Até mais tarde.
Depois de um longo e cansativo dia de aula, fui para o local que havia combinado com Mara, e lá estava ela, pontualmente, às 17hs.
L: Oi, tudo bem?
M: Tudo, e você?
L: Tudo também. Bem, o que tem a dizer sobre a mensagem na sua vida?
M: Eu acredito que a mensagem nos faz viver de forma correta.
L: Interessante. O que mais?
M: Bom, ela nos faz viver de forma correta e por isso nos tornamos felizes...e prósperos, você não acha?
L: Prósperos...qual o sentido de prosperidade pra você?
M: Ora, quando seguimos a mensagem, nossas vidas melhoram. Eu parei de beber, fumar e fazer tudo que era errado, agora tenho um ótimo emprego e uam linda casa.
L: Quando uma pessoa que não acredita na mensagem te pergunta sobre ela, o que você responde?
M: Isso oras, que minha vida melhorou, meus problemas acabaram. A mensagem mudou minha vida! Que interrogatório! Afinal de contas, você não acredita na mesma mensagem que eu?
L: Não, não é isso, desculpe-me, mas é que pra mim a mensagem não é somente isso, na verdade, pra mim isso é distorcer a mensagem.
M: Você nem me conhece e já vai me ofender? Onde está o espírito de unidade?
L: Olha, me desculpa, mas é que a mensagem não garante sucesso e felicidade da maneira que você acredita.
M: Como não? Eu estou aqui para provar! Eu tenho sucesso, felicidade e saúde.
L: Então você acredita que se algúem está pobre ou doente, enfim, sem aparente sucesso, essa pessoa está fora dos caminhos da mensagem?
M: Claro!!! Ela precisa do perdão do Autor da mensagem, precisa acreditar mais, reivindicar a vitória, então terá tudo isso! O Autor tem que dar a vitória a ela.
L: Como as pessoas morrem? Como pode um Autor tão bom permitir tanta desgraça no mundo?
M: As pessoas tem que morrer não têm? A desgraça no mundo é culpa das pessoas que não acreditam na mensagem. Se elas acreditassem, não teriam filhos mortos, famílias destruídas, etc. Afinal de contas, você acredita mesmo na mensagem?
L: Não nessa que você diz ser a mensagem...
M: O que quer dizer com isso?
L: O próprio Autor da mensagem abriu mão de tudo que tinha, para vir à Terra, e viver como um pária da sociedade da época. Afinal, Ele vivia a mensagem incorreta?
M: Não, ele, ele...ele tinha muitos amigos, ele era próspero
L: Ele não tinha bem algum aqui, concordo que Ele era próspero, mas quando se diz que Ele próspero em coisas espirituais.
M: Você está distorcendo o Livro!!
L: Desculpe-me, você está distorcendo o Livro.
M: Isso é um absurdo, não vou mais perder meu tempo com você. Daqui a pouco vai começar a dizer que que pode tocar rock nos locais onde se prega a mensagem, que mulheres devem falar da mensagem em público e que homens podem ter cabelo comprido.
L: É claro, a música foi criada pelo Autor, as mulheres podem falar da mensagem, aliás, elas devem falar da mensagem em público e os homens que quiserem ter cabelo comprido não estarão desvirtuando a mensagem.
M: Para mim chega, se eu fosse você dizia ser qualquer coisa, menos seguidor da mensagem.
L: Pense a respeito do que está falando, leia o livro, e me perdoe se te ofendi.
Mara não me deu ouvidos, simplesmente saiu andando, com muito ódio nos olhos. Encontrou com alguém no meio do caminho com meu amigo André e disse que eu não acreditava na mensagem, que eu falava a mentira, e começou a gritar me difamando.
André perguntou se estava tudo bem, e eu disse que sim. Ele disse que foi a primeira vez que ouviu alguém falar assim comigo e ficou assustado.
De fato eu fiquei um tanto chateado com o escândalo daquela que deveria falar da mesma coisa que eu, mas o que mais me chateou, foi confimar o que havia falado com Fred, porque o André, ao se despedir, disse o seguinte:
A: Fica bem cara, liga pra ela não...mas você sabe, esse é um dos motivos pelos quais eu não sigo a mensagem.
Ainda torci para que Mara conhecesse verdadeiramente a mensagem, mas decidi não perder mais meu tempo quando alguém como ela não estiver aberta a diálogos, e só quiser discutir e provar que está certo. Aprendi a ser paciente com aqueles que não acreditam na mensagem, mas quanto àqueles que já a conhecem, e insistem em distorcê-la e destruí-la, resolvi não ser tão paciente assim.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Na sala de aula...
Pensei então em como Jesus agiria diferente nessa situação. Não sei quantos alunos cristãos tinham naquela turma, e quantos realmente boicotaram a prova, mas sei que Jesus nunca tomaria uma atitude que não levasse em consideração os seus próximos. Para falar a verdade, todas as atitudes dele, ainda que resultassem em algum benefício próprio, era pensando nas outras pessoas. O maior exemplo disso é o sacrifício dele na cruz. Ele morreu, mesmo sendo inocente, pelo pecado de todos nós. E ressuscitou para que nós fôssemos justificados (Rm 4:24).
Logo em seguida, uma colega comentou que a faculdade não deveria dar mais recursos para quem está melhor, mas sim para quem está pior, pois isso demonstra que precisa ser melhorado. A professora comentou que isso é uma visão romântica da coisa, que na verdade, no mundo hoje, quem está melhor é que é incentivado, porque isso dá garantia de retorno.
É mais uma vez uma lógica egoísta onde, até para ajudar os outros, buscamos algo em troca. Novamente penso em Jesus xingando os fariseus hipócritas, e ajudando as viúvas, os que admitiam ser pecadores condenados à perdição. Não quero dizer, obviamente, que Jesus promoveria um assistencialismo hipócrita, que apenas ajuda para criar dependência, mas pelo contrário, que Jesus oferece ajuda para que nós possamos ser verdadeiramente livres, para podermos crescer cada vez mais. Jesus se importava com as questões das minorias.
Bem, essas foram apenas divagações da minha mente hoje, e a pura verdade é que a vida com Jesus nos leva a pensar e viver de forma que possam até nos chamar de loucos, "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" - I Co 1:27
Fiquem com Jesus =D
quarta-feira, outubro 29, 2008
A vez de Maradona
Depois de Dunga ter sido escolhido técnico para seleção brasileira, é a vez de Diego Maradona, ex-camisa 10 da Argentina ser escolhido para treinar a seleção de seu país.
Aiai...se isso vira moda¬¬
segunda-feira, outubro 27, 2008
Lot
Eu recebi uma carta hoje do Lot, vou transcrevê-la aqui:
"Oi Dani.
Desculpa a demora em te enviar o último capítulo do meu diário. Estou um pouco ocupado, mas em breve te enviarei as páginas.
Manda um abraço para os leitores.
Beijos"
É isso aí, em breve ele estará de volta^^
quinta-feira, outubro 23, 2008
Tira do sabiá
Segue abaixo um quadrinho dele. Quem quiser ler mais é só clicar no nome do blog, acima.
Fiquem com Jesus =)
terça-feira, outubro 07, 2008
Para glória do nome de Deus
Muitas pessoas pedem ajuda a Deus para melhorar de vida, para conseguir um emprego, para melhorar de alguma doença, enfim, para muitas coisas. Deus ama ajudar seus filhos, e muitas vezes faz isso, porém existem n motivos para que um pedido não seja realizado, e, dentre eles, gostaria de enfocar o que diz o versículo acima.
Por qual motivo queremos algum favor de Deus, porque queremos uma casa nova, um novo emprego, uma saúde melhor?
Acredito que muitas vezes fazemos pedidos egoístas para Deus, ainda que esses pedidos não sejam referentes a nós mesmos. Nós pedimos, por exemplo, um lar melhor para crianças de rua porque queremos livrar nossa consciência de que também fazemos parte dessa sociedade decaída e que, portanto, temos algumas obrigações sociais, que não cumprimos.
Toda vez que fizermos um pedido de ajuda a Deus, devemos nos lembrar que nossa motivação deve ser para honrar o nome dEle. Tudo que fizermos na terra deve ser para honrá-lo, e isso não poderia ser uma exceção. Tudo aquilo que pedirmos, que não seja para glória do nome dEle, nem deveria fazer parte de nossas orações.
Que vocês não me entendam mal, não quero dizer que não podemos pedir coisas materiais e só coisas espirituais. Mas é que mesmo nossos pedidos materiais devem ter a motivação correta, de honrar o nome de Deus, nosso Salvador.
Se nos lembrarmos disso, de que Ele é nosso Salvador, não encontraremos outro motivo para viver, e tudo aquilo que pensarmos, pedirmos, falarmos, agirmos, tudo, será para a glória dEle.
Fiquem com Jesus =)
sábado, outubro 04, 2008
Palavra de salvação
quarta-feira, outubro 01, 2008
Sobre pérolas e rosas
Jesus nos ordenou ir por todo o mundo e espalhar as boas novas. Devemos falar do amor dele para todas pessoas. Não devemos nos cansar dessa missão, que é dada a todo cristão.
Muitos acreditam que o versículo acima é desculpa para desistir na primeira tentativa de se evangelizar alguém. Na verdade, o que o autor quis dizer (na minha interpretação) foi que quando anunciamos o evangelho a alguém e a pessoa compreende, mas não quer aceitar, nada que façamos vai convencê-lo disso. O que faz uma pessoa aceitar a graça de Cristo é a própria graça de Cristo, e não nossos argumentos. Seria muita pretensão pensar dessa forma.
Quando insistimos em fazê-lo, estamos "jogando pérolas aos porcos", desperdiçando nossas forças, e barateando o evangelho, o que é um erro muito grave. Devemos pensar como o personagem George MacDonald, do livro "O grande abismo", de C.S.Lewis: "Toda doença que se submeter á cura será sarada, mas não chamaremos o azul de amarelo para agradar àqueles que insistem em ter icterícia; nem faremos um monte de esterco do jardim do mundo só porque alguns não conseguem suportar o perfume das rosas".
Que não desperdicemos preciosas pérolas as jogando aos porcos, mas que façamos um belo colar para aqueles que precisam delas; que não deixemos as rosas morrerem, mas que entreguemos um buquê maravilhoso àqueles que querem sentir o perfume que elas exalam.
Fiquem com Jesus=)
sábado, setembro 27, 2008
A lei seca e os cristãos

Os evangélicos sempre adoraram ser conhecidos por não beber, não fumar, não fazer sexo antes do casamento, e não fazer várias outras coisas.
Com a "Lei Seca", os motoristas não ousam mais ingerir bebidas alcóolicas. Constatei isso essa semana, quando saí com uns amigos da faculdade, e eu e o restante dos motoristas dividimos um refrigerante.
Se fosse há algum tempo, e eu recusasse a bebida, eu seria taxada como pertencente ao meu grupo religioso. Naquele dia fui reconhecida apenas como a motorista de um dos carros.
Será que os cristãos não estão sendo reconhecidos pelas coisas erradas?
A santidade que procuramos viver só é vista pelas coisas que não fazemos?
Cada atitude que tomamos contra o pecado é importante, mas sinto que falta a nós uma postura mais firme em relação à santidade.
Precisamos ser reconhecidos mais por aquilo que fazemos para Jesus, por nossas loucuras por Ele, por nosso amor - o amor é a marca do verdadeiro cristão - por aquilo que fazemos que torna o nosso mundo um lugar melhor, do que pelo que não fazemos e que nos torna aparentemente melhor.
O importante é mostrar Jesus em nós, e não nos orgulharmos de não fazermos isso ou aquilo. Somos pecadores miseráveis como qualquer outra pessoa na face da terra. A diferença é que conhecemos e aceitamos a graça de Cristo, e por isso devemos oferecer essas boas novas a todos. Vamos procurar a santidade enquanto estilo de vida, e não como meio de inflar nossos egos.
Fiquem com Jesus=D
segunda-feira, setembro 22, 2008
O diário de Lot - O impaciente
Era um dia de prova de uma das matérias mais difíceis da faculdade, e eu estava estudando no caminho para a faculdade. Um dos passageiros do ônibus, a quem chamarei de Frederico, notou minha camisa que dizia algo a respeito da mensagem. Ele disse:
F: Você acredita mesmo nisso?
L: Acredito em que?
F: Nisso que está escrito em sua camisa.
L: Claro que sim (afinal se eu estava vestindo a camisa – pensei)
F: Se esse seu livro não fosse de um curso superior eu diria que você não devia saber nem ler.
L: Eu tenho uma prova muito difícil e importante agora amigo, mas quem sabe um dia possamos discutir sobre isso?
F: Deixou de estudar pra espalhar essa baboseira?
L: Eu estou estudando há dias, mas é que a prova é realmente difícil.
F: Você está usando desculpas porque não pode argumentar.
L: Eu não acreditava nessa mensagem até pouco tempo atrás, e não sou uma pessoa tão fácil de acreditar em algo, portanto, isso faz sentido pra mim, mas, como eu disse, eu tenho uma prova agora e preciso me concentrar aqui. Aliás, nem dá mais tempo, está chegando no meu ponto.
Enquanto eu descia apressado com medo de estar atrasado para a prova, Frederico disse algo sobre o próximo dia às 17hs, mas como eu estava sem muita paciência, respondi que estava combinado, e desci do ônibus.Enquanto fazia a prova, me dei conta do que eu havia feito, e fiquei muito decepcionado comigo mesmo. Acabei perdendo um pouco da concentração, e fiquei em dúvida das respostas de várias questões.
No dia seguinte, tentava me lembrar do que seria às 17 horas, e onde, que Frederico tinha dito e que eu havia concordado, mas não adiantava, não conseguia me lembrar. Eram exatamente 17hs quando me dirigi ao ponto de ônibus e lá estava ele. De início fiquei assustado, mas depois me lembrei de que era no ponto de ônibus que ele tinha falado: “amanhã, nesse ponto, às 17hs, quero ver se você tem mesmo algum argumento”.
L: Oi...qual seu nome mesmo?
F: Sou o cara do ônibus, você não se lembra?
L: Lembro, mas eu estava com pressa, então nem perguntei seu nome.
F: Tudo bem, meu nome é Frederico, e o seu?
L: Lot.
F: E então Lot, quais argumentos que você tem a favor dessa mentira?
L: Eu já tive muitas experiências de gente tendo a vida transformada por essa verdade.
F: Esse é seu argumento? Sabia! Isso não basta pra mim. Conheço um tanto de gente que ganhou na loteria e também teve sua vida transformada.
L: Não me referia a melhora de vida financeira, e sim à mudança de caráter, para melhor.
F: Quer dizer que não acredita que isso pode te trazer...como falam mesmo? Prosperidade? Não vai ficar podre de rico só por acreditar nela?
L: Não. Você não pode argumentar comigo se nem ao menos conhece a mensagem.
F: Eu sempre ouvi a mesma história de quem conta essa mensagem: dinheiro no bolso, saúde e sucesso. É só isso que essa mentira parece oferecer, mas obviamente é ilusão.
L: Como disse, você precisa conhecer a mensagem, e sobre quem ela fala, para poder argumentar comigo. Você não pode supor que é mentira se você não conhece. Vai basear seus argumentos em senso comum? Aposto que não come jiló, não porque provou e viu que era ruim, mas porque todo mundo falou pra você que é ruim, por isso você nem experimentou...
F: OK então, eu leio o livro com a mensagem, e então conversamos de novo, mas tenho certeza que é mentira, portanto, isso não vai fazer a mínima diferença.
L: Quanto tempo você vai demorar para ler?
F: Daqui a três meses a gente se encontra aqui de novo.
L: Combinado.
Enquanto os três meses não se passaram, eu recebi o resultado da prova, que não foi tão desastroso quanto eu previa, mas foi muito ruim mesmo assim. Às vezes, encontrava com Frederico no ônibus, e acabamos virando amigos, ainda que com opiniões muito diferentes acerca da vida. Ele ia falando das aparentes contradições da mensagem, e eu explicava a importância do contexto em qualquer literatura, e das peculiaridades daquele livro. Mas tinha ficado combinado que a verdadeira discussão só aconteceria dali a três meses, então ele se continha na maior parte das vezes, e ia anotando as dúvidas em um caderno. Ele me deu alguns textos para ler, e eu fui fazendo minhas anotações à parte também. Foi um período de muito estudo para nós dois. Quando os três meses se passaram nos encontramos, às 17hs, no ponto de ônibus em frente à minha faculdade.
L: E então, o que tem a dizer agora?
F: Em primeiro lugar, eu acredito que ou vocês contam essa mensagem de forma muito errada, ou então as pessoas que acreditam nela são muito burras...
L: Como assim?
F: Você estava certo, eu não conhecia a mensagem, e aquilo que sempre vi e ouvi a respeito dela a distorcia completamente.
L: Onde você via e ouvia falar da mensagem?
F: Em programas de TV, e com algumas pessoas conhecidas.
L: Bom, não que todos os programas de TV sobre a mensagem sejam ruins, mas uma boa parte é, e não conheço as pessoas que você disse contarem da mensagem pra você, mas há muitas pessoas com conceitos errados sobre a mensagem mesmo. Mas isso não é o ponto central da questão, o que você acha da mensagem agora?
F: Estou menos convicto de que ela seja mentira, mas ainda não estou convencido de que ela seja verdade. Há algumas coisas que não fazem sentido.
L: Eu já te expliquei sobre as aparentes contradições.
F: Não é isso mas...o que você achou dos textos que eu dei pra você ler?
L: Não mude de assunto...
F: Pra eu dizer as coisas que não fazem sentido, preciso saber o que você achou do que você achou a respeito do que leu.
L: Alguns daqueles textos eu já conhecia, e eram minha base sólida contra a mensagem, mas os que eu não conheciam não fazem o menor sentido, inclusive se você usar a ciência para pensar a respeito deles.
F: Os outros, eram...sua base? Porque não mais?
L: Eles tem argumentos que condizem com aqueles primeiros seus, portanto, quando conheci a mensagem de verdade, eu estudei mais a respeito deles, e eles não são textos lógicos, usam argumentos passados e desatualizados para combater a mensagem.
Tivemos uma longa conversa sobre a mensagem e sobre os textos, e apresentei todos os argumentos contra as hipóteses de Frederico. Então ele disse:
F: Se eu resolver acreditar na mensagem, vou ter que deixar tudo que é divertido pra trás?
L: Parece com isso o que você leu?
F: Não, mas é o que parece que acontece com as pessoas que acreditam nela.
L: Você precisa conhecer alguns amigos meus, nós vamos a festas, ao cinema, jogamos futebol, nos divertimos como qualquer outro jovem de nossa idade, até mais, porque nossa diversão não é momentânea.
F: Vou pensar a respeito.
L: Ok, me fala se tiver qualquer dúvida.
F: Ok.
Antes mesmo de pegar o ônibus ele voltou e disse:
F: Acho que a dúvida que ainda existe não é maior que o desejo de viver pela verdade
Nada de melhor poderia ter acontecido naquele dia. Conversamos um pouco mais, e eu disse a ele mais coisas sobre a mensagem.
Mas essa situação toda me fez refletir sobre as graves conseqüências que a precipitação e o foco exagerado em si mesmo pode causar. E também de como as pessoas que vivem pela mensagem parecem não ler o livro, ou não lêem da mesma maneira que Frederico leu, buscando conhecimento e respostas para a vida, mas parecendo fazer do livro um jogo de loteria, onde o que for sorteado será verdade para todos. Com isso eles distorcem a mensagem, e a fazem parecer estúpida aos olhos de quem não a conhece.
domingo, setembro 21, 2008
Pergunte ao House
Faça uma pergunta ao House e deixe que ele responda.
Brinquedinho divertido para quem sabe inglês.
Quando eu perguntei para o House como ele estava, ele me respondeu "é simples, são os comprimidos ou a dor".
segunda-feira, setembro 01, 2008
Perseguição na China
A China tem o maior e mais rápido crescimento da comunidade cristã na Terra. Entretanto, seus membros são brutalmente perseguidos por sua fé. Eles são assediados, espancados e presos, humilhados, torturados e mortos.
Sim, muitos cristãos ocidentais não têm nem idéia que isso está acontecendo com seus irmãos e irmãs chineses.
Você sabe mais sobre perseguição religiosa na China do que você sabia antes de visitar esse website.
Hoje era dia de postar algum capítulo de Lot, eu sei, mas é que depois de ler o livro "O homem do céu" e achar o site da China Aid - de onde tirei esse trecho - tinha que postar isso. Regularmente pretendo postar informações sobre a perseguição aos Cristãos chineses. Você pode orar por nossos irmãos orientais, para Deus cumprir a Sua vontade na vida deles, e se pode, ajude a sustentar uma família cristã, por 45$ mensais, mais informações sobre tudo isso em chinaaid.org.
Vou postar algo sobre o irmão Yun e seu livro qualquer dia desses também.
Fiquem com Jesus=)
segunda-feira, agosto 25, 2008
O diário de Lot - O indiferente
"A esperança dos justos é alegria"
Desde o dia em que me encontrei com o João comecei a reparar quantos pequenos erros eu cometia todos os dias, e como aquilo me atrapalhava a viver a mensagem plenamente.
Comecei a vigiar mais os meus passos, e isso, de alguma forma, impressionou meus colegas da faculdade (as histórias da Maria e do João nunca ficaram conhecidas por lá).
Certo dia, um amigo meu, o André, perguntou o que tinha acontecido comigo...
L: Porque?
A: Vcoê tá diferente cara, sei lá...tá mais empolgado com a faculdade, não tá deixando as coisas para depois, até as meninas da sala estão reparando isso.
L: Nem reparei que tinha mudado muito não, sei lá, é que aconteceu uma parada aí, e eu...mudei um pouco.
A: Que parada?
L: A história é longa, a aula já vai começar agora véi, no almoço eu te conto falou?
A: Falou, é...
L: Fala.
A: Nada não, só estou achando engraçado você se preocupar em chegar na hora.
L: Ah...
Depois da aula, como combinado, o André e eu saímos para almoçar.
A: E aí cara, que bicho te mordeu?
L: Então véi, foi muito doido, eu...
Eu contei então para ele como tinha ouvido a mensagem, como acreditava nela,e o que tinha acontecido desde então. Fiquei apreensivo no começo, porque o André é meu melhor amigo e, por mais que eu soubesse que a mensagem mudaria a vida dele para sempre, falar dela para ele era estranhamente mais difícil que o normal.
A: Cara! Bacana demais essa parada!
L: Não é cara? Eu disse que foi doido, a gente conversa mais sobre ela quando você quiser.
A: Pois é cara, é bacana a mensagem mesmo, mas tem muitas mensagens bacanas né?
L: É, tem...mas cara, você não está entendendo, essa é a mensagem!
A: Falou véi, aqui, já estou indo que tenho um tanto de coisa pra fazer, valeu?
L: Falou...
Eu fiquei parado um tempo a mais onde nós almoçamos e fiquei pensando, como alguém podia permanecer tão inerte e indiferente após ouvir a mensagem?
Isso nunca tinha acontecido antes, desde que eu comecei a compartilhá-la com outras pessoas. Eu vi a vida do João, da Maria e das pessoas que os cercavam ser completamente mudadas, e para melhor!
Lembrei do fato de que o André me conhecia muito bem, porque éramos amigos desde o colégio.
Talvez meu modo de vida tenha impactado negativamente as pessoas que me conheciam, como o André.Quando voltei para casa conversei com a minha mãe a respeito do que acontecera.
M: Filho, a mensagem chegar às pessoas é sua parte, mas ela transformar a vida das pessoas não depende de você.
L: Como assim?
M: Toda a sua vida você viu a mensagem aqui em casa, mas só quando você a ouviu aquele dia que você tomou a decisão de aceitá-la.
L: É, mas eu contei para o André do jeito que ouvi, contei tudo que aconteceu com o João, com a Maria, nossas vidas sempre tomaram rumos parecidos, achei que ele ia ter a mesma reação que eu tive.
M: Não é você que vai convencê-lo. Lembre-se, a VERDADE liberta, não você.
L: É verdade mãe. Valeu, te amo.
M: Também te amo.
Custei a pegar no sono nesse dia, mas no dia seguinte fui para aula disposto a tentar falar da mensagem de novo para meu amigo.
L: E aí, véi?
A: E aí, beleza?
L: Tudo, e aí?
A: Cara, essas mudanças todas na sua vida, isso foi por causa daquela parada que você me contou?
L: Foi, foi sim.
A: Ah...então tá, vamos para aula?
(nã tinha acreditado que aquilo estava acontecendo)
L: Vamos.
Algumas pequenas atitudes minhas em sala de aula chamavam a atenção de alguns professores. O meu orientador de monografia disse que estava impressionado com o progresso do meu trabalho. Um outro professor achou legal a monitoria voluntária que eu tinha oferecido para alguns colegas e disse que no próximo semestre eu poderia auxiliá-lo nessa aula, que poderia até considerar isso como estágio remunerado. Algumas colegas agradeceram por algumas gentilezas e brincavam com os caras da sala que se eu tinha começado a fazer isso, qualquer um poderia se esforçar e conseguir.
Como eu já disse antes, eu não tinha resolvido fazer todas essas mudanças, elas simplesmente aconteciam cada vez que eu tomava alguma decisão a respeito da mensagem. O que para mim tinha sido um processo extremamente natural, impressionava aqueles que me conheciam. Todos eles, exceto o Adnré.
A: Ei véi, beleza?
L: Tudo tranquilo, e você?
A: Beleza, aqui, tudo dando certo né Lot? A monografia, o estágio, o sucesso com as meninas. Tô felizão por você, essa parada te fez bem.
L: É, muito bem. Você devia experimentar tomar a mesma decisão que eu.
A: Me leva a mal não Lot, essa parada toda é muito legal, muito mesmo. Ouvi dizer que os professores ficaram sabendo da mensagem, as meninas também, soube que alguns deles até acreditaram, mas sabe, pra mim essas paradas são todas meio iguais, acho tudo válido sabe, depende da pessoa.
L: Só, mas só achar legal não basta pra ver os efeitos dela na sua vida cara...
A: Isso não é pra mim véi, pelo menos não por enquanto. Não tô afim de mudar. E na boa véi não tenta coomigo não, sou seu amigo e não quero que nossa amizade acabe por causa dessa parada. Então não insiste mais não, valeu?
L: Tá...
Aquele dia depois desse conversa foi um dos piores da minha vida. O meu melhor amigo, totalmente indiferente ao que estava acontecendo. Ele via quando eu conversava com alguém sobre a mensagem, chegou a ver um cara que ninguém apostaria que ia acreditar na mensagem e acreditou, mas na vida dele mesmo, nada mudava. Ele continuava dizendo o quanto aquilo era legal, que me fazia bem, que as pessoas deveriam me escutar, mas ele não queria saber daquilo pra vida dele. Continuava o velho André de sempre, sem nenhuma mudança.
Desse dia em diante eu ficava sempre muito feliz a cada vez que a vida de alguém era transformada pela mensagem, mas nunca deixei de torcer para que o André tomasse a decisão de acreditar nela também.
sexta-feira, agosto 22, 2008
Crônicas do coletivo II
O mesmo ônibus de ontem. Depois da cena divertida comecei a ouvir uma conversa de duas senhoras (não que eu quisesse, mas elas falavam a uma intensidade suficiente para até o motorista ouvir).
A: - Você se casou?
B: - Deus me livre! Só morei com ele durante 14 anos.
A: - Casamento é muito ruim!
B: - É uma desgraça. Eu nunca casei, graças a Deus.
A: - A única coisa boa é entrar de branco na Igreja, a festa depois...
B: - Não vale a pena o sacrifício...
A: - Dependendo, casar no civil vale até a pena. Casa com um homem bem rico, e depois separa, e fica rica também.
B: - Mas o meu era pobre, miserável, e eu tive que aguentar por 14 anos.
Nisso o filho da senhora A, de uns três anos, começou a "cantar":
Aa: - Queeeeeeeu...queeeeeeeeu....veloxidade dois...queu queu queu queu...
Depois de um longo dia de aula, resolvi dar um cochilo.
quinta-feira, agosto 21, 2008
Crônicas do coletivo
Eu sou uma pessoa que freqüentemente reclamo dos ônibus coletivos. Tanto pela demora, quanto pelo fato de eles sempre virem cheios, quanto pela falta de educação de cobradores, motoristas e passageiros (é, eu sei, reclamo muito).
Hoje presenciei uma cena engraçada.
Uma senhora entrou no ônibus com duas plantas gigantes, que pareciam estar bem pesadas. Nisso, um senhor que estava sentado à minha frente olhava inquietamente para ela, esperando que ela retornasse o olhar. Então ele disse (bem baixo, como se fosse um segredo mundial):
- Eu vou descer logo mais, no Biocor...
E pegou uma das plantas gigantes da senhora. Só que um outro lugar foi liberado, e ela sentou, com suas plantas gigantes.
O ônibus estava relativamente cheio, então essa senhora cutucou uma outra senhora que estava em pé um pouco mais a frente (uma que tinha recusado que um moço segurasse a bolsa pra ela) e disse que o tal senhor ia descer logo logo. Ela rapidamente andou até lá. Mas então outro lugar foi liberado, e ela também sentou.
Algum tempo depois, uma outra senhora chegou (uma que eu já tinha segurado a bolsa certa feita) e a moça ao meu lado avisou que o moço iria descer em breve.
E daí ele desceu.
Gentileza hoje em dia é uma coisa tão rara, que quando acontece em massa, se torna um fato extraordinário (e dessa vez até divertido).
segunda-feira, agosto 04, 2008
O diário de Lot - O mentiroso
Olá novamente, sou eu, o Lot. Da última vez em que nos encontramos eu falei sobre meu encontro com Maria. Bem, Logo após ter conhecido Maria e sua trágica história, passei a viver de modo diferente. Engraçado que eu não tinha decidido isso. Apenas decidi acreditar naquela mensagem e, naturalmente, me surpreendi pensando e agindo de modo diferente. E a cada experiência que eu tinha, como no caso de Maria, o meu novo modo de viver era fortalecido.
A minha mãe percebia isso. Aquele sorriso que ela deu quando eu levei Maria para casa nunca mais desapareceu do cotidiano dela. Eu nunca a vira tão feliz. E isso me deixava feliz.
Algun dias se passaram desde que eu tinha levado Maria de volta para casa. Caminhando pela rua (eu passei a gostar muito de fazer isso desde aquele dia), encontrei um jovem que devia ter mais ou menos a minha idade rindo. Era uma risada estranha, um tanto quanto nervosa. Eu iria continuar andando, mas eu não pude deixar de perguntar (chamarei o jovem de João):
L: Está tudo bem?
João parou repentinamente de rir e foi andando rapidamente, como se fugindo de mim.
L: Desculpe! Eu só queria saber se estava tudo bem! Eu não vou fazer nada com você (eu me arrependeria mais tarde, mas me senti extremamente poderoso naquele momento, mesmo sendo um jovem não muito forte).
"Ele não está fugindo de você" (voltei à realidade nesse momento) - uma senhora disse atrás de mim. Era a mãe de João, que chamarei de Ana.
L: Ele está bem?
A: Ele está...como sempre está.
L: Como assim?
A: Você é amigo dele?
L: Não, na verdade eu só estava passando na rua, quando o vi rindo e...bom, desculpe a intromissão. Eu vou indo.
A: Não! Quer dizer, por favor fique. O meu filho...ele se chama João. Sempre foi um garoto exemplar. Desde que o pai dele faleceu ele não para de mentir. Antes ele até se arrependia, mas agora parece até que está acreditando nas suas próprias mentiras. Eu já o levei a psicólogos, médicos...eles sempre dizem que é trauma da perda do pai, que logo vai passar, mas eu já estou cansada de esperar.
L: Sinto muito pelo seu marido. Foi há quanto tempo?
A: Tem dois anos. E nós...nós éramos divorciados. Eu me separei dele por causa das mentiras dele. Ele morreu num acidente de carro. O João tinha perguntado se ele ia viajar de carro, e ele disse que ia de avião. O João não gostava que ele dirigisse porque ele corria muito, parecia um adolescente quando pega a estrada pela primeira vez depois de tirar a carteira. Daí um caminhão desgovernado atingiu o carro dele. Ele não teve nem chance.
L: Eu...sinto muito por tudo isso.
A: Está tudo bem. Você quer entrar e esperar o João chegar?
L: É...eu...
A: Entre, está frio aqui fora.
L: Tudo bem, com licença.
João e Ana viviam em uma casa bem próxima à minha. Os tempos modernos não permitem que a gente conheça nem nossos próprios vizinhos. Na verdade, eu já os tinha visto algumas vezes na rua, mas eram vizinhos novos, eu não os conhecia.
A: O João estava rindo porque eu descobri uma de suas últimas mentiras. Ficou nervoso e disse que se eu dispensei o pai dele por falta de confiança, então ele também não queria minha presença. Acho que ele nunca superou nosso divórcio.
L: Deve ser difícil para você...e pra ele também.
A: É...um pouco.
João entrou em casa. Olhou para mim, para a mãe preparando-me um chocolate quente, e entrou para o seu quarto. Não demorou muito e me perguntou:
J: Você é o Lot, que mora a algumas quadras daqui?
L: Sou sim.
J: Podemos conversar...às sós?
L: Claro.
Depois que eu levei Maria para minha casa, eu fiquei relativamente famoso no bairro. Não sei como, mas a história se espalhou. Obviamente, cada um tinha sua versão.
J: É verdade que você engravidou a prostituta e então descobriu que a família dela morava aqui e a levou de volta para casa?
L: Bem, na verdade não fui eu quem a engravidou, mas sim, a levei de volta para a casa dos pais.
J: Ah...as pessoas espalham muitas mentiras.
L: É.
J: Minha mãe deve ter falado com você que eu tinha contado uma mentira, que meu pai era mentiroso,e que eu tinha ficado igual ele depois que ele morreu.
L: Hmm...ela está preocupada com você. Mas o que aconteceu?
J: Eu fui demitido do meu emprego porque meu patrão roubava o dinheiro da empresa.
L: Você foi demitido porque ele roubava?
J: Porque falei isso com ele.
L: Ah...mas como você sabe disso?
J: Eu vi. A minha mãe não acredita em mim porque...porque há algum tempo que eu não tenho falado muito a verdade.
L: E porque você não fala a verdade?
J: Eu não sei. Começou com "estou estudando", só para não lavar a louça, e foi aumentando de forma incontrolável. Agora parece que só sei mentir.
L: Ouvi dizer que quem causa problemas à sua família herdará somente vento...e também que a mentira tem perna curta.
João ficou em silêncio por um tempo e depois respondeu.
J: Apesar de óbvio, fazia tempo que eu não pensava nisso.
L: Acho que você precisa falar a verdade. Para o seu bem e de sua família.
J: Não é tão fácil. Virou uma espécie de vício.
L: Eu sei que não é. Mas você tem que começar, tem que dar o primeiro passo.
J: Eu sei...eu amo muito minha mãe. E o meu pai causou muitos problemas com as mentiras dele.
L: Você sente a falta dele não é?
J: Muita. Ele não podia ter mentido pra mim. Ele devia ter viajado de avião.
L: Mas ele não foi. Olha, o final da sua história são suas escolhas que vão definir.
J: É, mas a história do emprego é verdade.
L: A verdade então logo virá à tona.
J: É, acho que devo desculpas para minha mãe...e acho que ou começar a dar uns passos. Ei...
L: Lot.
J: Isso, Lot. Só mais uma coisa. O que você sabe sobre a verdade?
L: Eu conheci uma que me libertou.
J: Boa resposta. Pode me falar sobre ela um dia desses?
L: Claro.
Depois de tomar o meu chocolate quente, me despedi de João e Ana e fui embora. Voltei lá outras vezes, e numa dessas vezes falei com os dois sobre a verdade que me libertara. Ela os libertou também. E João deu o primeiro, o segundo, o terceiro passo, até parar de mentir de vez.
Mais tarde descobriu-se que o ex-chefe de João tinha mesmo roubado o dinheiro da empresa, e como João havia denunciado o fato, foi recontratado pela empresa, num cargo superior ao que tinha antes.
Quanto a mim, ganhei um novo amigo. E cheguei à conclusão de que devia me preocupar mais com meus vizinhos. Outro dia emprestei meu videogame para um garoto do prédio ao lado da minha casa.