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segunda-feira, julho 06, 2015

Um estranho propósito


"E ele foi. Quando chegou à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava colhendo gravetos. Ele a chamou e perguntou: "Pode me trazer um pouco d’água numa jarra para eu beber? "
Enquanto ela ia indo buscar água, ele gritou: "Por favor, traga também um pedaço de pão".
"Juro pelo nome do Senhor, o teu Deus", ela respondeu, "não tenho nenhum pedaço de pão; só um punhado de farinha num jarro e um pouco de azeite numa botija. Estou colhendo uns dois gravetos para levar para casa e preparar uma refeição para mim e para o meu filho, para que a comamos e depois morramos. "
Elias, porém, lhe disse: "Não tenha medo. Vá para casa e faça o que disse. Mas primeiro faça um pequeno bolo com o que você tem e traga para mim, e depois faça algo para você e para o seu filho.
Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘A farinha na vasilha não se acabará e o azeite na botija não se secará até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra’ ".
Ela foi e fez conforme Elias lhe dissera. E aconteceu que a comida durou todos os dias para Elias e para a mulher e sua família.
Pois a farinha na vasilha não se acabou e o azeite na botija não se secou, conforme a palavra do Senhor proferida por Elias.
Algum tempo depois o filho da mulher, dona da casa, ficou doente, foi piorando e finalmente parou de respirar.E a mulher reclamou a Elias: "Que foi que eu te fiz, ó homem de Deus? Vieste para lembrar-me do meu pecado e matar o meu filho? "
"Dê-me o seu filho", respondeu Elias. Ele o apanhou dos braços dela, levou-o para o quarto de cima onde estava hospedado, e o pôs em cima da cama.
Então clamou ao Senhor: "Ó Senhor, meu Deus, trouxeste também desgraça sobre esta viúva, com quem estou hospedado, fazendo morrer o seu filho? "
Então ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: "Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino! "
O Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida voltou ao menino, e ele viveu.
Então Elias levou o menino para baixo, entregou-o à mãe e disse: "Veja, seu filho está vivo! "
Então a mulher disse a Elias: "Agora sei que tu és um homem de Deus e que a palavra do Senhor, vinda da tua boca, é a verdade"." -1 Reis 17:10-24



Fazer a vontade de Deus é algo sobre o qual muito se fala, mas pouco se debate. Sabemos que a vontade dele é boa, perfeita e agradável, e, mesmo sabendo que nem sempre ela coincide com a nossa, não pensamos mais a fundo sobre o que significa fazer essa vontade.

Quando li o trecho acima fiquei pensando o que aconteceria se eu estivesse no lugar de Elias. Para explicar o contexto, Elias estava próximo a um riacho, sendo alimentado por providência de Deus. Esse riacho secou por falta de chuva.

Elias, como um profeta experiente, sabia das adversidades que poderiam ocorrer. Por pior que fosse essa situação, ele já previa. Eu sirvo a Deus e sei que a vida não será sempre colorida e alegre. Muitas vezes ela não é. Ele me prometeu cuidado, e eu muitas vezes esperei saúde e tranquilidade financeira, mas estas não vieram. O cuidado de Deus vai muito além das circunstâncias da vida nesse mundo.

Elias, então, é instruído a procurar uma mulher que irá alimentá-lo. A mulher em questão é viúva e tem um filho. A situação dela é muito precária, mas Elias a pede comida, por instrução divina. 

Ela dá tudo que tem, e, conforme Elias prometeu (porque Deus prometeu a ele), não falta comida na casa da viúva, que já estava se preparando para morrer de fome. Mas então, aparentemente sem explicação, o filho da viúva morre.

E se fosse comigo? Confiando na palavra de Deus eu vou à casa de alguém muito pobre e peço que partilhem a comida comigo, comida quase inexistente na casa. Eles aceitam, como pessoas em dificuldade normalmente o fazem, e o filho dessa pessoa morre. Não sei o que vocês pensariam, mas certamente eu pensaria que era minha culpa. Talvez eu tivesse interpretado errado, e na verdade arruinei a vida de uma mulher que já perdeu o marido.

A verdade é que isso acontece ainda hoje. Muitas vezes, ao seguirmos a vontade de Deus, pode parecer que estamos atrapalhando ao invés de ajudar. Mesmo que lidemos bem com o fato de que a vontade de Deus nem sempre é a nossa, e nem sempre parece boa aos nossos olhos, é diferente quando isto envolve a vida de outra pessoa. 

Elias teve a mesma reação. Ele, porém, sabia que Deus continuava lá. Ele orou em desespero, perguntando porque Deus o usou para trazer desgraça para essa família. Orou pedindo o fôlego de volta ao menino, não como um profeta confiante, mas como um servo frustrado e assustado. 

O menino volta a viver e a mãe faz a interessante declaração de que agora ela sabia que Elias, de fato, era um homem de Deus. Por sabe-se lá quanto tempo a morte foi evitada na casa graças à comida que se multiplicava, mas foi no momento em que seu filho retorna dos mortos que ela viu a ação de Deus. 

Esperamos pelo óbvio, mas Deus nem sempre está lá. Eu creio firmemente que ele criou a terra para usar todas as leis naturais ao máximo, mas ele nos surpreende sim, com milagres. A única coisa que podemos esperar dele é que ele está conosco, não importa o que aconteça. A forma que ele usará para demonstrar isso sempre será um segredo. 

Como cristãos, devemos seguir a vontade de Cristo, no amor e na graça que Ele nos salvou, ainda que não enxerguemos propósito algum naquilo que fazemos. Podemos deixar nas mãos dele, porque o cuidado (e a surpresa, por que não?) sempre estarão presentes em nossas vidas.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Servos pecadores

"Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: 'Quem enviarei? Quem irá por nós?' E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!" - Is 6:5,8



Aqui, vemos o chamado de Isaías para ser profeta em uma nação de Israel completamente pervertida e com valores invertidos.


Isaías reconhece a si mesmo como pecador, e sabe claramente como está a situação de sua pátria. Ele sabe que ter visto a Deus nesse contexto e ter permanecido vivo era um milagre. Afinal, o próprio sumo sacerdote, se entrasse no Santo dos Santos para fazer um sacrifício sem estar puro (sem ter passado pelo processo de purificação), seria morto instantaneamente.


Hoje em dia, por podermos nos achegar diretamente a Deus, por causa do sacrifício de Jesus que nos purificou a todos, nos esquecemos do nível de santidade que Deus exige para que se entre em contato com Ele.


Esse milagre que Isaías experimentou sozinho, é o milagre que experimentamos todos os dias em nossas orações, por causa da graça.


Prosseguindo no texto, no versículo 8, Isaías ouve a voz de Deus clamando: "Quem eu vou enviar par alertar o meu povo? Quem me ouvirá?" Ele ouve esse chamado e, a despeito de sua fraqueza como pecador, aceita o desafio.


Apesar de tudo que o povo de Israel vinha fazendo - injustiças sociais, adoração a ídolos, perversão sexual - Deus não os abandonava, Ele queria um profeta que alertasse o povo sobre as consequências de continuarem no caminho que estavam traçando.


Duas coisas posso aprender desse versículo. A primeira é que Deus está sempre à procura de humanidade, Ele não desiste de nenhum de nós, mesmo que nós nos afastemos cada vez mais dEle. Ele enviou Jesus como a solução final para se reconciliar com a humanidade - basta a nós que aceitemos o convite da graça. Mas a contagem regressiva até que a Terra seja restaurada e, consequentemente, o pecado (juntamente com aqueles pecadores que preferiram não receber o convite) seja extinguido dela, já está acontecendo.


A segunda coisa que aprendo é que Deus não nega serviço aos que se dispõem a ele, mesmo que sejam pecadores (e somos todos, afinal).


Isaías aceitou o chamado de Deus como se apenas ele pudesse fazê-lo e essa deve ser nossa atitude. Os propósitos de Deus serão cumpridos com ou sem a nossa ajuda, mas pela graça nós podemos participar dessa obra. Não devemos deixá-la de lado como se outro pudesse fazê-lo, afinal, isso pode mesmo acontecer, mas isso seria ignorar a graça de Deus que nos permite servi-lo, mesmo sendo pecadores.


Deus nos deu a graça de sermos justificados em Cristo e, por isso, podermos entrar em Sua presença e ainda nos permite ajudá-lo em Sua obra na Terra. A graça só é gratuita porque o próprio doador pagou o preço, como diz sabiamente o escritor Philip Yancey, e nós não devemos nos esquecer jamais disso.

sexta-feira, junho 10, 2011

A graça nos faz justos

"Noé, porém, encontrou graça aos olhos do Senhor. (...) Ele era homem justo e íntegro em sua geração e andava com Deus" - Gn 6:8,9.


A história de Noé é uma das mais conhecidas histórias bíblicas entre os cristãos (e entre os não cristãos também).

Relendo essa passagem notei um ponto interessante: "Noé achou graça aos olhos de Deus".

O Velho Testamento é marcado por ser o tempo da Lei, mas vemos também o Deus gracioso nessas páginas que falam do Deus justo.

Noé era, sim, justo e íntegro, mas era pecador como qualquer um de nós e dos humanos aqueles tempos. Por isso, apenas pela graça ele foi escolhido para "restaurar" a humanidade da época. Até porque suas próprias justiça e retidão derivavam da graça divina.

Nenhum ser humano merece algo de extraordinário em sua vida, já que o "ordinário" que merecemos é a morte. Mas pela graça do Pai recebemos o extraordinário milagre da salvação de nossas almas.

É pela sua graça também, única e exclusivamente, que podemos servi-lo de alguma forma.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Instrumentos da justiça, mesmo pecadores


"Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumento de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça" - Rm 6:13

Há alguns dias, logo após cometer um pecado, fui orar, bastante arrependida, e em seguida fui ler a Bíblia. Esperava encontrar palavras de advertência contra o meu pecado naquilo que estava programado em meu devocional diário. De fato encontrei, mas em alguns outros capítulos tive uma ideia para escrever um texto. Na mesma hora pensei: "Isso não pode estar certo, eu acabei de pecar! De que forma eu poderia ser usada por Deus para falar alguma coisa boa para alguém?"

Tive minha resposta em seguida, por meio de um pensamento que surgiu no momento: O meu pecado não pode atrapalhar minha missão. As vidas que precisam da salvação ou, mesmo cristãs que precisem de uma transformação, um alento, ou alguma coisa do tipo, não irão simplesmente ficar esperando cada vez que eu pecar.

O pecado atrasa minha caminhada cristã. Ele atrapalha minha comunhão com Deus e me impede de amadurecer mais na fé. Isso faz com que eu esteja a anos-luz de distância de onde Deus quer que eu esteja como pessoa, como cristã, e até mesmo no amadurecimento da minha missão. Mas, mesmo sendo tão pecadora como sou, enquanto cristã eu ainda tenho uma missão. Apenas se eu não aceitar o perdão de Deus e ficar remoendo a minha própria culpa é que essa missão vai ficar estacionada. No que depender dEle, vidas vão continuar sendo salva e transformadas através de mim, se eu estiver disposta a fazer o que Ele me disser para fazer.

O fato é que não estamos acostumados a esse tipo de perdão. Na melhor das hipóteses esperamos o perdão de uma pessoa algumas horas depois de a termos ofendido. Mas o perdão de Deus é muito semelhante ao das crianças.

Não sei se você já teve a oportunidade de presenciar uma briga infantil, mas na maioria das vezes o que acontece é o seguinte: as crianças estão brincando até que, por algum motivo, acontece uma briga. Elas ficam com raiva. Alguns minutos depois, talvez até menos de um minuto depois, uma delas resolve pedir desculpas. E, automaticamente elas voltam a brincar como se nada tivesse acontecido. Em algumas vezes elas se perdoam instantaneamente, sem nem mesmo uma delas terem pedido desculpas.

Deus age de forma semelhante a essa. Em sua plena santidade e amor que tem por nós, ele fica chateado quando pecamos. E ele anseia por nos perdoar. Quando tomamos coragem e pedimos perdão, ele esquece o que aconteceu, atira "nossos pecados nas profundezas do mar" (Mq 7:19b). E se nós aceitarmos que ele nos perdoou, Ele está disposto a continuar nos usando para a sua obra.

Em suma, aprendi uma lição importante naquele dia:

Eu tenho que buscar a santidade acima de qualquer outra coisa na minha vida, e é o que tento fazer dia após dia. Entretanto, minha natureza pecadora se manifesta algumas vezes e eu peco contra Deus, e contra mim mesma. Eu tenho que me arrepender do que fiz porque foi algo que me fez merecedora do inferno mais do que nunca, porque eu desagradei a Deus e fugi dos planos e propósitos dele para minha vida. Mas, mesmo não sendo digna do perdão de Deus, da salvação e menos ainda de servir a Ele, tenho que estar disposta a fazer a sua obra, a cumprir minha missão na Terra.

Tenho que oferecer-me a Deus como quem voltou da morte para a vida, e devo oferecer meus membros a Ele, como instrumentos de justiça. A minha missão pode ser realizada, apesar do meu pecado, quando eu me arrepender dele, porque "dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém" (Rm 11:36)

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