quarta-feira, dezembro 31, 2014

Sobre perspectivas e compreensão


Eu já falei aqui sobre o quanto meu ano foi fantástico, um dos melhores até hoje na minha vida. Mas vi alguns posts de amigos no Facebook onde relataram que 2014 foi um dos piores anos da vida deles.

No meu ponto de vista, o Brasil teve um ano péssimo, a presidente eleita para mim foi a pior escolha, escândalos eclodem a cada segundo, e até no futebol fomos humilhados. Mas os estrangeiros elogiaram muito a Copa do Mundo, evento o qual todos tínhamos um enorme medo de ser um fracasso.

O fato é que bom e ruim são conceitos relativos, subjetivos, extremamente pessoais. E, claro, circunstâncias diferentes trazem percepções diferentes, assim como experiências de vida e personalidade diferentes trazem uma perspectiva diferente.

Fico pensando que os anos de 2006 a 2012 com certeza foram anos excelentes para muitas pessoas, mesmo tendo sido o pior período que já vivi. O fato de 2013 e 2014 terem sido diferentes não pode me tornar cega ao fato de que foram anos ruins para outras pessoas.

Tendemos a generalizar as nossas experiências como a experiência de todos, e isso leva ao risco da incompreensão. Vi tantas coisas boas acontecerem comigo nos últimos dois anos que poderia simplesmente achar que, aqueles que não passaram pelo mesmo, estão sendo exagerados e sentimentalistas demais. Por que eu acho isso? Porque me lembro de gente torcendo para que o ano seguinte fosse tão bom quanto o anterior (nada de errado nisso), e julgando pessoas que sofreram muito no mesmo período de tempo.

Desejo um feliz 2015 a todos, melhor do que 2014 (tenha sido ele maravilhoso, ou não). Que a graça de Deus nos proporcione sorrisos mesmo nos dias mais escuros.

Até mais!

terça-feira, dezembro 30, 2014

Promessas de ano novo


Promessas de ano novo são, muitas vezes, motivo de piada. Quase ninguém cumpre o que planejou, e os planos se adiam para o ano seguinte. 

2014 foi um ano pouco produtivo aqui no blog, mas um ano de muitas realizações na minha vida - incluindo os planos de 2013 (que, na verdade, não eram muitos). 

Parte do problema está no fato de que incluímos sonhos nesses planos. Claro que muitos sonhos dependem de nossa atitude para serem realizados, mas diversas vezes vários outros fatores interferem para que eles não aconteçam - está além da nossa força de vontade.

Outra parte do problema é que adoramos procrastinar. E esses planos acabam sendo o "segunda-feira" em relação aos anos. Dizemos que vamos começar determinada coisa, mas nunca começamos. Temos que lembrar que o amanhã pode nunca chegar, e viver o hoje com a máxima intensidade que conseguirmos. 

A nós cristãos, devemos lembrar que podemos fazer planos, podemos sonhar, mas Ele nos dará a resposta final. Ele cuida do nosso futuro, podemos ficar tranquilos.

Para não me decepcionar, reduzi os planos de 2012 para 2013. E em 2013 estava tão extasiada com tudo que aconteceu, que simplesmente nem pensei em planejar nada para 2014. 

Ano que vem tenho alguns planos, importantíssimos para o rumo do resto da minha vida. Até porque estou agora reconstruindo e resgatando a vida que deixei para trás quando fui para os Estados Unidos. 

Espero que consiga cumpri-los com a mesma eficiência dos anos anteriores, mas sei que outros fatores interferem. Seja o resultado que for, sei que uma coisa não mudará - Deus continuará me surpreendendo com sua graça maravilhosa.

E que venha o ano novo!!

quinta-feira, dezembro 18, 2014

7 anos de Saudade



Dia 15, completou sete anos o seu aniversário de partida. E hoje o senhor faria 87 anos. Sinto saudades, vô.

Eu sei que estou escrevendo esse texto para mim mesma, mas eu só queria falar como se estivesse falando com você assim mesmo.

Demorei alguns anos para voltar a olhar lá para baixo de novo. Esses dias me peguei olhando para sua casa à toa, só me lembrando de coisas, tantas coisas. Quantas pessoas na Terra tem o privilégio de ter um avô tão fantástico igual a você? Bom, igual a você só quatro pessoas mesmo, porque nossa família é pequenininha.

Aprendi muito com você, vô. Em vida, você me fez ser sempre grata, e após sua partida aprendi muita coisa também. Você me ensina, mesmo não me contando mais histórias.

Seu menino cresceu, viu vô? Formou no Ensino Médio já, acredita? Queria que você estivesse vivo só para ouvir você falar: "ah, até lá já morri", quando ele contasse dos planos de faculdade. Queria que essa frase que você sempre dizia não fosse verdade agora.

Queria também saber o que o senhor acharia de eu namorar, noivar...e casar daqui a pouco tempo. Será que ficaria com ciúmes? Tenho certeza que o Gi se sentaria no sofá e teria longas conversas com o senhor.

O Jônata aprendeu a fazer costelinhas também, herança genética? A dele é dessas tipo de restaurante, não é igual a sua não, mas é muito gostosa também.

A sua falta ainda dói, embora não da mesma maneira que antes. A vida segue sem o senhor, mas seria melhor que estivesse aqui.


terça-feira, dezembro 16, 2014

Graça Para Quem?

"Tendo Jesus voltado de barco para a outra margem, uma grande multidão se reuniu ao seu redor, enquanto ele estava à beira do mar. Então chegou ali um dos dirigentes da sinagoga, chamado Jairo. Vendo Jesus, prostrou-se aos seus pés e lhe implorou insistentemente: 'Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, e impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva'. Jesus foi com ele. Uma grande multidão o seguia e o comprimia." - Marcos 5:21-24

Como é difícil tolerar fariseus! Eles podem aprender a viver pela graça, mas preferem ficar confortáveis seguindo as regras humanas que inventaram. É tão mais fácil se limitar por regras do que se arriscar na liberdade da graça!

Fico imaginando o quanto deve ter sido difícil para Jesus - além de ter que viver no limitado corpo humano, restrito tempo terráqueo, ainda tinha que ver a ignorância e teimosia do ser humano.

Seria um trabalho muito mais fácil chegar aqui e mostrar que as coisas só dão certo quando O seguimos. Ele poderia ter operado milagres apenas entre aqueles que afirmaram lealdade a Ele. Poderia ter feito a vida deles um mar de rosas, ao contrário de todos os outros.

Mas Jesus conhece os humanos, esses seres confusos e amedrontados. Bastava ameaçar a integridade física deles que logo mudavam de ideia e diziam não conhecer esse tal de Cristo. Basta não ser confortável que muitos desistem. E Ele sabe disso!!

Ainda assim, um líder dos fariseus - aqueles que queriam matá-lo - aproxima-se dele pedindo ajuda. A sua garotinha está morrendo e não importa o que ele foi ensinado, o seu status, as consequências. Ele ouviu falar que Jesus curou pessoas doentes. E sua menininha está morrendo. Sua última chance é ir atrás de Jesus.

E Jesus, o misericordioso Deus, Ele não quer saber o que Jairo tinha feito no passado. Jesus vê apenas um pai em profunda dor e desespero. Sem perguntas, Ele simplesmente acompanha o homem. Ele o ensina a não ter pressa, tem mais gente necessitada no caminho. Ele o ensina a esquecer a lógica, ainda que todos venham a rir de tão inocente fé.

O homem, Jairo, não sei o que se passava em sua cabeça. No caminho, será que pensou em desistir? Não seria errado negar tudo aquilo em que ele acreditava, trair sua fé? Como reunir forçar para acreditar em Jesus, mesmo após a notícia de algo irreversível, a morte? Poderia Ele fazer até isso? Ele prosseguiu, porém. Jesus sabia o que Jairo pensava, mas não disse nada. Nada precisava ser dito.

Ele curou a pequena menina, a ressuscitou. Logo depois, não houve uma intensa discussão teológica sobre o fato de os fariseus serem uns hipócritas. Jesus apenas pediu silêncio. Era a sua chance de provar aos fariseus como ele era bom, mas preferiu o silêncio. 

Eu tenho muito a aprender sobre a graça, talvez até mais do que os fariseus.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Carta para mim aos 5 anos (2)



Sabe, Dani, as pessoas crescem, isso é inevitável. E daí quando você cresce, se fizer tudo direitinho, pode ser que tenha a honra de ter amigos que são crianças.

Afinal, você sabe, não é qualquer adulto que mereça isso. A maioria deles é chata e entediante. Mas sempre tem aquele adulto legal que deu um jeito de continuar inteligente e interessante, além de divertido, apesar de adulto.

Mas, deixa eu te contar uma coisa, as crianças crescem. E, se já não fosse difícil passar por isso enquanto criança, é mais ainda quando se é um adulto.

Eu sei que é muita pretensão dizer que eu sou um desses adultos legais, mas você sabe o quanto se esforça para não crescer, não é? Então imagino que sou um desses. Tenho um número considerável de amigos crianças.

Mas, você vê? Eles crescem. E chega uma hora em que você é deixada de lado, porque criança esperta sabe que amigo bom mesmo é criança (ou porque as crianças crescem e já são adultas também...mas ainda não cheguei nessa fase). 

Às vezes eles ainda têm um carinho por nós, e sempre vão gostar de você, mas não é a mesma coisa. É um carinho que você sente por aquele ancião que era legal com você, ao contrário dos outros adultos.

E, por isso, devemos nos acostumar com esse ciclo maluco da vida. Até porque ser aquela tia legal nem é tão chato quanto parece. E porque sempre haverá a chance de brincar com novas crianças.

Atenciosamente,

Dani, você mesma, 26 anos, em dezembro de 2014

segunda-feira, dezembro 08, 2014

2014, ano de fins e (re)começos.


Hora daquela tradicional retrospectiva de fim de ano aqui. Apesar dos apenas quatro posts (cinco com esse - nunca antes publiquei tão pouco), nem chego perto de desistir desse meu cantinho aqui. Pode estar meio empoeirado, ter sido aparentemente substituído por outros, mas nunca nenhum ocupará o lugar do Trintaetrês. Aliás, publiquei pouco aqui, mas escrevi muito, terminei de escrever meu livro e já estou no processo final de edição.

Enfim...que ano intenso!!

Nessa época no ano passado realizei o sonho mais louco da minha vida. Só acredito que foi de verdade porque tenho fotos e provas escritas para comprovar.

E, apesar disso, esse ano melhorou mais ainda. Realizei meu sonho de visitar Nova York (e revi o Philip), fui à Washington DC também, Filadélfia, muitas cidadezinhas da Pensilvânia e Maryland...vivi intensamente essa minha experiência louca na América do Norte.

Tudo de lá vai ficar na minha memória para sempre, porque foi a coisa mais incrível que vivi até agora. Sei que virão dias ainda mais fantásticos, mas, até lá, as lembranças desse 2013/2014 certamente ocuparão um posto bem alto de coisas maravilhosas da minha vida.

E, de tudo que foi incrível, eu ter ganho uma nova família, bem longe da minha família original - foi realmente o ponto alto. Todos os dias desde que voltei para a terrinha sinto saudade dos meus gringos. Acho que essa saudade nunca passará, assim como nunca passava a saudade do povo aqui do Brasil.

Voltei e, graças a Deus, as coisas parecem estar se acertando pra Gi e eu. Nesses poucos mais de dois meses eu fui a shows, viajei, comi comida brasileira (mineira!), curti minha família e amigos, tudo na mesma intensidade que vivi lá nos EUA. Sei que essa empolgação não vai durar para sempre, mas não ligo. Estou curtindo cada segundo nessa volta para casa.

Se ano passado eu voltei a acreditar em sonhos malucos e impossíveis, esse ano aprendi a colocar coisas em prática. A fazer acontecer planos de anos e anos que eu deixava na gaveta por medo.

Deus, obrigada por 2014. Que 2015 seja ainda melhor (e vocês não têm ideia do quanto é bom desejar que um ano seja ainda melhor, depois de tantos e tantos anos tão difíceis)!

Bjim!

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Novos Projetos


O Trintaetrês surgiu como "Menininha" nos longínquos 2006. De lá para cá, muita coisa mudou no blog, e também comecei com novos projetos. 

Vieram histórias diferentes, por aqui, e linhas diferentes, em outros blogs. Admito que não sou a melhor no quesito manutenção de projetos, mas, graças a Deus, estou num emprego que me permite organizar minha paixão - escrever - com muito mais dedicação. 

Não estou divulgando isso em lugar nenhum, apenas para vocês, leitores do Blog. Aliás, esse post nem terá divulgação no Facebook, porque estou testando a mim mesma para ver se consigo manter tantos projetos paralelamente.

O Trintaetrês, obviamente, vocês já conhecem. Ele continuará a ser meu "carro-chefe", lugar onde publico minhas reflexões espirituais, falo sobre futebol, publico os raros poemas que escrevo, etc.

O Blog de Casamento está passando por reformulações. Além dos posts de dicas de cerimônia e recepção, também terei posts sobre decoração de casa e sobre vida de casados, além de criação de filhos.

O Porta-Histórias de Sofia voltará a ter mais posts. Sofia resolveu falar mais.

Agora, os dois projetos novos:

Crônicas do Coletivo, aquela série que comecei aqui, vai virar blog independente, um pouquinho diferente dos posts da série, porém. Começarei a fazer uns experimentos sociais e vamos ver no que dá.

Naquele Livro da Estante vai ter resenhas de livros e eventos literários, além de crônicas minhas sobre o ato de escrever.

Estou torcendo para que dê tudo certo, torçam comigo =)

Bjim!

Dani

quarta-feira, novembro 26, 2014

O diário de Lot - O imperdoável

"Sejam bondosos e demonstrem compaixão pelo próximo, perdoando-se mutuamente, assim como Ele perdoou vocês no Filho."


Eu não sabia o que fazer. Meu coração insistia que eu não deveria estar fazendo o que estava prestes a fazer. Minha mente gritava para eu parar enquanto fosse tempo.

Mas eu não consegui.

Eu simplesmente não consegui.

Yago tinha sido preso, acusado de estupro, ou, na verdade, pedofilia. A adolescente que foi sua última vítima engravidou, mas perdeu o bebê, assim como a própria vida, devido a uma grande hemorragia. Ela tinha apenas 12 anos. Ele, 36. E eu fui chamado para conversar com os pais da garota.

Durante esses anos eu me acostumei a ajudar pessoas em dificuldades diversas. Eu ficava feliz sempre que podia, de fato, ajudar. Por isso, não foi difícil conversar com Celso e Glória, pais da vítima de Yago.

Ok, foi difícil sim. Acredito que possa ficar cinquenta anos fazendo o que faço, e nunca se tornará uma tarefa fácil de ser feita.

O que dizer aos pais de uma menina que morreu por consequências de tamanha brutalidade? Eu nunca vou ter a resposta para esse tipo de pergunta.

L: Bom dia! Eu sinto muitíssimo pela perda de vocês.
C: Obrigado. Obrigado por conversar com a gente.
L: Imagina! É o mínimo que eu poderia fazer. Nesse momento, não há nada de fato que eu possa fazer que irá tirar essa dor de vocês, mas eu fiquei honrado com o convite.
G: Ela sempre admirou muito você, sabe, Lot. Sempre foi uma menina muito boa, muito gentil.
C: Ela ficaria feliz em saber que você está aqui, conversando com a gente.
L: Eu tenho certeza de que ela era uma menina preciosa...
G:...e é por isso que nós queremos que você converse com o moço que fez isso.
L: ... ... ... ... ... ... Oi?
C: Esse rapaz tirou o nosso bem mais precioso, mas ele também merece perdão, certo?

Eles olhavam para mim buscando a confirmação da pergunta. Eu fiquei sem palavras. Yago estava sendo preso pela terceira vez, pelo mesmo tipo de crime. Três adolescentes. Nunca demonstrou o menor arrependimento. Se sair hoje da prisão ele com certeza o fará de novo.

Pensei por dias antes de dar a resposta, mas meio que querendo ajudar esses pais "órfãos", aceitei ir à prisão para conversar com o indivíduo.

L: Olá Yago, meu nome é Lot e eu estou aqui para conversar com você, a pedido dos pais de sua última vítima.
Y: Bela introdução! Se está aqui obrigado pode ir embora, amigo. Aquela menina era muito linda para eu deixar passar. Se ela engravidou, bem, foi acidente de percurso.. Se morreu foi culpa da criança maldita, não minha.

Eu realmente não sabia se deveria continuar ali. Como tratar como humano uma criatura dessas?

L: Yago, eu não precisava ter vindo. Eu estou aqui porque quis.
Y: Ótimo, e o que veio fazer então? Falar um monte de baboseira e esperar que eu mude? Esse sou eu, eu gosto de menininhas. Eu gosto quando elas tentam fugir, quando gritam por ajuda. Aquelas mãozinhas pequenas, corpinho mudando de criança para adulta. Eu não vou mudar. Esse sou eu.

...

L: Alguém te falou que você não poderia mudar?
Y: Não, eu sei que sou assim. Quer dizer...eu não sei. Tanto faz! Pra que você quer saber disso?
L: Eu acredito que o que você fez é muito errado. Praticamente desumano, nojento. E eu menti. Eu não estou aqui porque eu quero. Quero dizer, sim, eu aceitei o convite, isso foi escolha minha. Mas na minha mente e coração acredito que não deveria estar fazendo isso...
Y: ...Então fique à vontade para ir embora, amigo. Eu não preciso de nada, só de umas menininhas.
L: Continuando, independente do que EU acho, vivo por uma mensagem que é ilógica e, hoje mais do que nunca, injusta.
Y: Que raio de mensagem você está falando, amigo?
L: Eu acredito que você merece condenação eterna, mesmo depois de morrer...
Y: É, você e todos...
L:...mas eu acredito também que eu também mereço. Eu acredito que os pais dessa moça mereçam. Até ela própria. O mundo inteiro...
Y: É, sua mensagem é muito estranha mesmo.
L:...mas eu também acredito, não porque estou apenas convencido intelectualmente que sim, ou que me sinta emocionalmente bem assim, mas acredito que há um Autor, o que criou essa Mensagem, que é capaz de zerar nossas fichas, de todos, independentes se somos bons ou não.
Y: Amigo, você bebeu antes de vir para cá?
L: Não. Veja só, Yago. Eu não faço ideia da sua história. O que sei é do seu presente. E, como ser humano, acho que você é um monstro covarde. Pela minha lógica e meu senso falho de justiça, você merece morrer, agora mesmo. Mas a mensagem, ilógica, como disse, me mostra que eu também merecia isso. Só que o Autor, mesmo sem merecermos nada, nos quer ao lado dele. Não só isso, ele quer nos adotar como filhos. Esquecer tudo o que fizemos. Seja mentir, ou estuprar uma garotinha inocente.
Y: Maravilha! Posso sair amanhã então? Quem sabe eu não ache umas meninas para me satisfazer?
L: Se você chegar a compreender um dia a mensagem, e o tamanho desse favor, você nunca mais será o mesmo.
Y: Então vou deixar para depois, amigo.

O tempo de visita acabou. Eu saí de lá com a certeza de ter feito o certo, mas me sentindo um fracasso. Celso e Glória choraram de alegria quando eu contei que tinha ido lá conversar com Yago. Disseram que a filhinha poderia descansar em paz.

Poderia eu, porém, descansar em paz? Nos noticiários, protestos em frente à prisão, ameaças a Yago, discussões na internet sobre a pena de morte. Notícias, também, de que ele havia sido espancado e abusado na cadeia.

Ele estava recebendo o que merecia. Estava? Às vezes, a mensagem torna as coisas complicadas demais.

Dois dias depois, recebi uma ligação. Yago queria me ver. Eu, cético, acreditava que ele me falaria qualquer coisa para escapar das torturas. Mas fui assim mesmo.

L: Oi Yago, você pediu que eu viesse aqui.
Y: Sim, não consegui parar de pensar no que me disse. É verdade que eu posso ser perdoado?
L: Achei que você tinha deixado essa decisão para depois.
Y: Deixa para lá, pode ir embora.
L: Eu ouvi o que fizeram com você.
Y: Já aconteceu antes, eu não me importo.

Respirei fundo.

L: Você pode. Mas isso significa que você irá mudar.
Y: Eu não posso! Esse sou eu, já falei! Sempre fui, só tinha medo do que aconteceria se eu fizesse essas coisas antes. Hoje não tenho mais. Se eu sair vou fazer tudo de novo.

...

Y: Você não disse que eu não precisava ser bom?
L: Se alguém te desse um presente, você cuspiria nessa pessoa?
Y: Não.
L: Se você continuar fazendo o que até você mesmo sabe que é errado, é a mesma coisa.

Ele começou a chorar. Cada vez que eu me sentia inclinado à compaixão, porém, eu me lembrava dos crimes dele.

Y: Eu entendo. Eu sou um monstro, como você disse. Eu não tenho perdão.

Poderia ser tudo encenação. Eu pensava que era. A voz dele carregava uma culpa, porém, fácil de detectar. Eu me lembrei que a premissa básica da mensagem é que o Autor não trabalha com meritocracia. Eu gosto da meritocracia. Todos nós gostamos, não? Mas a mensagem não diz isso. A mensagem simplesmente significa que não há nada de ruim que um ser humano possa fazer que faça o Autor nos amar menos. E nem nada de bom que possa fazê-lo nos amar mais.

Eu falei isso com o Yago. Conversamos com o Autor. Eu o abracei, meio sem querer, sem sentir. Condenação era tudo o que ele conhecia, inclusive por mim, mas naquele momento fiz diferente. E, acredite em mim, não foi porque eu sou um cara sensacional. Mas era a única coisa que eu podia fazer.

Yago cumpriu a pena integralmente. Mesmo com a possibilidade de regime semi-aberto, depois de um tempo, devido ao bom comportamente, ele optou por cumpri-la até o fim. Fez um acordo para receber tratamento psicológico e psiquiátrico ao invés disso.

Ele escreveu um livro, durante o tempo preso, onde me citou. Ele vendeu bastante e não manteve nada do dinheiro para si. Doou tudo para as vítimas e suas famílias. As duas meninas sobreviventes foram para a faculdade com esse dinheiro.

Yago também solicitou que ficasse com a tornozeleira de monitoramento da polícia. Toda vez que ele chegasse perto de locais com possíveis vítimas um policial era alertado e acompanhava seus movimentos. Ele também solicitou, e conseguiu, que fosse obrigado a fornecer feedbacks positivos todos os meses, para a polícia.

A história do Yago sempre me vem à mente quando tento imaginar a lógica da mensagem, e continuo convencido de que ela não existe. Ao menos não na lógica humana. O incômodo que eu sinto, toda vez que penso nele, apenas me lembra que eu sou falho no meu senso de justiça. E, como tal, nunca devo basear nesses parâmetros para fazer julgamentos.

terça-feira, novembro 11, 2014

Faça amor, não faça jogo - uma resenha (talvez)


Eu entrei num grupo de escritores sobre literatura. Aconteceu como acontecem as coisas na minha vida, assim, sem querer. Daí recebi a oferta de resenhar o livro do Ique, aceitei na hora.

O Ique não me conhece, de comum, só a cidade linda de nascimento. Eu fui à sessão de autógrafos do lançamento do livro dele. Era aniversário do meu pai e eu fui ao shopping para almoçar com ele e minha mãe (meu irmão estava fazendo prova do ENEM). Quando disse no Facebook que era aniversário do meu pai e eu iria levá-lo ao shopping o Ique curtiu o comentário.

Eu curti o almoço, daí cheguei atrasada para o bate-papo. Entrei na fila, comprei o livro. Quando voltei, um mundo de gente assistia o que o Ique tinha a dizer. Inclusive dois casais. Os dois moços ficaram atrás das namoradas, e protegiam o mundo delas. Mas eles tinham uns dez metros de altura cada e eu não chego a 1,70, e não gosto de salto. Na ponta dos pés, com meu All Star azul, eu tentava ver o Ique, e o pai dele. Quando vi o senhor Juarez eu fiquei muito feliz. Fiquei o resto do tempo escutando o que o Ique dizia, mesmo enxergando só as costas dos moços de dez metros de altura.

Daí, os autógrafos. Eu deixei meu pai andar na FNAC, porque nós dois somos apaixonados por livrarias. Vez ou outra ele voltava com alguma coisa legal para me mostrar. Atrás de mim uma menininha era entretida por um moço com nariz de palhaço, que a deixou desenhar numa caderneta. Chegando próximo à minha vez chamei papai, porque o queria na foto comigo e o Ique. Ele fazia graça do Ique abraçando as meninas e que não via nenhum moço tirando foto com ele. Eu mostrei, ele ainda assim meio que fugia, mas ficava na fila comigo para eu ficar feliz.

O Ique autografou o livro, e ele é muito legal, então escreveu um tanto, não só uma assinatura. Papai gostou da atitude. Daí a foto. Meu celular, com 1% de bateria, deu conta de duas fotos e morreu. Papai só apareceu na segunda, de olhos fechados.

Daí hoje li o livro, reli alguns textos do blog. Não ouvi as músicas - o livro vem com QR codes para você poder ouvir lendo os textos, igual ao blog, achei fantástica a ideia -, porque meu celular estava carregando (eu tenho que trocar de bateria). E antes de comentar sobre o livro (como se esses seis parágrafos não fossem o suficiente para uma super introdução), eu tenho que dizer que, provavelmente eu não sou a típica leitora do Ique. Claro que acho lindas as coisas que ele diz sobre o amor e acredito nelas, até porque tenho meu próprio "Ique". O nome dele é Giovanni e ele me fez acreditar de novo no amor. "Elas só querem alguém para sorrir junto", dizia o livro. E o Gi me faz sorrir junto com ele. Ele, que adora repetir frases de livros ou filmes sem nunca ter os lido, já dizia pra mim que a melhor parte não era ter me encontrado, mas viver ao meu lado todos os dias. Nós dois somos bobos sonhadores, e os textos do Ique me fazem identificar com ele, não sonhar com alguém que me diga o que ele diz.

Três coisas, porém, acontecem quando leio os textos do Ique: uma, eu volto à adolescência e leio essas histórias para a Dani de 14, 15 anos de idade, que não acreditava que alguém fosse gostar de menina que não gosta de salto, não é magra, usa óculos, ama futebol e Star Wars, além de ter a foto colada ao lado da definição de desastrada, no dicionário. Alguém que até tentou ser como as outras meninas, mas, é claro, não conseguiu - ainda bem! Eu leio para ela: "Você é de um. Ele, qualquer um."

A segunda coisa é que eu lembro do meu avô, e do meu pai. Meu avô morreu de câncer, e era como se fosse meu segundo pai. Quando leio os textos em que o Ique cita o pai dele ou têm versos escritos por ele mesmo, eu me derreto. Eu não choro, não por querer provar nada, mas porque nunca fui de chorar. Na época em que tentava ser igual às meninas que todos os meninos gostavam até tentei, mas não dava certo, era patético, até. Mas meu vô é uma saudade constante, e eu choro quando leio sobre o pai do Ique.

Ano passado estava nos Estados Unidos. O meu pai ficou doente. Era câncer. Ele fez a cirurgia, retirou o tumor todo. Um pouco antes de eu voltar, pneumonia. Minha mãe também ficou doente, infecção urinária e pedras nos rins. Duas amigas minhas perderam mães assim. Eu fico com medo cada vez que ela é internada. Mas daí eu lia o Ique: "Se você soubesse que hoje é seu último dia de vida, você passaria ele chorando?", e sorria.

A terceira coisa é que me vejo, como escritora, no que ele faz. De negar proposta de editora grande para fazer as coisas com amor (não que eu tenha recebido proposta alguma, na verdade). E a timidez, típica de escritores, na verdade. Deve ser por isso que só falei meu nome para o Ique assinar, e nada mais. Ah, claro, agradeci pela foto e o autógrafo.

Eu prometo, Ique, que não vou te contar o final do livro. Até porque odeio spoilers. Mas eu só agradeço pelos poemas lindos que escreve, que enche o coração de todos de esperança. E agradeço ao seu pai também, por ser quem ele é, um romântico "à moda antiga".

Em resumo, o livro é quase o blog escrito. Mas é livro, com cheirinho de livro e novidades tecnológicas. É a cara do escritor e com certeza vai agradar quem acompanha o blog, e fazer quem nunca leu o blog ficar com vontade de acompanhar. Eu, como leitora do blog e amante de livros, amei.


ps: Eu sofro de um problema, "pego sotaque" muito fácil. E isso acontece quando escrevo também. Acabei de ler "Faça amor, não faça jogo" e talvez devesse ter esperado para escrever. Mas se acharem que fiz o texto tentando escrever como o Ique, acreditem, não foi intencional.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

That impossible dream - career


Saturday, December 14th, 2013

I slept thinking that it was all a good dream and woke up with certainty that the dream was actually coming true. We had breakfast at home, hot cereal with yogurt, very taste, that Janet made. I couldn't finish my food, though. Philip was the official "dishwasher", he washed the dishes all the time (and I don't think it was because I was there).

- Have we decided if foxes eat oatmeal yet?
- I don't know, but leave it there that we decide later.

So my bowl with the oatmeal was there, half eaten. I hate wasting food, but I really couldn't eat anymore.

Philip had an alumni lunch, from Wheaton College, where he graduated. From there we would go to a play. We spent most part of the morning talking, mostly Janet and I, since Philip needed to get ready for the lunch. We even went for a walk in the neighborhood.

What an amazing person is Janet! I was already fascinated for her person from what Philip had written, but she was the character, now she was a real person in front of me. Even though I was fascinated by Philip, we sord of knew each other more, because of the emails exchanged over the years. I started emailing her after Wild Goose Festival, but it was this weekend when I really met her. You don't need to be married with her to want to talk about her. The Yanceys couple is truly fascinating.

She showed me the famous mountains that she climbed, the house where they had lived before, asked me questions, showed me where a female elk died and was not eaten by any animal, just stayed there until it completely decomposed. It was only it bones there, but the snow had covered.

She also showed me a barrel and explained to me that the sand that was in there was to creat friction for the cars and especially for the delivery trucks, so they could drive more safely.

She explained me that the kids in Colorado have outside classes where they learn the difference between the Evergreens. And she taught me how to.

It was indeed a wonderful morning with Janet. When we got home she told Philip about the covered elk.

Before the lunch we stopped in a mountain. Red Rock, or something like that. It was an arena that hosted several famous concerts over the years.

We arrived at the lunch place, and there were those little name tags. Philip saw some friends and introduced me to them.

- This is Dani, she is our friend from Brazil.
I am the Yanceys friend, la la la
- Nice to meet you, blsakhejsh?
- Sorry?
- She is going to be a writer, that is how we met each other.
Ok, I think I might be the same color as the Christmas decorations now.
- And what you are writing about?
Am I really talking about my book?
- Right now I am working in a book about grace, about how we can see it in different aspects of our lives.

Philip was looking at me like a proud father while I was talking.

At lunch we met Julie, a middle-aged lady that lived in Japan for over 20 years. She beat cancer twice, and now was in treatment again. She had an East accent, even though she was actually American. Both of them were really friendly. I talked "professionally with the husband, he also asked about Brazil and was pretty interested in what I was saying. I didn't talk that much to her, but her simplicity and joy of living was pretty impressive, she radiated gratitude. I am just passionated about cancer stories, I can't help myself.

Sitting with us were also two girls, sisters. One went to Wheaton, the other was her sister's guest. They spent the whole lunch talking to Philip, they were all vaults talking to him, just like me, and he was all friendly as always.

There was also a lady, Thereza, and her son, that was finishing his Masters in some famous Opera college that I forgot the name. And another guy, who was married and unemployed. Thereza knew Philip, he told me by the end of the day, in the car how did that happen. They gave the unemployed boy indications of places to get a job.

I don't remember to meet anybody else, other than the speaker - which I was introduced by the-Yanceys-friend-who-came-from-Brazil-and-want-to-be-a-writer - but I suspect that I sat in the coolest table there.

The lunch was little sandwiches and for desserts little typical American cakes.

Then, the play. What a production! From the little kids to the old man who was Mr Scrooge, all excellent actors, perfect soundtrack, a cultural event for anyone find fault. Isaiah 9:6 reading by a little boy some time in the play.

Sitting behind us was the Japan couple. At lunch, Janet said how she liked there, and I was amazed. I was "forgeting" that I was guest of a couple who traveled all around the world. Talking about that sometime during the day, Janet must noticed the twinkle in my eyes, because she said that I should travel all around the world some day and actually she afirmed, "who knows, some day you could do it". I was a writer, after all.

But Julie was an amazing person that I wanted to know better. She wished me a Merry Christmas and good times here in the US, not because she had too, because I could hear the honesty on her words, to actually really wish me all happiness in the world. I really wanted talk to her more, she must be an incredible human being.

After the play we went to a walk around Denver. First stop was a street market, Christmas themed. We ate fresh chestnuts, looked for Janet's sister ornament. Janet peeled some chestnuts, gave to me and offer to Philip also.

- No, thank you.
- Aren't you hungry?
- I peel my own chestnuts. It makes me feel more useful.
Male ego and the constant need of self-approval, present in the best men, hahaha.

We went to take a picture in the big blue bear. Philip took the picture.

Then we went for dinner in a brazilian restaurant called Cafe Brazil. The owners were Colombian, though. The music was hispanic. The menu was Brazilian - headlining Feijoada and Caipirinha. I ordered a chicken Feijoada, Janet did the same. Philip wanted the traditional Brazilian Feijoada. I also ordered a mango juice, which was delicious. Before dinner they gave us a papaya "soup", that had onions on it and something else. It was to make our stomaches ready for the Feijoada. But it was too spicy, didn't finish the first spoonful. They loved the food, but didn't order any desserts. Philip was thinking about the pecan-pie that was at home.

- He loves desserts!
- Yes, I do!
Commonality!

Wen we got home he ate the pie, but I couldn't eat anything else. He said, "somethings just don't get out of your mind, you know?", and ate his pecan-pie with all the happiness in the world, even though he was saying that was being impolite in front of the guest, just because he was eating when I didn't want to eat. I said that there was no problem. We talked more about my future as a writer, my plans when I come back to Brazil, it was a good time.

He told me about Thereza (from lunch). He talked a few years ago about loving our enemies and showed a picture about an Al-Kaeda guy talking: "those are our enemies". Her husband had an idea then, to develop a website with pictures of terrorists, called "Adopt a terrorist to pray". I have read about it in one of his books and then realized that I have talked to one more character of his books.

Philip checked my Facebook, each one of the posts and then commented in one of the pictures that I posted to thank them because I was there.

I have a comment from Philip Yancey on my timeline!

- Thank you to teach me how to use this, I will follow you to check how you are.

!!!!!

- So, have you ever translated in public, Dani?
- Ahn?
- If I was going to visit you and speak somewhere, would you translate me?
=O
- Oh, no, never translated in public. Just the conversations between my mom and my host mom.
- So they talk to each other?
- Yeah, and I translate both ways.
- Oh, I see. She says: "she is highly irresponsible" and you translate as "she is highly responsible". She says "she is terrible with the kids", and you say "she is great with the kids", like that, right?
- hahahahahahaha, no, I do translate right, but she actually really likes me.

After a long time talking we went to sleep, the last day was coming. It is funny how the time seemed to go to fast and endured forever at the same time.

Sunday, December 15th, 2013

So there was the last day. The day before Philip said that he wouldn't spend the whole day with us and Janet told me to pack up, because we probably wouldn't come back home after church.

I woke up really early, so and was enjoying the room and remembering every single moment, trying to absorb the dream that was true. I looked through the window and watched the Colorado mountains. Thought how nice it would be if I could live there.

I talked to some friends through Facebook, got dressed, packed up, cleaned my room. I went downstairs and there was Philip. I think I could spend one thousand days with them and I would still think that was super cool to see Philip drinking his coffee in his living room.

That last day Philip cooked the breakfast, omelet with ham and cheese. I am used already to this kind of American breakfast, so I happily ate it. Actually, that was the first time that I was hungry since I got there. The altitude messed up with my stomach a little. After that Janet peeled a mango for me and I ate more than a half of it.

After that they went to get dressed for the day. Philip came back first, so I took the courage to ask him to sign the books that I brought with me in my backpack. I put one extra name because I guessed wrong, so he readily went to his office and got one more book and signed. I didn't want to bother him, but he really enjoyed what I did. He asked me to not put the books away so he could show Janet how much books I got him to sign.

Before that he had given me his newest book "The question that never goes away", that was released only now in the US, but it was already in England (therefore, would be with British spelling,  in other words, perfection - Philip's book in British English). He also gave me a book to give to my host mother, in appreciation for letting me go there.

I bought them some presents, that didn't get home before I went there, but I wrote some cards.

- Awe Dani, you ARE a writer - a bilingual one!

He told me more about the other house that they had before, the one right in the middle of the mountains.

- Life is full of losses and gains, Dani. We lost our mountain, but we got this creek. You lost the daily contact with your family and fiancé, but here you are, living amazing things.

Because he wouldn't spend the whole day with us, we went in different cars. Janet in one, Philip and I in the other. A gentleman as he proved to be everyday that I was there, he opened the car door for me, and we were talking in the car going to the church.

My life mentor was indeed giving me tips for everything, and we were also talking about nothing, like two friends would do. We talked about my instropection as well.

The service was really nice. So there I was, singing and listening to the pastor, next to the Yanceys. I think this kind of everyday things were the most amazing things about this trip. The "profesional"conversations on Saturday were really awesome, but the everyday of people that you admire so much was something truly amazing that I was able to see it.

After the service Philip said goodbye. He would go to the mountains to finish his new book, he wanted to finish last month yet. I thought that the farewell would be totally different. But I goodbye to him like if I was doing that with some friend that I would see again soon, even though I have no clue when I am going to see him again.

Janet and I went back to her car, where we talked until we got into the mall where we would have lunch.

- The fact is, Dani, God made you brazilian for a reason. You might not live there forever, but that's where he wants you for now. And you will make History no matter where you are.

I was not talking bad about Brazil, though. She kind of say that in the middle of our conversation and that actually deeply moved me.

I had a slice of pizza for lunch, she bought a candy popcorn bag to eat in the car and we went to the airport. Same feeling in the farewell that I had with Philip.

In the airplane, everything was becoming clear in my mind, I was finally realizing what just happened to me. You know when you are working out and just realize how tired you are when you actually stop? It was kind of the same thing those days, living in a paralelal world inside the paralelal world that is already to be living in the USA.

I said on my first post about it and say it again. God wants us to dream. Actually, everything that I described with less words that would be enough to describe everything, is much much more that I could possibly dream. The grace of God is not only surprising, it is priceless. It is not for free because God is a nice guy only, because even if we wanted to pay for it, we could never do it. And it is not present only because of our salvation (which would be more than enough), but in every step, in every moment of our lives, in every breath.

It is about this illogical, inexplicable, irresistible and surprising grace, the theme of the book that I am writing. The first half of it came to paper after I met Philip in person, the second is to come, even more inspired.

I will always be grateful to God for the opportunity to meet Philip and Janet, since when I was 13 and read his first book, until now, when they call me their friend. God is just awesome and his love is extraordinary.






terça-feira, dezembro 31, 2013

Retrospectiva 2013


Chegou aquele meu momento de fazer a retrospectiva do ano. Comecei esse blog em 2006 e nunca tive uma retrospectiva realmente maravilhosa para escrever. Foram anos difíceis desde aquela época, textos difíceis de escrever, pois eram momentos doloridos que precisavam ser revistos.

Mas nesse ano, eu, a especialista em sonhos frustrados, vivi o inimaginável.

Um ano perfeito não significa que não passei por momentos difíceis, porque passei, e como - de estrangeira desamparada nos EUA à distância da minha mãe que adoeceu, sem mencionar a saudade estratosférica do Gi e dos momentos que ainda nem vivemos.

Só que como num jogo de futebol de final de copa do mundo, numa dessas em que o Brasil ganhou contrariando todas as expectativas; meu ano virou o jogo.

Eu dediquei posts exclusivos a isso, mas não poderia deixar de falar mais uma vez. Eu não apenas conheci pessoalmente os Yanceys, eu me tornei amiga deles.

Eu tive um grande progresso na escrita do meu livro e ganhei amigos incríveis de algumas partes dos EUA e do mundo. Meus amigos do Brasil se fizeram presentes, mesmo à distância.

Eu comprei coisas legais com meu dinheiro, ganhei presentes maravilhosos e conheci lugares incríveis. Ganhei uma nova família, pessoas maravilhosas que vão estar pra sempre em meu coração.

Eu li livros em Inglês, aumentei minha biblioteca (e ganhei minha primeira estante que me aguarda no Brasil).

A lista, na verdade, poderia continuar por dias...a mesma graça que esteve presente nos últimos e sombrios anos da minha vida me surpreendeu esse ano. Meu coração machucado foi cicatrizado de tantos sonhos frustrados, por sonhos que se tornaram realidade (alguns deles que nem ousaram virar sonhos de fato).

2014 está batendo à porta. Tenho planos, mas não sei o que me espera. Confio na graça de Deus, porém, que está sempre comigo e não falha, sejam anos felizes ou tristes, eu posso terminar meus anos em paz sabendo que Ele está comigo sempre.

Dizem que a gente só aprende quando sofre, eu discordo. De fato aprendi muito nos últimos anos, e em todo sofrimento que passo eu aprendo mais. Mas também podemos aprender quando coisas boas acontecem. Na verdade, estar perto de Deus quando está tudo bem é um desafio a mais, aprendemos a estar com Ele não apenas quando precisamos dele - não que exista um tempo que não precisemos, mas existem tempos em que podemos andar com nossas pernas e viver como se não precisássemos - mas em todo tempo.

Não preciso entender todos os porquês do mundo, só preciso confiar em Sua graça - em sua imprevisível, surpreendente, ilógica, inexplicável e maravilhosa graça. Eu só preciso sonhar.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Aquele sonho impossível - Carreira


Sábado, 14 de Dezembro de 2013

Dormi achando que estivesse sonhando e acordei confirmando que o sonho estava acontecendo de verdade. Tomamos café em casa, um cereal quente com iogurte, muito gostoso, que a Janet fez. Não consegui terminar meu prato. O Philip é o lavador oficial de vasilhas, lavou todos os dias em que eu estava lá (e não só porque eu estava lá).

- Já decidimos se raposas comem aveia?
- Não sei, pode deixar aqui que a gente decide mais tarde.

Minha vasilha com o cereal ficou lá pela metade. Eu detesto desperdiçar comida, mas realmente não conseguia terminar.

Philip tinha um almoço de ex-alunos da Wheaton College naquele dia, daí iríamos com ele e depois à uma peça de teatro. Passamos a manhã conversando, maior parte do tempo Janet e eu, já que Philip precisava se arrumar para o almoço. Saímos inclusive para uma caminhada pela vizinhança.

Que pessoa incrível a Janet é. Eu já era fascinada por ela pelo que o Philip escrevia, mas ela era uma personagem, agora eu estava conhecendo a pessoa. Por mais fascinada que estivesse em conhecer o Philip, pelos e-mails que a gente trocava há anos eu me sentia mais íntima dele. Eu tinha começado a trocar e-mails com ela recentemente, depois do Wild Goose Festival, mas foi nesse fim de semana que a conheci de verdade. E nem precisa ser casado com ela pra querer escrever sobre ela. O casal Yancey é realmente fascinante.

Ela me mostrou as montanhas famosas que eles haviam escalado, onde ficava a casa antiga que eles moravam, me fez perguntas, mostrou o local onde uma alce fêmea morreu e não foi comida pelos pássaros ou por nenhum animal, só ficou lá até se decompor por completo. Eram só os ossos, mas a neve cobriu.

Mostrou um barril e me explicou que a areia que tinha dentro era pra ser jogada na estradazinha, pra criar atrito pros carros e principalmente caminhões de entrega poderem trafegar com mais segurança.

Explicou que as crianças do Colorado têm aulas ao ar livre onde aprendem a diferença entre os pinheiros. E me mostrou como diferenciá-los.

Foi uma manhã maravilhosa ao lado dela. Chegando em casa ela contou ao Philip sobre o alce que foi coberto pela neve.

Antes de irmos ao almoço paramos numa montanha, Red Rock ou algo do tipo, onde uma arena foi sede de vários shows de bandas super famosas ao longo do tempo.

Chegamos ao local do evento, onde tinha aquelas etiquetinhas com nomes. Daí Philip reviu alguns amigos e eu fui apresentada a eles.

- Essa é a Dani, nossa amiga do Brasil.
Sou amiga dos Yanceys, tra la la la la
- Muito prazer, blalwfjwu?
- Oi?
- Ela vai ser escritora, foi assim que a gente se conheceu.
Eu imagino que devo estar da cor dos enfeites de natal agora.
- E o que você está escrevendo?
Eu estou falando mesmo sobre meu livro??
- No momento estou trabalhando em um livro sobre a graça, como eu consigo vê-la em diferentes aspectos das nossas vidas.

Philip olhava pra mim com um olhar de pai orgulhoso enquanto eu falava.

No almoço conhecemos Julie, uma senhora de meia idade que morou com o marido no Japão por mais de 20 anos. Ela venceu o câncer duas vezes e estava em tratamento de novo. Ela tinha um sotaque meio oriental para falar, apesar de ser mesmo americana. Os dois eram super simpáticos, conversei "profissionalmente" com o marido e ele me fez várias perguntas sobre o Brasil, ficou bastante interessado. Com ela conversei menos, mas a simplicidade e a alegria de viver eram impressionantes, ela radiava gratidão. Eu sou simplesmente apaixonada por histórias de câncer, é inevitável.

Na nossa mesa também tinham duas meninas, irmãs. Uma foi pra Wheaton, a outra era a convidada da irmã. Elas passaram o almoço todo conversando com o Philip, elas bobas igualzinho a mim conversando com ele e ele conversando com elas super simpático como sempre.

E tinha mais uma moça, Thereza Linn com seu filho, que estava fazendo mestrado em Ópera em alguma faculdade famosa que eu esqueci o nome. Além de um outro rapaz, casado e que estava desempregado. Thereza conhecia o Philip, ele me contou no fim do dia no carro de onde se conheceram. Na mesa deram indicações de locais pro jovem conseguir emprego.

Não me lembro de ter conhecido mais ninguém no almoço, a não ser um dos palestrantes, esse a qual fui apresentada como amiga-dos-Yancey-que-veio-do-Brasil-e-vai-ser-escritora, mas desconfio seriamente que sentei na mesa mais legal.

O almoço era sanduíche natural com salada e de sobremesa uns bolinhos típicos americanos.

Fomos para a peça de teatro, que produção incrível! Das criancinhas ao velhinho que fazia o Mr Scrooge, todos excelentes atores, e a produção em si era impecável, efeitos maravilhosos, trilha sonora perfeita, evento cultural para ninguém botar defeito. Leitura de Isaías 9:6 por um menininho em determinado momento da peça.

Sentado atrás da gente estava o casal que morou no Japão. No almoço Janet tinha comentado sobre o que tinha gostado de lá, e é claro que eu ficava maravilhada. Eu "esquecia" que estava na casa de um casal que já viajou pra boa parte do mundo. Em determinado momento do dia, falando sobre viagens com a Janet, ela percebeu meu brilho nos olhos e disse que eu deveria viajar o mundo inteiro um dia, e ainda afirmou que quem sabe um dia eu não faria isso? Eu era escritora, afinal de contas.

A Julie é uma pessoa incrível que eu queria ter tido mais tempo de conversar. Ela me desejou feliz natal e boa estadia nos EUA até eu voltar pra casa, não por formalidade, porque dava pra notar a sinceridade dela ao realmente me desejar toda felicidade no mundo. Eu realmente queria ter tido mais tempo de conversar com ela, pessoa realmente incrível.

Saímos da peça de teatro e fomos dar uma volta à pé por Denver. Primeira parada foi num mercado de rua, especial pro natal. Comemos castanhas cozidas na hora, procuramos pelo enfeite da irmã da Janet. A Janet descascou umas castanhas, me deu e ofereceu ao Philip.

- Não, obrigado.
- Não está com fome?
- Eu prefiro descascar minhas castanhas, me faz sentir mais útil.
Ego masculino e sua necessidade de auto-afirmação, presente nos melhores homens, hahaha.

Fomos tirar foto num urso gigante que espia um prédio de vidro, ponto turístico pra fotos famoso por lá. O Philip tirou a foto.

Depois de andar pela cidade fomos jantar num restaurante brasileiro chamado Cafe Brazil. Os donos eram Colombianos. A música era hispânica. O menu era brasileiro - atração principal Feijoada e caipirinha. Pedi uma feijoada de frango, Janet também. Philip pediu feijoada completa. Eu pedi um suco de manga pra acompanhar, que estava uma delícia. Antes da feijoada servem uma "sopa" de iogurte de mamão com cebola e sei lá mais o que, para acalmar o estômago pra feijoada. Era extremamente picante, não terminei nem a primeira colher. Os dois amaram a comida, mas não pediram sobremesa, Philip queria a torta de noz-pecã que aguardava em casa.

- Ele adora sobremesa!
- É verdade.
Ponto em comum \o/

Chegando em casa ele comeu a torta, mas eu não aguentava comer mais nada. Ele falou: "tem dias que certa coisa não sai da sua cabeça, sabe?", e comeu a torta na maior felicidade do mundo, mas dizendo que estava sendo mal-educado na frente da visita, por comer quando eu não estava comendo. Eu disse que não tinha problema. Conversamos mais, falamos mais sobre o meu futuro como escritora, minha vida e planos no Brasil, foi um tempo muito bom.

Ele me contou da Thereza (do almoço). Ele deu uma palestra há alguns anos falando sobre amar nossos inimigos. Mostrou uma foto da Al-Kaeda falando, "esses são nossos inimigos". O marido dela estava na plateia e decidiu criar um site com fotos de terroristas chamado "adote um terrorista para oração (https://atfp.org/)". Você vai lá e adota um terrorista para oração. Li sobre isso em um de seus livros e me dei conta que conversei com mais uma das personagens de seus livros.

Philip olhou meu Facebook, cada postagem. Publicou um comentário em uma das minhas fotos agradecendo por eu estar lá.

Eu tenho um comentário do Philip Yancey no meu Facebook!

- Obrigado por me ensinar a mexer nisso, vou acompanhar seu Facebook para saber como você está.

!!!!!!!!!!!!

- E você já traduziu em público, Dani?
- Ahn?
- Se eu fosse te visitar e falasse em algum lugar, você me traduziria?
=O
- Ah, não, nunca traduzi em público, só as conversas da minha host mother e minha mãe.
- Elas conversam?
- Aham, e eu fico traduzindo os dois lados.
- Ah, sei, ela fala: "ela é muito irresponsável", você traduz: "ela é extremamente responsável". Ela fala: "ela é péssima com as crianças", você diz: "ela é ótima com as crianças", por aí, né?
- hahahahahahaha, não, eu traduzo direitinho, mas ela gosta de mim, hahaha.

Depois de muita conversa fomos dormir, o último dia estava chegando. Engraçado como o tempo parecia estar passando muito rápido e parecia estar durando pra sempre, ao mesmo tempo.

Domingo, 15 de dezembro de 2013

Então, o último dia tinha chegado. No dia anterior Philip tinha comentado que não passaria o dia inteiro com a gente e Janet falou pra eu arrumar minhas coisas porque da igreja a gente não voltaria mais pra casa.

Portanto, acordei muito cedo, e fiquei só curtindo o quarto e relembrando cada segundo, tentando absorver o sonho que era realidade. Olhei pela janela e vi as lindas montanhas do Colorado. Pensei no quanto seria legal morar por lá.

Conversei com uns amigos no Facebook, troquei de roupa, arrumei as malas e o quarto. Desci e era o Philip que estava lá. Poderiam ser mil dias que acho que ainda achar super legal acordar e ver o Philip tomando café no sofá da sala dele.

Nesse último dia Philip fez o café da manhã, omelete com queijo e presunto. Já estou quase acostumada com a cultura americana de comer esse tipo de coisa de manhã, então comi feliz. Na verdade, estava com fome pela primeira vez desde que cheguei. A altitude atrapalhou meu estômago um pouco. Depois disso a Janet descascou uma manga pra eu comer, comi mais da metade.

Depois do café eles foram se arrumar para sair. Philip voltou primeiro e eu tomei coragem e pedi pra ele assinar os livros que eu trouxe na bagagem. Coloquei um nome a mais porque calculei mal, ele foi no escritório buscar mais um e assinou. Eu não queria incomodar, mas ele achou super legal o que eu fiz. Pediu pra eu não guardar os livros pra mostrar pra Janet o tanto de livro que eu tinha trazido para ele assinar.

Antes disso ele já tinha me dado o livro dele de lançamento "The question that never goes away", que vai lançar aqui só em Janeiro, mas já foi lançado na Inglaterra (essa edição era com inglês britânico, portanto, ou seja, a perfeição - livro do Philip em inglês britânico). E um outro pra levar pra minha host mother em agradecimento por ter me deixado ir pra casa deles.

Eu comprei uns presentes pra eles que não chegaram a tempo de eu levar pra lá. mas escrevi uns cartões.

- Own, você é uma escritora, Dani, uma escritora bilíngue!

Ele comentou mais um pouco da casa que eles tinham que ficava literalmente no meio das montanhas.

- A vida é cheia de perdas e ganhos, Dani. Perdemos a montanha, mas ganhamos esse riacho. Você perdeu o contato diário com sua família e noivo, mas está aqui vivendo coisas incríveis.

Como Philip não passaria o dia todo com a gente, fomos em carros separados. Janet em um carro, Philip e eu em outro. Cavalheiro como ele tinha se mostrado todos os dias, abriu a porta do carro pra mim e a gente foi pra igreja conversando no carro.

O meu mentor pra vida estava de fato me dando dicas pra tudo, e estávamos conversando coisas nada a ver também, como dois amigos fariam. Conversamos sobre minhas características de introspecção.

O culto foi super bacana. Lá estava eu na igreja, cantando e ouvindo a pregação, ao lado dos Yanceys. Acho que o fato de eu ter vivido essas coisas cotidianas foi uma das coisas mais incríveis dessa viagem. As conversas profissionais durante o sábado foram realmente incríveis, mas o cotidiano de alguém(ns) que eu tanto admiro foi algo que eu realmente fiquei maravilhada em poder viver.

Após o culto, Philip se despediu. Ele ia sair da cidade e ir pras montanhas pra apressar a escrita do seu novo livro, ele quer terminar esse mês ainda. Eu imaginei que a despedida ia ser muito diferente, mas eu me despedi com a sensação de que estava me despedindo de um amigo que eu logo veria de novo, mesmo não tendo ideia de quando vou ter a chance de vê-lo novamente.

Janet e eu voltamos pro carro, onde fomos conversando a caminho do shopping onde iríamos almoçar.

- O fato é, Dani, que Deus fez você nascer brasileira por um motivo. Pode ser que você não more lá para sempre, mas Ele te quer lá por enquanto. E você vai fazer história onde estiver.

Não estava falando mal do Brasil, acreditem, ela soltou isso meio que do nada mesmo.

Almocei uma fatia de pizza no shopping. Ela comprou um pacote de pipoca doce e fomos pro carro, em direção ao aeroporto. Na despedida dela tive a mesma sensação que tive ao me despedir do Philip.

No avião a ficha começou a cair de tudo que eu tinha vivido. Sabe quando você faz atividade física por um longo período e só percebe o cansaço quando para? Foi mais ou menos assim que vivi esses dias, vivendo em mundo paralelo dentro do mundo paralelo que já é estar vivendo aqui nos EUA.

Eu falei no primeiro post e repito, Deus quer que sonhemos. Na verdade, tudo o que vivi e que registrei com muito menos palavras que seriam suficientes para descrever tudo, é muito, muito mais do que eu jamais ousei sonhar. A graça de Deus não é só surpreendente, ela é impagável. Ela não é de graça apenas porque Deus é bonzinho, mas porque mesmo que quiséssemos pagar por ela, nunca teríamos condições. E ela não existe apenas na salvação (o que já seria muito mais que suficiente), mas em cada passo e momento de nossas vidas, a cada vez que respiramos.

É sobre essa graça ilógica, inexplicável, irresistível e surpreendente, o tema do livro que estou escrevendo. A primeira metade veio para o papel graças ao meu primeiro encontro com o Philip, a segunda está por vir, ainda mais inspirada.

Eu sempre serei eternamente grata a Deus pela oportunidade de colocar o Philip e a Janet na minha vida, desde os meus 13 anos, quando li o seu primeiro livro, até agora, como amiga deles. Deus é incrível e seu amor é extraordinário.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

That impossible dream - the Yanceys


Those days' report is the most accurate that my memory let me do it. Also, I would let you know that for the first time I'm doing something that I don't do not even when I am writting - I am exposing my thoughts during a conversation (not that this is somet thing absolutely fantastic and could change the human race destiny, but I would like to let you know anyway).

December 12th, about 00h, local time.

I got off the plane and went to the bagage claim. Among the several little signs with names was a couple who didn't need them for me to recognize them. Waiting with a big smile there they were - Philip and Janet Yancey. So it was happening after all.

On the way home they showed me some city views, but it was late, I would see that much better on the next day.

- I don't know what you ate, but there is a bag next to you, where you can find some snacks, and a watter bottle is here - said the sweet Janet.

At some point they asked me if I drink coffee and I said no.

- I thought that you were from Brazil. - said Philip
- Yeah, I get that alot.

We arrived at their house - a stunning vision, even at night.

- We will treat you as family, the front door is locked, let's get in by the garage. - said she.

Well, the fact that I was in their house was itself so fantastic that I could sleep on the living room couch and would be unforgetable days anyway, but no, I had a whole level just for me.

A part of Philip's library, with his books translated in different languages. And there were my old fellows, the Portuguese books.

My room had bathroom, a closet with warm clothes, tv, water and more snacks. The doorway was just like those princesses movies, with two doors and everything. My heart was still beating fast but I needed to sleep, on the next day the adventure would actually begins.

Friday, December 13th

I woke up, got ready for the day and went downstairs. There he was, taking a coffee on the living room.

- Good morning, Dani! (They actually call me "Doni", not "Deni", as most of my american friends)

So I am at Philip Yancey's house, the author of my favorite books. Ok, calm down! Look at this view! I would write a whole entire book just to talk about this view!

- Do you want tea? Hot chocolate?
- Do you have juice?
- Yes, berries or apple?
- Apple, please.

Yep, Philip is serving me juice!

Janet came just after that and also said good morning. He went to get ready and she saw me looking at their pictures and told me about her sisters.

- We will take breakfast in one of our favorite restaurants, they are a traditional Colorado's place.

We went for breakfast and they were talking about the landscape with me, I was remaining in silence. I was really trying to say something, but everything that they were saying impressed me by their generosity and the views would make even the most extrovert of all mute.

- And here is where I go sometimes when I want a quiet time to write.
- No wonder why, it's beautiful!
- I know!

At the restaurant I was introduced as a friend from Brazil and Philip described the menu to me.

- He loves mashed potatoes!
- Yes, I do

I know his favorite food now!

On the prayer before we eat, he thanked God for my life and my safe flight.

We talked a bit about my life here in the US, my English, among other things. I was trying to answer with more words and ask questions, but I was still shocked to have breakfast with them - the author and the character of my favorite books.

The pancake that I order could feed easily five people. My stomach was not fine, maybe because of the altitude, so I ate probably only one third of it.

- Can I taste?
- Sure!

haha, Philip Yancey eating from my plate.

The waitress later asked me if I wanted a box and I knew that I wouldn't eat, so I said no.

- Since you are not getting any boxes, I'm going to get another piece, it is really good!

There was this baby there. When was the time to leave they both talked to the mom and the baby.

- You are going to have a funny hair just like mine when you grow up.

Then we went back home to get a few things for the rest of the day.

Philip was downstairs at his office.

- Hey, Philip, are you downstairs?
- Yes;
- Can Dani come over there and you show her your office?
- Sure!

When I got there he told me that there was where he worked and showed me everything.

When you get there, at your left there is a dictionary, I think, with a big magnifying glasses, on the other side is his table and computer, some pens and books. In the middle several bookshelves with his more than five thousand books. On the walls pictures of him interviewing famous people, beautiful landscapes.

He started talking about a picture of him interviewing president Clinton - he worked at Christianity Today at the time.

- And those are my books!
- I love books!
- Yeah, I know.

Then he showed me this landscape amazing pictures.

- We used to live here, see this little black dot? That was our house. All those picture were taken there.
- It is a beautiful place.
- Yes, it is.
- And here another president interview. What's your favorite american president?
If I tell that is Roosevelt because of "Night on the museum" would be weird, and I could say Obama because of the immigration laws, but most american don't like them.
- I...don't know.
- Hehe, it's ok. Well, here is where I work, did you like it?
- It's amazing!
- Let's go meet Janet upstairs?
- Aham.

We sat on the couch in front of the fireplace in silent.

I didn't talk that much today or yesterday. I should say something. I'm at Philip Yancey's house, sitting next to Philip Yancey and not saying anything. Think, think, think!

- So, Dani, how is your writing going?

Ok, maybe the silence was not that bad. How can I possibly talk that I'm writing a book about grace to the person who inspired me to do that? I think I'm blushing.

- I'm writing a book about grace, actually finished half since I got here.
- Really?
[Janet got here while we were talking]
- Yep.
- And I bet you write all in the computer.
- Actually, I like the paper. I write first and then type.
- Philip, tell her about your transition to the computer!
- Well, that started a long time ago, when I was afraid that type could interfere on my writing process. You know, on the paper you know exactly where you changed something, on the computer you have no clue. Then I decided to test it and wrote one chapter by hand and another on the computer. Didn't notice any difference, so I started to type only. So, do you have any of your writing on the Facebook or somewhere I could read?
!!!!!!!
- No, just a file on my computer.
- Oh, ok.

From there we went to the Loveland Pass. Absolutely incredible view - it was the second time that the nature took out my focus of my thoughts of the euphoria to be with the Yanceys. Well, that until Janet suggested to take a picture of us in front of the sign. That person who climbed all those mountains was the one who was standing next to me in the picture.

After we went to Breckenridge to see people skiing. We got the gondola and went up. When we arrived it was really crowded, it was happening the Dew Tour. We watched a bit and then went back down to walk through the city.

First stop was at Starbucks. Hot chocolate with cream for me, coffee for both of them to share.

- I was showing Dani that picture of my sisters. We are all old people, Philip!
- Yeah...
- We didn't use to be.
- Oh, well, it happens.

We walked through the city and went to a Christmas store where we were looking for rocking horses, since Janet's sister collects them and didn't find any this year. They didn't have it. Did she know the sales girl? She talked to them like they were friends since forever.

We met Phillip in an outlet, where he was trying a pair of jeans.

- They didn't look good. Maybe if I was twenty.

Then we went to a clothes store, the owners were their friends. They donate a good amount of the profits to social programs. She also showed me this brand of shoes which donate one pair of shoes for each one bought.

At the entrance, though, a funny looking coat captured our attention. It was red with white polkadots.

- Do you want one, Philip?
- No, thank you.

Then Janet and the sales lady were talking about how it would look good if was a ladies coat.

We went back to the car, where Janet started to make some phone calls to her sisters. She had said the day before that cellphones usually don't work really well in their house and that she wasn't really good with texts.

- I think you should text her.
- I'm not good with texts, Philip.

I was sitting on the front seat like the whole day. Janet had suggested that so I could have a better view, when she said:

- I'm sorry, I just need a few more calls before I stop bothering you.
- If you text, that wouldn't happen.
I couldn't hold myself and laugh.
- He is not gonna let this go, will he, Dani?
- I don't think so.

Before we got home we stopped in a grocery store to buy icecream for the pecan pie that she made for dessert. When we got home Janet went to finish the dinner. I offered help, but she said that she would like me to take a rest. So I went talk to my friends, Philip went to take a nap.

After a while she asked me to come down to have dinner. This time she prayed and again thanked God for my visit and for the day. During dinner we talked about my family and once we finished I showed some pictures of them in my phone. For desserts, pie and ice cream. Philip and I sat on the couch while Janet was checking something on her Ipad.

- And the good thing is that now I have time to write and nobody asking me to leave my room. And I can write at night without anybody getting worried.
- So you write at night? I'm better in the morning.
I know that time that he prefers to write!
- Yeah, I'm better at night.

He told me that wanted to show me something on Facebook, and Janet joined us after a while. His profile was blocked though. After we unlocked I helped him with some things.

- Look at you! Congratulations! ...
- Thank you!
- ...for being young...
- hahaha, ok.

He read with me a message that a brazilian girl sent it to him, we discussed the brazilian church situation for a while.

It was getting late and he thanked me for the help on Facebook and for show the pictures of my family to them and said good night. Janet did the same.

It was kind off impossible go to bed after a day like that. I took a bath - with bubles, to remember Friends, which is not related to anything that I said, but I wanted to mention anyway - turned on the computer which was not working the whole day (Philip borrowed me the adaptor for the plug and I figured out that the battery was the problem), I transfered the camera photos to the computer and then to the phone, posted the picture with him at Loveland pass on Instagram and at the end I was actually tired so I decided to try to sleep.

It was a fantastic day, but it was just the first.








terça-feira, dezembro 17, 2013

Aquele sonho impossível - o casal Yancey


O relato desses dias é o mais preciso que minha memória permite fazer. Pela primeira vez estou fazendo algo que não faço nem mesmo escrevendo - expondo meus pensamentos durante diálogos (não que seja algo absolutamente fantástico e que vá mudar o destino da humanidade, mas gostaria de deixar isso registrado assim mesmo).

12 de dezembro, quinta-feira, 00h do horário local. 

Desci do avião e me dirigi ao terminal. Dentre as diversas plaquinhas com nomes estava um casal que não precisava delas para que eu pudesse encontrá-los. Esperando com um grande sorriso lá estavam Philip e Janet Yancey. Tudo estava de fato acontecendo.

No carro, eles me mostraram algumas coisas da cidade, mas estava tarde. No dia seguinte eu veria tudo melhor.

- Eu não sei se você comeu, mas o voo foi muito longo, tem uma sacola com lanchinhos para você e uma garrafa de água ao seu lado - disse a doce Janet.

Em algum momento da viagem me perguntaram se eu tomava café e eu disse que não.

- Como assim, você é brasileira e não toma café?
- É, eu ouço isso bastante.

Chegamos à casa deles - uma estonteante visão, até mesmo de noite.

- Vamos te tratar como membro da família, entrando pela garagem já que tranquei a porta da frente - ela disse.

Bom, o fato de estar na casa deles já era algo tão fantástico que eu podia dormir no sofá e seriam inesquecíveis dias de qualquer forma, mas não, eu tinha um andar inteiro só pra mim.

Uma amostra da biblioteca, com livros do Philip traduzidos em diferentes línguas. E lá estavam meus velhos companheiros, os livros em Português.

O meu quarto era uma suíte, com closet abastecido de roupas quentinhas, e também no quarto tinha tv, água e mais lanchinhos. A porta de entrada era exatamente como aquelas de filmes de princesa, com duas portas e tudo. O coração ainda batia forte, mas eu precisava dormir, no dia seguinte a aventura começava de vez.

Sexta-feira 13 de dezembro. 

Acordei, me preparei para o dia e desci. Era ele lá, tomando um café no sofá da sala.

- Bom dia, Dani! (eles me chamam de Dani mesmo, não "Deni", como a maioria dos americanos)

Então eu estou na casa do Philip Yancey, o autor dos meus livros preferidos. Ok, calma, olha essa vista! Eu escreveria um livro inteiro só pra falar dessa vista!


- Você aceita um chá? Chocolate quente?

- Você tem suco?
- Claro, frutas vermelhas ou maçã?
- Maçã, obrigada.

Sim, o Philip Yancey está me servindo suco!

A Janet veio em seguida e também me desejou bom dia. Ele foi se arrumar e ela me viu olhando umas fotos e me contou sobre suas irmãs.

- Vamos tomar café hoje em um dos nossos restaurantes favoritos, tradicional aqui do Colorado.

O Philip estava lá embaixo em seu escritório.

Eu quero ver o escritório!


- Ei, Philip, você está aí embaixo?

- Estou.
- A Dani pode ir aí e você mostra seu escritório?
- Claro!

Chegando lá ele me mostrou e disse que era lá onde ele trabalhava.

Logo na entrada, à esquerda, tinha uma mesa com o que eu acredito ser um dicionário gigante com letras minúsculas e uma lupa atrelada à mesa. No meio diversas fileiras de estantes, com os mais de cinco mil livros que inspiraram o meu escritor preferido. As paredes eram decoradas com quadros. Gente famosa que ele entrevistou, paisagens lindas. No fundo uma mesa com computador, canetas, alguns livros.

Ele começou falando de uma foto na parede que tinha a foto dele com o presidente Clinton - foi uma entrevista que ele fez para a Christianity Today na época.

- E essas são minhas estantes, meus livros.
- Eu amo livros!
- É, eu sei.

Em outra parede tinha uma foto com cenários lindos de montanhas cobertas de neve.

- A gente costumava viver aqui, vê esse pontinho? É a nossa casa. Essas fotos foram todas tiradas de lá mesmo.
- Muito lindo!
- É.
- Aqui outra entrevista com um presidente, qual o seu presidente americano favorito?
Eu deveria pensar numa resposta bacana, mas só consigo lembrar de Theodore Roosevelt por causa de Uma Noite no Museu ou do Obama por causa das leis de imigração...mas ele não é exatamente popular para os americanos.
- Eu...não sei.
- Hehe, ok, foi uma pergunta difícil. Bom, é aqui onde eu trabalho, Dani, gostou?
- É incrível!
-  Vamos esperar a Janet lá em cima?
- Aham.

Sentamos no sofá em frente à lareira apagada, em silêncio.

Eu mal mal falei hoje, eu realmente deveria falar alguma coisa. Estou na casa do Philip Yancey, sentada ao lado do Philip Yancey e não estou falando nada. Pensa, pensa, pensa!


- Então, Dani, como anda a escrita do seu livro?


Ok, o silêncio talvez não fosse tão ruim assim. Como falo que estou escrevendo um livro sobre graça para a pessoa que mais me inspirou a escrever sobre esse assunto? Acho que estou ficando roxa.


- Eu...estou finalmente escrevendo um livro sobre graça, já estou na metade desde que cheguei aqui.

- É mesmo?
[Janet chegou quando eu estava falando sobre isso]
- Aham.
- Parabéns! Você digita tudo no computador, né?
- Na verdade, eu gosto do papel. Escrevo primeiro pra depois digitar.
- Philip, conta pra ela como foi sua transição do papel pro computador - disse a Janet.
- Então, isso começou há muitooos anos, e eu estava com medo de que poderia afetar meu processo de escrita.Sabe, no papel você acaba vendo o que corrigiu, no computador uma vez que você apaga não tem mais como ver o que era com a mesma facilidade. Daí fiz um teste, comecei a escrever um capítulo à mão e outro no computador para comparar. Não notei nenhuma diferença, então comecei a digitar apenas. Mas então, você tem isso que escreveu postado no Facebook ou em algum site, em que eu possa ver?
!!!!!!!!!!!!
- Não, só uns arquivos no meu computador.
- Ah, ok.

Saímos para o café da manhã, eles iam me falando da paisagem e eu ainda em silêncio. Eu realmente estava tentando puxar assunto, mas tudo que eles falavam me deixavam impressionada pela generosidade deles e a natureza era fantástica, de emudecer até mesmo a mais extrovertida das pessoas.

- Esse lago aqui é onde venho às vezes quando quero um momento mais às sós para escrever.
- É fácil entender o porquê, lugar muito lindo!
- Não é?

Chegando ao restaurante, fui apresentada como uma amiga do Brasil, e o Philip descreveu as seções do cardápio para mim.

- Ele adora purê de batata.
- Eu admito, é verdade.
Eu agora sei até comida preferida dele.

Na oração antes de começarmos a comer ele agradeceu a Deus pela minha vinda e pelo meu vôo.

Conversamos um pouco sobre minha vida aqui nos EUA desde que cheguei, meu inglês, dentre outras coisas. Eu tentava responder com mais palavras e fazer perguntas, mas eu ainda estava chocada por estar tomando café da manhã com eles - o autor e a personagem de tantos dos meus livros preferidos.

A panqueca que pedi dava para alimentar umas cinco pessoas. Meu estômago não estava muito bom, talvez pela altitude, então não comi nem um terço.

- Posso provar?

haha, Philip Yancey filando do meu prato!


O garçom me perguntou mais tarde se eu queria uma caixa. Eu sabia que não comeria depois, então disse que não.


- Já que você não vai levar pra casa, vou pegar mais um pedaço, está muito boa essa panqueca!

Tinha um bebezinho no mesmo restaurante. Na hora de ir embora os dois foram conversar com a mãe e com ele.

- Quando você crescer vai ter um cabelo engraçado igual ao meu - disse o Philip.

De lá fomos de carro a uma montanha muito alta, quase quatro mil metros de altura. Vista absolutamente incrível -  pela segunda vez no dia a natureza tirava o foco dos meus pensamentos da euforia de estar com os Yanceys. Bom, isso até a Janet sugerir que a gente tirasse uma foto em frente a placa do local. Aquela pessoa que tinha escalado todas aquelas montanhas do Colorado era a mesma que estava comigo na foto.

Depois disso fomos para um lugar onde poderíamos ver pistas de esqui. Pegamos uma gôndola e fomos montanha acima. Chegando lá, pista lotada, um grande evento de snowboarding - o Dew Tour, estava acontecendo nesse dia. Ficamos observando as apresentações por um tempo e depois descemos de novo para andar pela cidade.

A primeira parada foi na Starbucks. Chocolate quente com creme para mim, um café grande que eles dividiram.

- Estava mostrando para Dani aquelas fotos com minhas irmãs, Philip. Nós somos um bando de gente velha!
- É...
- Não costumava ser assim.
- Bem, fazer o quê? Acontece.

Andamos pela cidade, fomos em uma loja de natal onde a Janet procurou por cavalinhos de balanço para enfeite de árvore, porque a irmã dela fazia coleção e não tinha encontrado nenhum até hoje para esse ano. Eles não tinham. Eu não sei se ela conhecia a vendedora, mas conversou com ela como se fossem amigas de anos.

Encontramos com o Philip num outlet, onde ele estava experimentando um par de jeans.

- Não ficou bom, talvez se eu tivesse uns vinte anos.

Fomos então numa outra loja de roupas, cujo dono era amigo deles.  Eles doavam boa parte dos lucros para um projeto missionário que coordenavam. E ela me mostrou também uma marca de sapatos que doava um par a cada par comprado para crianças em necessidade.

Logo na entrada da loja um paletó vermelho com bolinhas brancas chamou a atenção de todos.

- Quer que eu compre um desses pra você, Philip?
- Não, obrigado.

Ela e a vendedora discutiram como o casaco seria até legal se o corte fosse feminino.

Voltamos para o carro, onde a Janet começou a fazer algumas ligações para as irmãs. Ela havia comentado no dia anterior que celulares não funcionavam bem na casa deles, e que não era boa com mensagens.

- Eu acho que você devia mandar uma mensagem.
- Eu não sou boa com mensagens.

Eu fui sentada no banco da frente assim como durante o dia todo eu tinha feito. Janet tinha sugerido isso para eu poder ter uma visão melhor das paisagens. Estávamos conversando no banco da frente, quando ela disse:

- Desculpa gente, já estou quase acabando com as ligações e não vou mais incomodar vocês.
- Isso não aconteceria se você mandasse mensagens.
Eu não me contive e ri bastante.
- Ele não vai deixar essa passar batida, né Dani?

Antes de chegar em casa paramos em um supermercado para comprar sorvete para a torta de noz-pecã que a Janet havia feito de sobremesa para janta.

Em casa, Janet foi terminar de cozinhar a janta. Eu ofereci ajuda, mas ela me mandou descansar, a noite anterior tinha sido longa. Philip também foi tirar uma soneca.

Depois de um tempo, ela me chamou e fomos jantar. Dessa vez ela orou e novamente agradeceu por eu estar ali. Durante a refeição, conversamos sobre minha família. Ao término da janta, mostrei fotos deles no meu celular. De sobremesa tínhamos a torta com sorvete. Nos sentamos no sofá - Philip e eu, enquanto a Janet checava algo em seu Ipad - e continuamos conversando.

- E está sendo bom porque eu tenho tempo para escrever agora e ninguém pra me mandar sair do meu quarto. E eu posso escrever à noite sem deixar ninguém preocupado.
- Você escreve melhor à noite? Eu escrevo melhor pela manhã
Eu sei a hora que ele gosta de escrever!
- É, eu prefiro à noite.

Ele disse que queria me mostrar algo no Facebook. A Janet se juntou a nós. O perfil pessoal dele tinha sido bloqueado, entretanto. Depois que conseguimos desbloquear o ajudei com algumas coisas.

- Olha só, você, parabéns! ...
- Hehe, de nada.
- ...por ser jovem.
- hehehe, ok.

Ele leu comigo uma mensagem que uma menina do Brasil o enviou, nós discutimos a situação da igreja brasileira por um tempo.

Estava ficando tarde e ele agradeceu por ter ensinado as coisas do Facebook e por ter mostrado as fotos da minha família, e me desejou boa noite. Janet fez o mesmo.

Era meio impossível ir dormir depois de tudo isso. Tomei um banho - de banheira, com bolhinhas de sabão, para relembrar Friends, que não tem nada a ver com o assunto, mas quis falar assim mesmo - , liguei o computador que não tinha funcionado o dia inteiro (Philip me emprestou o adaptador de tomada que eu havia esquecido em casa e eu descobri que a bateria do notebook era o problema), transferi as fotos da câmera para o pc e de lá a foto do alto da montanha alta para o celular. Postei a foto no Instagram e no fim estava cansada mesmo e resolvi tentar ir dormir.

Foi um dia fantástico, mas era ainda só o primeiro.














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