terça-feira, janeiro 26, 2010

Sobre louvor e adoração




Um dia estava com saudades de ouvir a música "Amor de Deus", da banda Fruto Sagrado, e coloquei no YouTube para eu ouvir enquanto fazia outras coisas na internet. Em determinado ponto resolvi ler os comentários dos vídeos e logo percebi que não deveria ter feito isso.

Uma discussão sem fim estava ocorrendo sobre se essa música era de adoração ou não. Alguém chegou a dizer:"a maioria das musicas de 15 minutos e musicas pekenas so que o espeirito Santo age entao a coisa flue.. ja igreja ja tocamos 30 minutos a mesma musica os mesmos 4 acordes e o espirito santo fluia, e a gnt nao casava. "

A primeira coisa que me entristece nessas discussões são os erros de português. Não digo nem da linguagem da internet, mas de erros mesmo. Para discutir uma música, que é um representante de arte e cultura, as pessoas deveriam ao menos saber a língua que estão falando, ou digitando, no caso.

O fato de ter uma discussão vazia sobre quanto tempo uma música de adoração dura não só me entristece, como me enoja.

Tenho a esperança de que isso seja apenas mais uma ignorância referente à língua nativa. Segundo o dicionário Aurélio de língua portuguesa, "adoração" tem o seguinte significado: "s.f. Ação de adorar. / Amor extremo."

Não vou discutir aqui sobre o verdadeiro significado da adoração cristã, que transcende a questão
musical, mas sobre o que é a música de adoração.

Os cristãos tendem a querer colocar tudo em caixas, em repartições, têm uma mania chata de querer colocar tudo em arquivos, em modelos. Uma música de adoração é simplesmente uma música que fale de amar a Deus, ou mesmo de gratidão ao amor dele, como é o caso da música do Fruto Sagrado. Se essa é uma categoria musical só existente no meio gospel, então que seja utilizada da maneira correta. David Quinlan faz lindas músicas de adoração de 15 minutos, mas uma música de um minuto que uma criança inventa na escola no intervalo para o lanche pode ser uma música de adoração também. Uma música de adoração é, enfim, toda música que tenha o conteúdo de "amor extremo" a Deus.

A discussão no YouTube é tão longa e desnecessária, que eles esqueceram de parar para ouvir a beleza da poesia do vídeo que estavam comentando.

Que Jesus nos abençoe.


segunda-feira, janeiro 25, 2010

O diário de Lot - o grito dos desesperados (Parte II)


"O justo odeia a palavra de mentira, mas o ímpio faz vergonha e se confunde."

Resolvido com a instituição que seria uma oportunidade de ouro a ida de André, acertamos as passagens e nos preparávamos para ir para o país que foi assolado pelo terremoto. Admito que estava muito inseguro. Estava perdendo um grande emprego e meu chefe, ou melhor, antigo chefe, disse que estava cometendo um grave erro, mas que sabia que isso iria acontecer uma hora. Por outro lado, meus antigos colegas me deram apoio e ficaram louvando minha atitude. Eu sempre deixava claro que eu não podia fazer isso sozinho. O Autor movia isso dentro de mim. E isso não era nem um pouco de demagogia, eu sabia que realmente não era capaz de fazer o que estava prestes a fazer. Por mais que possa parecer o contrário por esses relatos, eu tenho muitas falhas, muitos erros. Sou longe de ser alguém bom, quanto mais alguém perfeito. A minha sorte é que o Autor é perfeito por mim, ele é muito mais que bom por mim.

Apesar disso tudo, fui muito contente contar a notícia para André de que tínhamos conseguido acertar a viagem.

L: Ei André!!
A: Pela empolgação só posso presumir que você conseguiu...
L: Isso mesmo! Animado?
A: Não é exatamente animador ir para um país todo destruído e cheio de pessoas sofrendo. Motivado, por outro lado, estou bastante.
L: Que bom! Partimos sexta-feira.
A: Ok, tenho três dias para me arrumar.
L: Dá, não dá?
A: Dá sim.
L: Então te vejo na sexta, tenho que acertar uns detalhes burocráticos ainda até lá.
A: Ok, até sexta então.
L: Até.

Os detalhes burocráticos que eu tinha que arrumar na verdade eram interiores. Eu ainda não estava no país que iria viajar, mas conseguia ouvir um grito. Um não, milhares de grito. Milhares de gritos juntos que soavam como um só grito ensurdecedor. Não era pesadelo, não podia ouvir de verdade, no sentido fisiológico da palavra, mas ouvia dentro de mim, nunca vou saber explicar exatamente o que eu sentia. O fato é que apesar de tudo eu ainda estava muito inseguro e cansado. As pessoas que se diziam seguidoras da mensagem cada vez mais se apegavam à ideia de que ser seguidor da mensagem significa não ter nenhuma dificuldade na vida. Se eles analisassem bem, o próprio Filho então não devia seguir a mensagem, afinal, Ele foi sacrificado da forma mais cruel possível em sua época e sociedade.

Obviamente, não deixava nada disso claro para André. Apesar de ser um grande amigo, minhas incertezas e inseguranças só fariam mal para ele. Ele iria dizer que confirmara a sua tese de que a mensagem não era verdadeira. Isso eu pensava antes de viajar, é claro.

Na sexta-feira, com tudo pronto, embarcamos no avião. No caminho André se mostrava com um brilho no olhar que eu nunca tinha visto antes nele. Resolvi iniciar um diálogo com ele.

L: Expectativa?
A: O que?
L: Esse seu olhar, é expectativa para o que irá acontecer lá?
A: Acho que sim, na verdade, nunca fiz algo de tão grande na minha vida. Sempre te admirei por isso. Talvez eu nem seja capaz disso. Isso é, você tem certeza de tudo, a minha vida é cheia de dúvidas.

Naquele momento vi que esconder dele minha insegurança causara o efeito contrário do que eu pretendia.

L: Certeza, na verdade, só tenho que vou morar com o Autor um dia.
A: O que você quer dizer?
L: Não sou nenhum herói André, sou apenas um ser humano. Também tenho medo e dúvidas.
A: Eu sei disso, eu lembro que você tinha medo naquela época da perseguição idiota contra você, mas mesmo assim você tinha certeza, não estou sabendo me expressar.
L: Eu não tinha naquela época e não tenho agora, mas sei que vai dar certo.
A: Porque?
L: Eu só sei.

Chegamos ao nosso destino e distribuimos cestas básicas, roupas, auxílio. André sabia um pouco de francês e conseguiu se comunicar mais do que eu. Ele gostava de me contar as histórias de superação daquela gente. Gostava de ver que estava sendo útil. Vivia me dizendo que iria levar esperança calado, porque só quem podia fazê-lo com palavras era a equipe dos seguidores da mensagem. Passamos duas semanas no país quando percebi que os gritos de desespero que ouvia eram como as mensagens de esperança de André. Eram gritos silenciosos. Gritos que ninguém podia ouvir, só ver. Ao me contar a história de uma criança que tinha perdido os pais e os irmãos no terremoto André disse que não entendia como o Autor podia deixar isso acontecer, mas de alguma forma alguém cuidava daquele menino. Mesmo em meio a tanto sofrimento e dor conseguimos levar algo que nenhuma comida ou roupa poderia levar - conforto. Dedicamos muito tempo a ouvir as pessoas, e André foi nosso tradutor pessoal.

No final da viagem conseguimos firmar um pacto com uma instituição local de assistência aos sobreviventes e nos comprometemos a continuar mandando ajuda. A alegria no rosto de cada criança, homem e idosos, mesmo sem saber se iriam um dia ter uma casa para morar de novo ou uma família para ser apoiado, nos dava esperança de dias melhores. Fomos para levar consolo e, no fim, nós é que acabamos por ser consolados.

Quando voltamos ao Brasil André disse logo de cara:

A: Tudo que aconteceu lá foi incrível. Nunca vou me esquecer dessa experiência. Quero continuar fazendo o bem, mas, como você mesmo já disse certa vez, isso não significa entrada para a casa do Autor. Ainda não consigo acreditar na mensagem, me desculpe.

Claro que aquilo me deixou profundamente chateado. Mas o fato de ver que André se abria mais para fazer coisas comigo me deixava com esperança. Acho que foi o grito silencioso dos desesperados que implantou isso em mim.

No fim os mensageiros impostores sumiram da mídia. A verdade prevaleceu. A compaixão humana, ainda que falha, foi mostrada mais que a pretensão de justiça de alguns.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

A semana das tragédias


Está certo que a tragédia do Haiti foi na última semana, mas parece que o mundo está acordando mais para essa notícia essa semana. Todos os blogs que eu acompanho falaram pelo menos duas vezes sobre esse assunto essa semana. Eu, particularmente, prefiro evitar falar sobre esse assunto. Acho que não sou forte o suficiente para escrever sobre isso. Não sou forte nem para discutir sobre a tragédia em si - milhares de pessoas mortas, milhões de pessoas feridas e desabrigadas - como também não sou forte para ver o que os pseudocristãos dizem nesse momento.


Resolvi escrever porque acredito que minha falta de forças não justificaria tamanha irresponsabilidade essa que seria negar o direito de expressar minha opinião sobre o assunto.


Eu acredito que Deus é poderoso e que se importa com a humanidade, e quase posso dizer que tenho certeza que ele não causou essa tragédia. Também não foi algo do acaso. Isso é consequência do pecado humano, sim, mas não acredito que seja diretamente relacionado ao pecado daquela nação. É consequência do pecado uma vez que o ser humano caiu uma vez em pecado, há muito tempo, e desde então todos nós somos pecadores e todo o mundo está desequilibrado. Se os terremotos no Haiti fossem um castigo de Deus contra aquela nação seria algo que Ele próprio avisaria, como fez com Israel no tempo do Antigo Testamento.


Ele não seria injusto se quisesse mandar um raio na minha cabeça agora. Eu sou pecadora por natureza. "O salário do pecado é a morte, mas (e esse mas é que faz toda a diferença) o dom gratuito de Deus é a vida eterna". Esse versículo, que está registrado em Romanos 6:23, é a cartada final contra qualquer Pat Robertson que se levante por aí. TODOS nós deveríamos morrer porque somos pecadores. Entretanto, a partir do momento em que o próprio Deus veio pagar o preço que Ele cobrou para nos salvar, estamos "livres" desse jugo. Vamos morrer, é certo, e muitos de nós vamos sofrer na vida. Mas ele está sempre ao nosso lado. A diferença é essa quando somos cristãos. Nós conseguimos ter forças para continuar lutando depois da tempestade, porque Ele nos dá forças. O povo do Haiti, por exemplo, como negar a igreja forte que está surgindo dos restos mortais daquele país? E por forte quero dizer realmente isso. Uma árvore que cresce em meio a dificuldade extrema terá mais força para enfrentar os desastres do que aquelas que nasceram em um clima tranquilo. Isso é o que entendo por Igreja forte. E não uma igreja com muitos bens, grande quantidade de pessoas ou grande destaque na mídia.


Cada notícia boa que vejo sobre a tragédia (trinta pessoas resgatadas depois de vários dias, a senhora que saiu cantando de onde ficou soterrada, a mãe que reencontra seu bebê depois de uma semana), me dá esperanças. Esperança que a situação lá vai melhorar. Não importa o tempo que levar, mas vai melhorar. É claro que com o mundo todo se mobilizando as coisas vão melhorar mais rápido. As tragédias fazem o lado verdadeiro do ser humano surgir. Ou ele mostra a bondade que há no seu coração, ou a crueldade. E são nesses grupos que divido aqueles que dizem alguma coisa sobre a tragédia. Como cristã eu gostaria muito que aqueles que dizem professar a mesma fé que eu mostrassem a bondade que Cristo nos ensinou, mas infelizmente são muitos os que fazem exatamente o contrário.


Como igreja de Cristo devemos sofrer com os nossos irmãos haitianos. Se uma unha do dedo mindinho quebrar todo o nosso corpo irá se mobilizar até que a ferida esteja curada. A unha do dedo mindinho da igreja está quebrada e sangrando, por isso devemos sofrer com o povo no Haiti. E mesmo por aqueles que não são cristãos, porque são seres humanos como nós, afinal, quantos morreram sem conhecer a Cristo? É nossa culpa. Nós temos uma missão - levar o evangelho a todo o mundo. E evangelho não é apenas o "Jesus te ama" que estamos acostumados a pronunciar tão roboticamente. Evangelho são boas novas. E as boas novas de Cristo são capazes de transformar o ser humano integralmente. A igreja deveria estar lá para criar estruturas melhores para as casas, as escolas, as famílias. Obviamente ao dizer isso corro o risco de ser injusta. Sei que há muitos por lá fazendo a missão integral acontecer. E sei que muitos de nós não estão no Haiti, mas estão na Europa, na África e nos outros continentes. Mas sei também que há muitos que deveriam estar lá e estão sendo negligentes.


Desculpem pelas frases jogadas, é o que sei fazer quando tento escrever sobre alguma tragédia. O que sei, em síntese, é que meu coração fica apertado quando leio cada notícia dizendo que o número de mortos aumentou, que a chuva em São Paulo já matou nove pessoas, que aqueles que se dizem cristãos condenam pecadores como eles próprios. É como uma criança com o dedo no nariz rindo do coleguinha que soltou um pum na sala. Mas eu acredito que daquele vale de ossos secos pode surgir um exército. Acredito que meus irmãos haitianos vão fazer história porque passaram por isso. E acredito que a fidelidade de Deus continua a mesma, assim como sua bondade e justiça.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Formatura


Hoje é dia do culto da minha formatura no curso de Fonoaudiologia na UFMG.

Amanhã é dia da colação de grau.


E para celebrar esse momento, segue meu versículo preferido da Bíblia:


vaD Daq jIH Daq yIn ghaH Christ, je Daq Hegh ghaH gain.


E alguns versículos de agradecimento:


joH'a' upholds Hoch 'Iv pum,

je raises Dung Hoch chaH 'Iv 'oH bowed bIng.145:15

The mInDu' vo' Hoch loS vaD SoH.

SoH nob chaH chaj Soj Daq due season.

SoH poSmoH lIj ghop,

je yonmoH the neH vo' Hoch yIntaH Doch.

joH'a' ghaH QaQtaHghach Daq Hoch Daj Hemey,

je gracious Daq Hoch Daj vum.

joH'a' ghaH Sum Daq Hoch chaH 'Iv ja' Daq ghaH,

Daq Hoch 'Iv ja' Daq ghaH Daq vIt.

ghaH DIchDaq rIn the neH vo' chaH 'Iv taHvIp ghaH.

ghaH je DIchDaq Qoy chaj SaQ, je DIchDaq toD chaH.

joH'a' poltaH Hoch chaH 'Iv muSHa' ghaH,

'ach Hoch the mIgh ghaH DIchDaq Qaw'.

wIj nuj DIchDaq jatlh the naD vo' joH'a'.

chaw' Hoch ghab ghurmoH Daj le' pong reH je ever.




(Fp 1:21 e Sl 145:14-21 - Em Klingon)

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Anotações de "O Jesus que eu nunca conheci"

Philip Yancey
"Tentou Jesus na parte boa do ser humano, sem o mal (...): usar uma coroa, mas não uma cruz (a tentação a que Jesus resistiu, muitos de nós, seus discípulos, ainda a desejamos)" - p. 74

"Começando com a tentação, Jesus mostrou relutância em torcer as regras da Terra" - p. 75

"Mas não houve livramento, nem milagre, nem alívio, nem um caminho sem dor. Para Jesus salvar os outros, bastante simples, não poderia salvar-se a si mesmo" - p. 76

"A bondade não pode ser imposta externamente, do alto para baixo; tem de crescer internamente, de baixo para cima" - p. 79

"Embora o poder possa forçar a obediência, apenas o amor pode provocar a reação de amor, que é a única coisa que Deus deseja de nós, sendo a razão de nos ter criado" - p.81

"A restrição de Deus cria oportunidade para os que se opõem a Deus" - p.82

"O verdadeiro salvador (...) não teve a compulsão de converter todo o mundo enquanto viveu ou de curar as pessoas que não estivessem prontas para a cura" - p.83

"[Jesus] Tinha uma paciência inexaurível com os indivíduos, mas não tinha paciência nenhuma com as instituições e com a injustiça" - p. 93

"O criador das nuvens de chuva estava sendo molhado pela chuva, o criador das estrelas estava com calor e suado, sob o sol da Palestina. Jesus sujeitou-se às leis naturais mesmo quando, até certo nível, vinha de encontro aos seus desejos. (...) Ele viveria e morreria pelas regras da Terra" - p. 96

"Era preciso 'fazer as contas dos gastos', disse Jesus, advertindo qualquer um que se atrevesse a segui-lo" - p. 102

"Interessante que os demônios nunca deixaram de reconhecê-lo [Jesus] como o 'santo de Deus' ou como o 'filho do Altíssimo'; eram os seres humanos que questionavam sua identidade" - p.103

"Quando viveu na terra rodeou-se de pessoas comuns que não o entendiam direito, não exerciam muito poder espiritual e às vezes se comportavam como alunos mal-educados" - p.106

"Como um sino tocando de outro mundo, a promessa de recompensa de Jesus proclama que, não importa a aparência das coisas, não há futuro no mal, apenas no bem" - p.119

"A dependência, a tristeza, o arrependimento, um anseio de mudar - estes são os portões para o reino de Deus" - p.122

"...a mudança moral não se realiza por meios imorais" - p.130

"Somos julgados pela justiça de Cristo que vive em nós, não a nossa justiça" - p.154

"A graça é para os desesperados, os necessitados, os quebrantados, os que não conseguem realizar nada por si mesmos. A graça é para todos nós" - p.156

"O sermão do monte nos força a reconhecer a grande distância entre Deus e nós, e qualquer tentativa de reduzir essa distância de alguma forma moderando suas exigências nos daz errar o alvo completamente" - p.156

"O legalismo, como os fariseus, vai sempre falhar, não porque seja severo demais, mas porque não é suficientemente severo" - p.156

"Os tapa-olhos teológicos não caem com facilidade" - p.183

"embora a fé possa possa produzir milagres, milagres não produzem necessariamente a fé" - p.183

"Jesus nunca encontrou enfermidade que não pudesse curar, defeito de nascença que não pudesse curar, defeito de nascença que não pudesse exorcizar. Mas encontrou céticos que não pôde convencer e pecadores que não pôde converter. O perdão dos pecados exige um ato de vontade da parte de quem recebe, e alguns que ouviram as palavras mais incisivas de Jesus sobre graça e perdão afastaram-se sem arrependimento" - p. 187


"embora Jesus gastasse mais tempo em questões como a hipocrisia, o legalismo e o orgulho não conheço nenhum ministério de televisão dedicado a curar esses problemas 'espirituais', mas conheço muitos que se centralizam em doenças físicas" - p. 188


"entretanto, é bom lembrar com que facilidade me sinto atormentado pelo mais leve ataque de sofrimento físico, e com que raridade me sinto atormentado pelo pecado" - p.188


"Ele estava trazendo uma mensagem dura de obediência e sacrifício, não um espetáculo de segunda categoria para basbaques e amantes de sensacionalismo" - p.190


"Judas não foi o primeiro nem o último a trair Jesus, simplesmente foi o mais famoso" - p.206


"Amarrado, rodeado de guardas armados, a própria figura do desamparo, Jesus parecia a figura menos messiânica de toda Israel" - p.211


"A religião, não a irreligião, acusou a Jesus; a lei, não a falta de lei, mandou executá-lo" - p.217


"O poder, não importa qual a sua boa intenção, tende a provocar sofrimento. O amor, sendo vulnerável, o absorve. Num ponto de convergência em uma colina chamada Calvário, Deus renunciou a um por causa do outro" - p.219


"Jesus conseguiu transformar um bando choroso de discípulos nada confiáveis em evangelistas ousados; onde homens o abandonaram na hora da morte morreram como mártires depositando a fé num Cristo ressurreto; esses poucos testemunhos conseguiram liberar uma força que venceria violenta oposição primeiro em Jerusalém e depois em Roma - essa sequência notável de transformação oferece a mais convincente evidência da ressureição. O que mais explicaria essa mudança incrível de homens conhecidos por sua covardia e instabilidade?" - p.231


"A Páscoa o torna [Jesus] perigoso. Por causa da Páscoa tenho que ouvir suas extravagantes reivindicações e não posso mais selecionar e escolher entre as suas palavras" - p.242


"Nada agradou Jesus mais do que os sucessos dos seus discípulos; nada o perturbou mais do que os seus fracassos" - p.243


"O tempo todo [Jesus] planejava partir a fim de executar o seu trabalho em outro corpo. O corpo deles. O nosso corpo. O novo corpo de Cristo" - p.244


"Subindo ao céu, Jesus assumiu o risco de ser esquecido" - p.247


"Se não podemos detectar a presença de Deus no mundo, pode ser que tenhamos procurado nos lugares errados" - p.249


"Quando Jesus partiu, deixou as chaves do reino em nossas mãos desajeitadas" - p.251


"Como poderia um grupo de homens e mulheres nada santos constituírem o corpo de Cristo? Respondo com uma pergunta diferente: como pode um homem pecador, eu mesmo, ser aceito como filho de Deus? Um milagre torna possível o outro" - p.253


"Toda a natureza humana resiste vigorosamente à graça, porque a graça nos modifica, e a mudança é dolorosa" - Flannary O' Connor - p.254 (respondendo uma carta de um leitor)


"Os judeus desejavam o que as pessoas sempre desejaram de um reino visível: um frango em cada panela, emprego certo, um excército forte para deter os invasores. Jesus anunciou um reino que significava negar-se a si mesmo, assumir uma cruz, renunciar às riquezas, até mesmo amar seus inimigos. Conforme ele o comentava, as expectativas das multidões se esfarelavam" - p.260


"As questões que confrontam os cristãos numa sociedade secular devem ser encaradas, discutidas e legisladas, e uma democracia dá aos cristãos todo o direito de se expressarem. Mas não nos atrevemos a investir tanto no reino deste mundo que negligenciemos nossa tarefa principal de apresentar as pessoas a um tipo diferente de reino, fundamentado apenas na graça e no perdão de Deus" - p.266

"Quando Jesus vivia na terra fez os cegos verem e os alejados andarem; ele vai voltar para governar num reino que não terá mais enfermidades nem incapacidades. Na terra ele morreu e ressuscitou; na sua volta, a morte não existirá mais. Na terra ele expulsou demônios; na sua volta, ele destruirá o maligno. Na terra, ele veio como um bebê nascido numa manjedoura; ele vai voltar na figura deslumbrante descrita no livro de Apocalipse. O reino que ele iniciou na terra não foi o fim; apenas o começo do fim" - p.273

"Percebo, ao olhar para a vida de Jesus, como nos distanciamos do equilíbrio divino que ele estabeleceu para nós. O homem de Nazaré era um amigo dos pecadores, mas sem pecado, um padrão que deveria nos convencer das duas coisas" - p.281

"Ou Ele [Jesus] era o Filho de Deus enviado para salvar o mundo um um impostor que merecia ser crucificado. O povo do seu tempo entendeu a escolha binária de maneira exata" - p.285

"O que adianta orar se Deus já sabe todas as coisas? Jesus silencia tais questões: ele orou, por isso também devo orar" - p.286

"Jesus é o filho pródigo do pai pródigo que deu tudo o que o Pai lhe tinha confiado para que eu pudesse me tornar como ele e voltar com ele para a casa de seu Pai" - Henri Nouwen - p.290

"A história de Jesus é a história de uma celebração, uma história de amor. Acarreta sofrimento e decepção, sim, para Deus como também para nós. Mas Jesus personifica a promessa de um Deus que não medirá esforços para nos trazer de volta. Não foi a menor das realizações de Jesus ele nos ter feito de alguma forma amáveis para Deus" - p.291

" '(...) Em nenhum outro livro de nossa cultura podemos encontrar um gráfico mais explícito de nossa necessidade, esse incrível e imenso arco brilhante: frágeis criaturas feitas pela mão de Deus, arremassadas no espaço, depois apanhadas finalmente por um homem de certa forma como nós mesmos" - Reynolds Price - p.291

"A encarnação mostra ao homem a grandeza de sua miséria pela grandeza do remédio que exigiu" - Pascal - p.291

"O filho de Deus teve de encontrar-se com o mal pessoalmente de um modo em que a divindade perfeita jamais a havia antes encontrado. Ele teve de perdoar o pecado assumindo o nosso pecado. Teve de derrotar a morte morrendo. Teve de aprender a simpatizar com os seres humanos tornando-se um deles" - p. 295

"A cruz representa para nós as profundas verdades que não fariam sentido sem ela. A cruz dá esperança quando não há esperança (...). Aquelas mesmas coisas que nos fazem sentir insuficientes, que espoliam a esperança, são as que Deus utiliza para realizar a sua obra. Para ter a prova, olhem para a cruz" - p.295

"Nada - nem mesmo o assassinato do Filho do próprio Deus - pode acabar com o relacionamento de Deus com os seres humanos. Na alquimia da redenção, esse tão infame crime transforma-se em nossa força curadora" - p.296

"Deus chora conosco para que possamos um dia rir com ele" - Jurgen Moltmann - p.296

"Os discípulos que viveram os dois dias, a sexta-feira e o domingo, nunca mais duvidaram de Deus. Aprenderam que, quando Deus parece mais sem força, pode ser mais poderoso, quando Deus parece mais morto, pode estar voltando à vida. Aprenderam a nunca mais pensar que Deus está vencido" - p.297

terça-feira, janeiro 19, 2010

Um sistema perfeito


"Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?" - sL 139:7


Há alguns dias meu namorado formatou meu computador, que antes tinha o Windows Vista, instalando o Windows 7. Discutimos sobre como o Windows Vista carregava muito a máquina para funcionar precariamente, e como o Windows 7 carregava menos para trabalhar melhor. Depois discutimos como a aparência do 7 lembra em muitas coisas a aparência do Mac, mas não chega nem perto do desenvolvimento deste.

Logo depois pensei na existência humana, na salvação. Quando não conhecemos a Deus, não somos salvos por Jesus, ficamos carregando peso demais inutilmente, e nossa vida é vazia, precária. Quando Jesus nos alcança com sua graça é como se todo o nosso sistema estivesse sendo formatado, com um novo sistema operacional mais bonito e eficiente. A felicidade é muito grande em cada descoberta, em cada recurso que descobrimos que temos agora que somos salvos, mas ainda parece estar faltando alguma coisa, o sistema ainda tem falhas, os vírus do pecado ainda podem nos atingir, por melhor que seja nosso antivírus para combatê-lo. Sabemos, entretanto, que chegará um dia onde tudo em nós será aperfeiçoado. Não haverá bugs ou spams para nos incomodar. O sistema será rápido e eficiente e nenhum tipo de vírus chegará perto de nós. Não teremos que passar por nenhuma atualização de software ou formatação. Não precisaremos escanear o disco em busca de erros e nem tampouco precisaremos desfragmentá-lo. Alcançaremos enfim, a perfeição e estaremos perto do nosso criador o tempo todo, para o adorar e louvar.

Pode parecer brincadeira, pode ter gente que nem goste tanto assim do Mac como eu gosto, mas a verdade é que é possível enxergar Deus em todos os detalhes de nossas vidas. Na verdade, é impossível passar um dia inteiro sem perceber algum toque de Deus nesses detalhes.

Saber do cuidado dele por nós a cada dia, em todos os momentos, saber que ele nos permite devaneios como esse meu apenas para nos lembrar que Ele está conosco nos torna mais felizes, e mais libertos também.

O meu intuito ao colocar o versículo de Salmos no início desse texto foi para reforçar exatamente esse ponto. Não há lugar para o qual possamos ir para fugirmos de Deus. Jesus, como bem disse Stott, em seu maravilhoso livro "Porque sou cristão", é o "cão de caça do céu" e não irá se aquietar enquanto não conseguir nos alcançar. Não há nenhuma parte de nós que Ele não queira para si e não há nada de tão ruim que tenhamos feito que possa fazê-lo desistir de nos querer. Ele nos ama, sem imposição de condições, sem exigências e até mesmo sem dívidas a serem pagas, porque Ele mesmo pagou o preço que era necessário na cruz para nos salvar. Ele cumpriu o perfeito amor e a perfeita justiça de Deus em um só ato com seu sacrifício. E é por isso que podemos ser felizes ainda aqui na Terra, mesmo com situações difíceis e imperfeições. E é por isso também que podemos sonhar com o céu e a eternidade, seja imaginando as coisas legais que vão ter lá, seja fazendo analogias bobas como comparar um ser humano a sistemas operacionais de computador.

*Fonte da imagem: Rua Direita

segunda-feira, janeiro 18, 2010

O diário de Lot - o grito dos desesperados


"A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos perversos."

Logo que minhas dúvidas sumiram e eu consegui entender a confusão que estava minha mente ocorreu um acidente terrível em um pequeno país da América Central. Foi o pior desastre natural ocorrido na história moderna da humanidade.

Junto com essa tragédia, foi inevitável que perguntas tradicionais sobre o Autor surgissem, como: "se Ele existe, porque deixou isso acontecer?"

Estou acostumado a ouvir isso. Qualquer tragédia humana, seja ela individual ou coletiva, leva a esses questionamentos. Mas também surgiram muitos que supostamente estão envolvidos com a mensagem para falar ao público. Eu esperava ver conforto e esperança saindo da boca desses homens, mas o que surgiu foi apenas julgamento e crítica. "Eles atraíram isso ao se envolverem com o Vodu", disse um deles. Outro chegou a dizer que o que aconteceu foi bom e proposital para que as pessoas se achegassem ao Autor.

O que aconteceu? Minha mente voltou a encher-se de minhocas gordas e emaranhadas umas nas outras. Que livro essas pessoas estavam lendo? Não seria o mesmo livro onde eu li "Exortamos vocês, irmãos, a que advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos"?

Cheguei a um ponto onde fiquei cansado desse tipo de pessoas que dizem falar do Autor da vida e da mensagem que leva a vida e na verdade só espalham a morte. Morte, sim, porque ao dizerem algo que está totalmente contra aquilo que está na palavra da vida eles automaticamente estão pregando morte.

André veio falar comigo naquela semana.

A: E você ainda quer que eu acredite no Autor que você prega. No mínimo Ele é um autor desastrado que não percebeu quando esbarrou na terra e produziu aquilo ou Ele é um sádico e mimado que fica sacudindo, literalmente, as pessoas quando elas vão contra Ele.

Eu fiquei em silêncio por alguns segundos.

A: Ok, Lot, eu sei que você acredita nisso, e você é o mais próximo do que já consegui ver de bondade nesse possível Autor que você prega. Mas quando olho em volta não consigo ver mais nada.
L: Se você se basear em mim então realmente está perdido. (nós dois rimos um pouco). Sério. Eu estou chocado com o que aquele cara da TV disse. Eu sei que o que eu li é diferente do que ele falou. De fato eu não sei o que ocorreu naquele país. Não tenho explicação e não sei se há algum propósito em dizimar milhares de vidas. Eu não acredito que o Autor seja assim. Acredito, sim, que isso é consequência do desvio dos humanos do Caminho, mas não acredito que isso é culpa dos nativos de lá. Se é pra culpar alguém, então eu culpo a mim mesmo. Cada vez que menti, cada vez que deixei de fazer algo bom, foi um pequeno ato que no final resultou naquilo. Todos nós somos culpados, mas devemos mostrar compaixão àquelas pessoas. A propósito, fiquei sabendo de três instituições do caminho que já mandaram equipe e ajuda financeira para lá.
A: Eu não ouvi nada disso.
L: O bem não tem que ser exibido. Tem que ser feito.
A: Você vai fazer alguma coisa?
L: Entrei em contato com uma dessas instituições e disse que queria me voluntariar. Aproveitar que nos formamos agora, não vou perder aula.
A: Mas você conseguiu um ótimo emprego agora, cara!
L: Eu sei, mas eu não posso deixar de fazer alguma coisa. Principalmente depois de ouvir aquilo na TV.
A:Você é o único cara que conheço que faria algo assim pela mensagem, cara!
L: Não sou o único. Várias pessoas fizeram o mesmo. E eu faço isso pelo Autor, pelas pessoas de lá. Além do mais, os nativos de lá acabaram tendo que largar empregos, casas, famílias, os que sobreviveram. Só que não foi porque eles quiseram.
A: Você sabe que isso não vai me convencer a acreditar na mensagem, as contradições ainda são muito gritantes para mim, mas você acha que eu posso ir com vocês? Tipo, eu não sou corajoso igual a você de largar um grande emprego. Como ainda tenho um dinheiro guardado do estágio que fazia na faculdade e não estou empregado ainda...
L: Você está falando sério???
A: Claro que estou! Você acha que eu brincaria com uma coisa dessas?

André estava visivelmente constrangido, mas a disposição dele e a esperança de ajudar alguém era visível em seus olhos.

L: Você sabe que vamos levar ajuda e a esperança do Autor para eles certo?
A: Eu fico com a parte da ajuda, hehe.
L: Ainda não está tudo certo da viagem, mas assim que encontrar com o pessoal eu falo com eles e te passo uma posição, combinado?
A: Ok. Mas me fala mesmo, porque eu tenho que avisar para meus pais.
L: Ok

Apesar de minha revolta continuar pelo que via na TV e lia na internet em relação aos pseudoseguidores da mensagem, a disposição de André me dava esperanças.

Continua...

domingo, janeiro 17, 2010

Em [re]construção


Repararam que no meu cronograma não previ nada para o fim de semana? É que é pra ser meu momento espontâneo, às vezes publicar algo urgente ou sei lá, só publicar.

Hoje na verdade só vim dar um aviso: retirei todos os meus links da barra lateral. Estou pensando em uma reconstrução do blog, com um logo bonitinho, uma nova aparência também. E tenho vários novos blogs e sites para linkar, por isso retirei todos, para poder organizar melhor quando o novo layout ficar pronto. Não sei quando será isso, porque tenho agora um projeto paralelo chamado "Cineclube Get", para desenvolver.

O Cineclube Get será um espaço para discutir filmes sob a óptica cristã. Nada de falar mal de filmes, vamos fazer análises de cinema sob o ponto de vista cristão. O projeto ainda está em andamento, mas vou tentar conciliar as duas atividades ao mesmo tempo, sem deixar nenhuma no prejuízo.

That's it.

See you guys!

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Cronograma do blog

Em meio a esse clima bom de planos de ano-novo, um de meus objetivos é firmar mais as postagens aqui no blog. Esse ano terei um calendário fixo, em que cada dia terá um tipo de postagem. Não necessariamente todos os dias terão postagens, mas vou tentar postar em cada tema pelo menos de 15 em 15 dias. Então vamos lá:

Segunda-feira: Dia do ''Diário de Lot'' - eu estou com saudades dele, e vocês?
Terça-feira: Dia de postagem reflexiva, normalmente sobre textos da Bíblia
Quarta-feira: Dia de ''Anotações de...'' - espaço dedicado às anotações que faço dos livros que eu leio.
Quinta-feira: Dia de postagem sobre o cotidiano. Ainda definindo títulos, mas as ''Crônicas do coletivo'' estão inseridas aqui e comentários sobre futebol também.
Sexta-feira: Dia de comentário retrospectivo sobre as notícias da semana (Novo!!)

Bem, é isso.

Enjoy it.

God bless you!

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Expectativas de ano novo

É certo que é meio clichê escrever uma lista de expectativas quando inicia-se um novo ano. Para mim, entretanto, isso tem um significado muito maior que apenas tradição. Quem leu meu último post ou, mais ainda, quem me acompanhou durante o ano de 2009 sabe o quão desanimada eu estava.

Então fui passar o reveillon num sítio de uns amigos e foi quando tudo mudou. Não vi nenhum anjo, ouvi uma voz no trovão não, nada disso. Vi e ouvi Deus como costuma acontecer sempre comigo. Observando as coisas simples da vida.

Acreditei que a situação difícil iria mudar quando vi a corrente das águas do rio.

Senti que tinha esperança quando acordei com o canto dos pássaros.

Vi que meus sonhos para esse ano não tinham acabado quando conversei com uma jovem apaixonada.

Um ano com grandes expectativas exigem muito trabalho, eu sei, mas agora eu tenho pelo que batalhar.

Não sei como será esse ano, não sei se meus sonhos vão ser realizados, se vou conseguir concretizar meus planos.

Só sei que enquanto eu ouvir o som dos pássaros e apreciar a brincadeira das crianças eu vou acreditar que as coisas vão ser diferentes.

Esse ano as coisas vão ser diferentes. E vocês vão conferir isso em dezembro, quando eu escrever a retrospectiva.

Fiquem com Jesus =D

terça-feira, dezembro 29, 2009

Uma questão de honra?

"Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos são conhecidos por ti" - Salmos 139:7


Agora é uma boa hora para escrever uma retrospectiva. Não sei ao certo porque. Acho que minha sensibilidade no momento faz com que ele se torne perfeito para que eu escreva.

Esse não foi um ano fácil para mim. Leitores antigos do blog já devem estar cansados de ler isso, mas o fato é que de todos os 21 anos que eu vivi, nunca houve um mais difícil.

Enquanto no ano passado a apatia tomou conta de mim e eu não tive nem condições de levar a sério a faculdade, nesse ano lutei - e lutei com todas as minhas forças. Nunca estudei tanto quanto nesse ano. Nunca me dediquei tanto aos meus pacientes. Nunca me preocupei mais em fazer relatórios do que nesse ano. Nunca me preocupei tanto em entregar um trabalho tão bem feito - como tentei fazer com minha monografia. Mas de alguma forma isso não foi visto por ninguém. Pelo contrário. Nunca fui tão acusada de irresponsabilidade e desorganização como nesse ano. Quem me conhece sabe que as diversas vezes que adoeci seriamente no segundo semestre não foram em vão. Não quero - e não posso, por estar divulgando isso na internet - divulgar os detalhes, mas fui muito humilhada nesse semestre. Mais do que eu imaginava que alguém poderia ser humilhada. Acho que uma cusparada na cara, um chute no estômago, uma pedrada na cabeça, qualquer coisa enfim, seria menos doloroso e humilhante do que eu passei durante esses meses.

Por isso, no dia em que mais fui humilhada na vida, me deparei com o versículo do início do post. E por isso, resolvi escrever uma oração que é um misto de agradecimento e lamentação para Deus. Com isso provavelmente encerro o ano aqui no blog. Desculpem-me pelo final melancólico. Não sei o que me aguarda em 2010, eu realmente não sei, mas eu sei que, como o salmista disse: "mesmo que eu diga que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor, verei que nem as trevas são escuras para Ti. A noite brilhará como o dia, pois para Ti as trevas são luz" - Sl 139:11,12

Pai,

Eu não sei o que está acontecendo comigo

Eu não sei o que me aguarda no próximo ano. Pela primeira vez na vida não tenho absolutamente nada em meu controle.

Já passei por muitos momentos difíceis na minha vida, e em todos eles você estava ao meu lado, mas em todos eles também alguma coisa na minha vida ia bem. Dessa vez nada está bem. Não tenho nada sob meu controle.

Digo, o Gi foi um presente do Senhor para mim nesse ano. Um anjo humano que o Senhor mandou para me dar forças para seguir.

Mas estou assustada.

Sinto-me como se tivesse 5 anos novamente, e a realidade, tanto naquele momento como agora, talvez até mais agora, parece assustadora. Eu não quero que o próximo ano chegue. Estou com medo do futuro.

Tenho medo de dormir, porque sei que terei que acordar. E quando isso acontecer a realidade - fria, cruel e assustadora como só ela consegue ser - estará me esperando.

Estou me forçando a ter esperanças. Mas isso está ficando cada dia mais difícil.

É certo que o que aconteceu no dia 22 de dezembro desse ano nunca será esquecido por mim. É certo também que esse dia tirou-me o restinho de vida que ainda sobrava.

Estou assustada. Estou me sentindo como sozinha em um dia de chuva, longe de meus pais e sem saber o caminho de volta.

Papai, por favor me ajude.

Sei que chora minhas lágrimas junto comigo. Apesar de que até as lágrimas estão secando do meu rosto.

Sei que está aí me ouvindo, mesmo que muitas vezes minhas orações pareçam não passar do teto.

Sei que as coisas vão melhorar um dia. Tenho medo de não ver esse dia, mas sei que ele chegará.

Sei que você me ama, mesmo eu falhando tanto com o Senhor.

Ajuda-me a perdoar. Dá-me forças para viver. Para viver, não para sobreviver, que é o que tenho feito há certo tempo.

Senhor, a sua fidelidade a mim se mostra nos mínimos detalhes. E só o Senhor sabe o quanto aprecio esses detalhes. Seja naquele dia em que curti ser molhada pelo temporal (mesmo tendo sido picada por uma abelha naquele dia), seja por encontrar chocolate quando estava precisando muito, seja pelo emprego na hora certa, para abafar algumas das minhas dívidas. O Senhor está aqui, e eu posso ver isso.

Mesmo assustada, com medo e quase sem esperanças, sei que está aí. Sei que está aqui. Está tão perto de mim que eu às vezes nem te vejo, mas sei que está aqui.

Deus, pode ser que no próximo ano meu mundo vire de cabeça para baixo como eu imagino agora que vai virar. Pode ser que o modo como eu estou acostumada a viver seja totalmente transformado. Pode ser que nenhum dos meus planos e sonhos para 2010 sejam realizados. Mas não importa. Sei que continua me amando. Não vou parar de te amar, de confiar no Senhor e na sua fidelidade.

Sei que o Senhor é poderoso para reverter toda minha situação, mas se não o fizer, sei que em nada deixará de ser bom e justo, e nem em uma gota deixará de me amar.

Eu te amo, mesmo sendo desse jeito quebrado, imperfeito, como um rabisco colorido em um papel, mesmo assim, eu te amo. E vou te amar para sempre.

Dani

quarta-feira, outubro 07, 2009

A vida dos sonhadores


Os sonhadores, ao meu ver, são aqueles que costumam sonhar um pouco além, um pouco mais alto do que a maioria das pessoas.

No mundo corrido de hoje, os sonhadores são raros espécimes. A sociedade competitiva e imediatista de hoje não permite que se desenvolvam muitos deles.

Mas a vida dos sonhadores é melhor do que a de qualquer outro ser humano. São os sonhos, afinal, que nos dão forças para viver. Deus nos deu esse privilégio. São por eles que lutamos e passamos dificuldades sem pestanejar. Mas os sonhadores vão além - eles vivem sonhando.

Enquanto a maioria das pessoas se contenta com um emprego regular, o sonhador sonha com o extraordinário, às vezes ser dono do seu próprio negócio.

Enquanto a maioria das pessoas se contenta com um casamento simples, a fim de ter uma casa mais estruturada, os sonhadores sonham com o casamento espetacular, e com uma casa excelente.

Algo interessante na vida dos sonhadores é que, apesar de eles sonharem bem mais distante que as demais pessoas, eles ainda se impressionam e são cativados pela simplicidade da vida. Um sorriso de uma criança, o abraço de um idoso, a satisfação de alguém que ama, o passarinho que faz uma linda planagem, tudo isso torna o sonhador mais feliz.

Os sonhadores são lutadores também. Por sonharem além do comum, eles também se esforçam mais que o comum para alcançarem esses sonhos.

É certo que os sonhadores se decepcionam mais que as outras pessoas, mas eles usam essas decepções, desilusões e desventuras em geral, como degraus para alcançarem os seus sonhos.

Os sonhadores têm a graça de vivenciarem os sonhos mais lindos, e de serem lembrados por aquilo que são e que alcançaram.

E mesmo que os sonhadores nunca alcancem todos os seus sonhos, eles terão sido pessoas mais felizes só pelo privilégio de sonhar além do normal.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Loucos por Jesus 2009


O evento mais pirado do mundo cristão está de volta em mais uma edição que promete muito!!

O tema desse ano?? Loucos por Jesus de joelhos!! Vamos orar muito!! Uhuuuu \o/

Aproveitando o tema então, seguem dois links para vocês relembrarem um pouco do que já rolou por aqui no TrintaeTrês sobre esse tema:


Mais informações sobre o congresso em www.loucosporjesus.com, ou pelo Twitter

Faça sua inscrição correndo, faltam 15 dias para o Congresso!!!!

quinta-feira, setembro 10, 2009

O protestantismo atual

Hoje imaginei como um historiador no futuro descreveria a situação atual do protestantismo no Brasil. Acho que seria mais ou menos assim:

"Na época do Brasil colonial tivemos a chegada dos protestantes no Brasil principalmente pelos franceses na Guanabara e os holandeses no nordeste, mas a implantação definitiva desse movimento aconteceu na época do Brasil imperial.

As características principais do protestantismo no Brasil na metade final do século XX foram o tradicionalismo e o intenso ensino das escrituras bíblicas, além de um legalismo forte, e um período de evangelização em massa.

Acredito que o final do século XX e início do nosso século tenha sido o período negro do movimento protestante. De certa forma, ouso afirmar que o período inquisitório da idade média foi menos prejudicial à Igreja do que esse período.

Explico: na época da Inquisição, eram vendidas indulgências, vendidos terrenos no céu. No período que citei antes, os fiéis eram ludibriados pelos seus líderes, mas não por terrenos no céu. O auge da Teologia da Prosperidade foi marcado por escândalos financeiros na Igreja, e a enganação de muitos fiéis que acreditavam que doando determinada quantidade financeira (por vezes superior aos seus rendimentos) ganhariam prosperidade financeira na terra.

Ora, é "melhor ser enganado por querer o céu do que por querer a Terra.

Devido a esforços isolados em alguns pontos do País, principalmente marcado por manifestos virtuais, as novas gerações foram reconstruindo o cristianismo. Nem tão legalista, nem tão liberal. Obviamente o movimento segue com falhas, porque é feito por seres humanos imperfeitos, mas é notável termos conseguimos superar o movimento que quase destruiu séculos de luta pela implantação do protestantismo brasileiro."

Claro que não sei como será o futuro, mas gostaria muito que superássemos a Teologia da Prosperidade, o emburrecimento dos cristãos e todas essas máculas tão evidentes da religião atual.

É apenas uma esperança, mas "a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado."(Rm 5:5)E afinal, "a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?"(Rm 8:24b).





quinta-feira, agosto 27, 2009

Compaixão cristã


"Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão" - Lc 10:33


Todo mundo conhece a história do bom samaritano. Um assalto, religiosos indiferentes e um excluído que teve compaixão do assaltado. É uma bela parábola que Jesus contou, sobre compaixão. Interessante como essa parábola se repete hoje em dia.

Hoje, ao comparecer ao asilo em que faço estágio, minha professora foi assaltada. Levaram o carro, os documentos, os celulares, tudo. Com isso fomos dispensadas do estágio e cheguei bem mais cedo em casa, o que foi bom porque pude recuperar a noite de sono que perdera na noite anterior. Na mesma hora lembrei-me de como muitos evangélicos não entendem o significado do versículo que está em Romanos 8:28 e diz: "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Muita gente usa esse versículo para dar testemunhos. Eu poderia ter usado isso hoje. Poderia dizer que Deus foi bom para mim e me deu a oportunidade de descansar.

O fato é que foi uma coisa boa eu poder ir para casa mais cedo. Mas não seria correto eu dizer que Deus usou o assalto da minha professora para me favorecer. Foi uma tragédia, e ela estava arrasada. Como alguém pode achar que Deus é tão sarcástico a ponto de ficar feliz com a desgraça humana? Ou, porque os evangélicos têm essa tendência a achar que são pessoas melhores que as outras, achando que Deus vai fazer mal a alguém para os beneficiar?

O versículo de Romanos nos ensina a ter perseverança nos momentos difíceis. Nos ensina a saber que Deus continua ao nosso lado nesses momentos, e que, depois de passarmos por eles poderemos ver que crescemos com a experiência, e que nos tornamos pessoas melhores após vencê-los.

A grande lição da parábola do bom samaritano é que a compaixão é algo a ser praticado sempre. Os religiosos costumam julgar tragédias como sendo fruto do pecado dos atingidos por elas, mas a Bíblia mostra diversas vezes que nem sempre os problemas que acontecem conosco estão ligados a pecados que cometemos. Às vezes tragédias simplesmente acontecem, não cabe a nós saber o motivo sempre, mas devemos sempre ter compaixão das pessoas. Jesus teve tamanha compaixão da humanidade, que veio ao mundo morrer e ressuscitar a fim de que não fôssemos para o inferno.

Creio que vale a pena aqui ressaltar o significado de compaixão. Segundo a Wikipédia, compaixão pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão freqüentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia por outra pessoa. A compaixão é freqüentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.


A compaixão diferencia-se de outras formas de comportamento prestativo humano no sentido de que seu foco primário é o alívio da dor e sofrimento alheios. Atos de caridade que busquem principalmente conceder benefícios em vez de aliviar a dor e o sofrimento existentes, são mais corretamente classificados como atos de altruísmo, embora, neste sentido, a compaixão possa ser vista como um subconjunto do altruísmo, sendo definida como o tipo de comportamento que busca beneficiar os outros minorando o sofrimento deles.


Ou seja, compaixão não é sentir pena, é agir em busca de minimizar o sofrimento do outro. Foi isso que Jesus quis nos ensinar com a parábola do samaritano. O samaritano não viu quem estava sofrendo, ele simplesmente ajudou. Muitas vezes acontece hoje nas igrejas a mesma coisa que aconteceu aos religiosos. Por julgar demais quem está sofrendo, deixamos de ajudar aquela pessoa.


Todos nós somos pecadores, mas aqueles de nós que somos cristãos experimentaram a graça de Jesus que nos libertou da escravidão do pecado. E catástrofes e tragédias também atingem todo ser humano. Muitas vezes, ao demonstrar compaixão para com aqueles que estão sofrendo, e não julgando o motivo pelos quais eles estão passando por isso, podemos tornar possível que eles experimentem da mesma graça que nós já desfrutamos.


O meu desejo é que eu possa ser mais parecida com aquele samaritano do que com os religiosos da história. Afinal de contas, o que colocou o cristianismo em prática foi o primeiro, e não os últimos.



terça-feira, agosto 25, 2009

Seria a oração um sacrifício?


É comum ouvirmos em reuniões evangélicas que "temos que pagar um preço de oração" por alguma coisa.

Há alguns dias, ao ouvir essa frase novamente, fiquei refletindo sobre seu significado. "Pagar um preço de oração" quer dizer que é um sacrifício que tenho que fazer. Seria a oração um sacrifício?

Não sei se existe algo que me deixa mais contente do que conversar com Deus. Desde cedo, antes de sair de casa até à noite, antes de dormir, gosto de manter uma vida constante de oração. Não falo isso para contar vantagem nem nada do tipo, mas apenas para dizer que, para mim, a oração é fundamental à vida cristã, e é uma coisa prazerosa.

Na época do Antigo Testamento apenas o sumo-sacerdote poderia entrar, uma vez por ano, na presença de Deus, e ele ainda corria o risco de morrer caso fosse considerado impuro por Deus. Ao morrer na cruz Jesus tornou possível para nós não apenas a salvação, mas o direito de acesso livre ao Pai. Podemos orar em qualquer hora do dia, em qualquer lugar. Seja em pé no ônibus, ajoelhados no quarto ou até mesmo deitados na hora de dormir.

A oração é uma bênção que Jesus conquistou para nós, por isso não consigo aceitar a ideia de que ela seja um sacrifício.

Não me entendam mal, como cristãos nós temos que orar sim. Mas isso não é uma coisa que nos traga algum ônus. A Bíblia diz "maridos, amem suas esposas assim como Cristo amou a igreja" (Ef 5:25) e também diz "orai sem cessar"(I Ts 5:17). Ambos são ordens, mas assim como o bom marido não verá nenhum sacrifício em cumprir a primeira ordem, o bom cristão cumprirá a segunda ordem sorrindo.

É comum ouvirmos em reuniões evangélicas que "temos que pagar um preço de oração" por alguma coisa.

Há alguns dias, ao ouvir essa frase novamente, fiquei refletindo sobre seu significado. "Pagar um preço de oração" quer dizer que é um sacrifício que tenho que fazer. Seria a oração um sacrifício?

Não sei se existe algo que me deixa mais contente do que conversar com Deus. Desde cedo, antes de sair de casa até à noite, antes de dormir, gosto de manter uma vida constante de oração. Não falo isso para contar vantagem nem nada do tipo, mas apenas para dizer que, para mim, a oração é fundamental à vida cristã, e é uma coisa prazerosa.

Na época do Antigo Testamento apenas o sumo-sacerdote poderia entrar, uma vez por ano, na presença de Deus, e ele ainda corria o risco de morrer caso fosse considerado impuro por Deus. Ao morrer na cruz Jesus tornou possível para nós não apenas a salvação, mas o direito de acesso livre ao Pai. Podemos orar em qualquer hora do dia, em qualquer lugar. Seja em pé no ônibus, ajoelhados no quarto ou até mesmo deitados na hora de dormir.

A oração é uma bênção que Jesus conquistou para nós, por isso não consigo aceitar a ideia de que ela seja um sacrifício.

Não me entendam mal, como cristãos nós temos que orar sim. Mas isso não é uma coisa que nos traga algum ônus. A Bíblia diz "maridos, amem suas esposas assim como Cristo amou a igreja" (Ef 5:25) e também diz "orai sem cessar"(I Ts 5:17). Ambos são ordens, mas assim como o bom marido não verá nenhum sacrifício em cumprir a primeira ordem, o bom cristão cumprirá a segunda ordem sorrindo.

Entendo a necessidade de se pregar sobre oração, porque esta é uma prática que tem sido abandonada por muitos membros da igreja (o que me leva a questionar, será que eles são realmente cristãos? Mas essa discussão eu vou deixar para depois). Só não acredito que a oração deva ser pregada como um sacrifício a ser feito, e sim como algo maravilhoso que deve fazer parte da vida cotidiana de todo cristão.

Que tenhamos vontade de criar intimidade com o Pai, e que nossa vida de oração se tornem realmente uma prática constante. Enfim, vamos orar sem cessar!

sexta-feira, agosto 21, 2009

Precisamos de mais Pedros



"Vendo Simão que o Espírito era dado com a imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro e disse: 'Dêem-me também este poder, para que a pessoa sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo'. Pedro respondeu: ' Pereça com você o seu dinheiro! Você não tem parte nem direito algum neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus. Arrependa-se dessa maldade e ore ao Senhor. Talvez ele lhe perdoe tal pensamento do seu coração, pois vejo que você está cheio de amargura e preso pelo pecado." - At 8:18-23

Pedro foi um exemplo de líder cristão. Ele não era perfeito, como ninguém é. Todos se lembram de que foi ele quem negou a Jesus por três vezes. Além disso, foi acusado de dissimulação por Paulo (Gl 2:11-15). Mas é inegável a influência que ele teve na igreja primitiva. É inegável também sua determinação em cumprir a vontade e o chamado de Deus para sua vida. Ele se arrependeu profundamente de ter negado a Jesus e, com isso, foi instrumento de Deus para salvar, curar e transformar milhares de vidas.

No episódio descrito em Atos 8:9-25, ele tinha sido enviado junto com João para orarem pela igreja recém formada em Samaria, para que estes recebessem o Espírito Santo. Simão, um mago local que havia perdido prestígio devido a essa conversão dos samaritanos, vendo que o poder era dado pela imposição de mãos dos apóstolos, lhes ofereceu dinheiro para que tivesse o mesmo dom. Pedro o repreendeu severamente, como pode-se conferir no trecho citado.

Como precisamos de mais "Pedros" nos dias de hoje! Afinal, quantos são os que tentam barganhar com Deus um dom espiritual mais "visível", como o de profecia ou o de falar em línguas? E quantos são aqueles que tentam transferir seu status social para dentro da igreja (e, infelizmente, muitos os que conseguem)?

Precisamos de líderes cristãos que tenham a coragem de repreender essas pessoas como Pedro o fez. Líderes que reconheçam sua condição imperfeita de seres humanos, mas que nem por isso deixem de dizer o que tem que ser dito.

Pessoas como Simão buscam principalmente a fama, e acabam por corromper grande parte daqueles que se deixam influenciar por eles. Por isso precisamos de líderes que não deixem esse tipo se infiltrar em nosso meio. Precisamos de líderes como Pedro - humanos e exemplares.

quarta-feira, agosto 19, 2009

A fidelidade de Daniel

"Diante disso, os supervisores e os sátrapas procuraram motivos para acusar Daniel em sua administração governamental, mas nada conseguiram. Não puderam achar nele falta alguma, pois ele era fiel; não era desonesto, nem negligente. Finalmente esses homens disseram: 'Jamais encontraremos algum motivo para acusar esse Daniel, a menos que seja algo relacionado com a lei do Deus dele'. (...) Eles não me fizeram mal algum, pois fui considerado inocente à vista de Deus. Também contra ti não cometi mal algum, ó rei" - Dn 6:4,5,22b

A história de Daniel sempre me fascinou, desde que a ouvi pela primeira vez, na escola bíblica dominical infantil da qual eu participava.

Daniel foi um jovem exemplar, e podemos ver isso logo no início do livro que conta sua história, quando ele "não quis se contaminar com as finas iguarias do rei" (Dn 1:8). Ele continuou sendo exemplar durante sua vida toda e, por tantas qualidades, o rei planejava colocá-lo à frente de todo o império (Dn 6:3).

Duas coisas me deixam chateada nos dias de hoje, e talvez uma seja consequência da outra.

A primeira é que o livro de Daniel não é mais pregado nas igrejas. No máximo as crianças sabem superficialmente a história dos três amigos na fornalha e a história de Daniel na cova dos leões.

A segunda coisa é que, num mundo onde quem se destaca na maior parte das vezes não é o mais "fiel, não desonesto e não negligente", e sim o mais astuto e que consegue ter vantagem tirando proveito dos outros, os cristãos estão se amoldando aos padrões mundanos, ao contrário de seguirem o exemplo de Daniel.

Às vezes fico pensando se eu estivesse no lugar de Daniel. Será que os invejosos sátrapas e supervisores conseguiriam achar algum motivo para me acusar ou eu seria tão irrepreensível quanto Daniel e eles teriam que recorrer a acusações contra minha fé? E será que minha fé seria tão marcante quanto a dele?

Sinceramente admito que peco por negligência às vezes, e não tenho certeza de que minha fé possa se equiparar à de Daniel.

Toda vez que leio esse livro me sinto desafiada a melhorar, tanto na minha vida pessoal quanto na minha vida espiritual. E é por isso que fico chateada quando vejo que ele está sendo deixado de lado nas pregações contemporâneas. E é por isso também que quis compartilhar esse texto.

Para encerrar, deixo aqui um trecho da música Daniel, da banda Resgate, que resume bem o caráter de Daniel:

Se prostrar todo dia
E provar ser fiel
Ser lançado na cova
Sair ileso como Daniel

Que Deus nos dê a graça de sermos parecidos com ele.

segunda-feira, agosto 17, 2009

O diário de Lot - Os poderosos


"Pois convinha que aquele, para quem são todas as coisas e por quem todas existem, conduzindo à glória muitos filhos, aperfeiçoasse pelos sofrimentos ao autor da salvação deles."

Depois do período de perseguição e do medo, passei por um período de intensa reflexão. Ao contrário do período do medo, não foi um período curto. Passei alguns meses refletindo seriamente sobre minha missão e sobre a mensagem sobre a qual tanto falava.

Continuei com as atividades na comunidade, tive algumas experiências bacanas com outras pessoas, mas ainda permanecia refletindo. Todos os que eu conhecia me diziam que estava consideravelmente mais calado que o habitual.

Fiquei pensando sobre porque de tantas pessoas que eu falei sobre a mensagem, aquelas com maior nível de instrução, com as quais falei logicamente sobre a mensagem, e aquelas que tinham maior poder, melhores condições financeiras, eram justamente aquelas pessoas que rejeitaram a mensagem. Porque uma prostituta aceitou tão prontamente a mensagem e um estudante universitário relutava em aceitar? Porque tantos líderes de comunidades que falavam sobre a mensagem eram contra mim? Estava eu fazendo alguma coisa errada? Não que eu achasse que as prostitutas, ou os mendigos, eram menos merecedores da libertação da mensagem que os outros, mas, pelo contrário, eu achava que por terem oportunidades iguais aqueles com melhores condições, seja físicas, materiais ou até mesmo morais, seriam os primeiros a aceitar a mensagem de bom grado.

Isso me intrigou durante muito tempo. Durante esses meses de reflexão o quadro se repetia, uma senhora de idade doente aceitou a mensagem, e um bem sucedido corretor de imóveis a rejeitou. Eu conhecia a mensagem, eu sabia que isso aconteceu com o autor da mensagem. Mas porque as grandes comunidades atraíam tantas pessoas em boas condições? Porque elas rejeitavam a minha mensagem e aceitava a deles? Não era a mesma mensagem? Não eram ambos, eu e os pregadores das grandes comunidades, apenas portadores da mensagem? Eu realmente deveria estar fazendo alguma coisa errada.

Um dia, um desses grandes líderes dessas grandes comunidades ouviu falar de mim, e de tudo o que eu tinha passado até então. Ele me convidou para falar à comunidade que ele liderava. Na conversa que tivemos ele me pareceu uma pessoa muito humilde e extremamente agradável. O trabalho que ele exercia lá era muito bacana, e, depois de mais reflexão, resolvi aceitar. Ele pediu que eu contasse o que eu já tinha feito, e, apesar de eu não gostar muito de fazer isso, acabei concordando com uma espécie de entrevista. Seu nome era Bruno.

Chegou o dia e eu estava lá, bastante apreensivo admito.

B: Boa noite a todos. Hoje estamos aqui com um convidado muito especial. Ele desenvolve um trabalho espetacular numa comunidade carente, e além disso já levou os mais diferentes tipos de pessoas a conhecer a mensagem. Passou por perseguição, mas hoje está aqui para nos contar um pouco de sua história. Lot, venha aqui!

Eu me senti bastante incomodado com a situação, em ser apresentado quase como um pop star, em ver tanta gente olhando para mim como se eu fosse o grande herói do mundo, mas subi.

B: Boa noite Lot!
L: Boa noite Bruno, boa noite a todos.

Boa noitee!! - Todos responderam

B: Lot, acredito que muito antes da perseguição que você sofreu, você já chamava uma certa atenção pelo tipo de trabalho que fazia. Você tem alguma preferência por falar da mensagem a algum tipo de pessoa?
L: Não, a mensagem é para todos os seres humanos do mundo. Se ela chegou até a mim e mudou minha vida acredito que pode mudar a vida de qualquer ser humano na Terra. Só que parece que alguns tipos de pessoas tendem a aceitá-la com mais facilidade.
B: Que tipo de pessoas?
L: Qualquer pessoa que tenha passado por algum grande problema na vida, ou cometido um grande erro, aparentemente indescupável para a sociedade, aceita melhor a mensagem do que aqueles que tem uma vida razoavelmente normal e sadia por assim dizer.
B: Porque você acha que isso acontece?
L: É uma coisa que venho me perguntando há alguns meses, desde que saí da prisão. Ainda não sei a resposta. O fato é que o próprio Autor da mensagem também enfrentou isso.
B: Então você acha que as pessoas, como você mesmo disse, que tem uma vida razoavelmente normal e sadia por assim dizer, nunca vão aceitar a mensagem?
L: Não, eu já tive experiências com pessoas bem sucedidas que aceitaram a mensagem. Mas isso acontece com uma frequência infinitamente menor que aqueles que realmente parecem precisar da mensagem. Talvez seja isso. Talvez as pessoas só queiram a mensagem quando precisam dela. Quando está tudo bem elas devem se achar auto-suficientes, e, portanto, não precisam da mensagem.
B: Então a mensagem é uma muleta que só serve para os fracos?
L: Não, ela não deveria ser isso, mas acaba sendo muitas vezes. O que vejo acontecendo com frequência é as pessoas usando a mensagem como muleta, mas depois acabam entendendo que mesmo que tudo esteja bem elas não são boas o suficiente para não precisarem dela. Elas não conhecem a mensagem sozinhas, mas de certa forma aprendem a amadurecer quando conhecem mais a mensagem. Acho que quanto mais as pessoas acham que estão perto de conhecer a verdade, e de serem independentes, mais elas se afastam da verdade mesmo.
B: Deixe-me ver se eu entendi. Aqueles que conhecem a mensagem conseguem ver que não são fortes o suficiente para andarem sozinhos, mas que não precisam de uma muleta, e sim de alguém para mostrar o caminho?
L: É, exatamente. Você captou bem o que eu disse. De nada adianta uma muleta se você não souber o caminho. Alguns podem achar que com a muleta estão na verdade ganhando uma bússola, mas com o tempo acabam por achar de verdade essa bússola e se livram das muletas. O problema com os fortes é que eles se acham tão independentes que, mesmo estando tão perdidos quanto os fracos, eles acham que podem achar o caminho sem a bússola ou alguém para guiá-los.
B: Ok, interessante nossa conversa. Vou mudar de assunto porque nosso tempo está acabando.

Bruno fez ainda algumas perguntas sobre o período de perseguição, e perguntou se eu alguma vez senti medo, ou vontade de desistir. Não tive medo de contar sobre a semana que conversei com Heitor. Mas no final das contas poucas pessoas vieram me procurar para falar comigo. Fiquei sabendo depois que muitos dos poderosos da comunidade falaram mal de mim, por acharem que eu falei mal especificamente deles. Foi numa conversa com o Bruno.

L: Como eu te disse, parece que os mais fracos ainda preferem a mensagem mais que os fortes.
B: É, você tem razão. É muito mais fácil oferecer uma bússola para quem tem certeza de que está perdido do que para aqueles que têm certeza de que estão no caminho certo, mesmo não estando.
L: É...Bruno, posso te fazer apenas uma pergunta?
B: Claro!
L: Porque apesar de negar a mensagem eles continuam frequentando essas grandes comunidades, como a sua? E porque eles não estão nas pequenas comunidades?
B: Olha rapaz, infelizmente eu tenho que admitir, aprendi muito com a entrevista que fiz com você, mais até do que já tinha aprendido com as cartas que você escreveu na prisão, do que com as coisas que eu sabia a seu respeito. Infelizmente temos falado de coisas que agradam aos ouvidos dessas pessoas, e é por isso que elas vem para cá. Existem exceções, ainda bem, mas muitas estão em busca de coisas para aumentar o ego delas. Eu pretendo mudar isso aqui. Ainda que muita gente talvez nos abandone, eu prefiro falar a mensagem que pode transformar vidas apesar de doer, do que fazer carinho com palavras doces que vão levá-las a um sofrimento eterno talvez. Muito obrigado Lot, muito obrigado mesmo.
L: Por nada Bruno, mas eu nem fiz nada, acabou que a sua entrevista resolveu uma confusão na minha cabeça que já estava me incomodando há alguns meses.
B: Você não precisa fazer nada Lot, você é um exemplo a ser seguido, mesmo com suas reflexões, até mesmo quando sentiu medo você deu um exemplo a ser seguido.
L: Sem falsa modéstia, eu realmente tenho muita coisa ainda a melhorar, e sei que não sou isso tudo que você e tantas pessoas acreditam que eu sou, mas muito obrigado. É bom saber que uma vida pôde ser mudada por um exemplo tão ruim quanto o meu. Me dá mais certeza que o exemplo do Autor da mensagem pode mudar centenas, milhares, milhões de vidas. Eu tenho que ir agora, muito obrigado novamente Bruno.
B: Obrigado você Lot, até mais.
L: Até.

Depois disso realmente consegui compreender que para que eu conhecesse a mensagem, o Autor teve que sofrer antes. E talvez as pessoas tenham que aprender com os próprios sofrimentos para entender o real valor da mensagem. Isso nunca me faria de desistir de levar a mensagem para todos e ter a esperança que todos a entendessem e a aceitassem, mas resolveu esse grande nó na minha cabeça.

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