segunda-feira, maio 12, 2008
O cérebro não pode ser esquecido
domingo, maio 11, 2008
Homenagem à melhor das mães

"Mãe é mãe", diz o ditado batido que todo mundo sabe se tratar de uma verdade universal.
Verdade porque mãe é aquela que te carrega no ventre por 9 meses (às vezes menos, quem sabe mais)
Verdade porque ela sofre para você nascer e sofretambém depois que você nasceu.
E verdade também porque, por mais que os tempos tenham mudado, ela ainda é aquela que te cria, que te acompanha, que escuta seus problemas, que te dá conselhos, que fica encabulada de conversar determinados assuntos, que ouve xingo da professora por mau comportamento seu e etc.
As mães tem dois dons universais:
* o de saber sempre o que você pensa e o que você fez de errado (por mais que pensemos o contrário);
* o de amar o filho de tal forma que seria capaz de matar e morrer por ele.
Existem vários tipos de mães:
mães aventureiras, mães medrosas,
mães que estudaram demais e outras que nem estudaram,
mães descoladas, mães caretas,
mães que gostam de beijar o tempo todo, e mães que odeiam que fiquem encostando nelas o tempo todo,
mães que são muito bravas e mães que são muito liberais
e a lista continua sem fim, porque mãe é indefinível, é multiplicidade. É amor incondicional.
De todos os tipos de mães, o meu tipo preferido é aquela que nos ouve quando nós nem queremos falar (e às vezes nem precisamos falar para que ela escute!),
Aquela que luta com garra pela vida, pela família.
Aquela que abriu mão de muita coisa, apenas pelo prazer de ser chamada de mamãe.
Aquela que é a melhor cozinheira do mundo inteiro, da galáxia inteira, de todo o universo.
Aquela que é a melhor amiga dos filhos, com quem eles sempre podem contar.
Aquela que adora se arrumar toda, mesmo que seja só para ir à padaria.
Aquela que briga com a gente à toa, mas que nos defende quando todos estão contra nós.
Aquela que é mil e uma utilidades, sabe fazer tudo e mais um pouco.
Aquela que ama a Jesus, e que por atos e palavras, fazem a gente amá-Lo cada vez mais.
Infelizmente (para vocês leitores), essa mãe já é casada e tem dois filhos.
O nome dela é Carmen.
Feliz dia das mães mamãe!!
"Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera" - Pv 31:29
segunda-feira, março 24, 2008
Perdoa-me Pai
Perdoa-me Senhor por tantas vezes que fui hipócrita,
dizendo que era totalmente louca pelo Senhor sendo que não vivi isso tão verdadeiramente
Perdoa-me por tantas promessas não cumpridas,
tantos pecados não confessados.
Perdoa-me por ter criticado tantas vezes sem agir,
sem fazer nada para mudar a situação.
Perdoa-me por ter sido influenciada por idéias erradas,
por ter influenciado erradamente algumas pessoas.
Perdoa-me Senhor pelas vezes em que deixei de falar do seu amor,
mesmo tendo instruções claras para fazer isso,
e mesmo sabendo como é bom o seu amor.
Perdoa-me pelo egoísmo, por não me importar com os problemas alheios,
tantas vezes.
Perdoa-me pelo orgulho,
mesmo sabendo que faço tão pouco pelo Senhor, ainda ousei orgulhar-me de alguns feitos.
Perdoa-me por não viver tão intensamente pelo Senhor quanto deveria,
e por me esquecer do valor do seu sacrifício na cruz.
Perdoa-me por não ter aberto mão de todas as minha vontades,
e por não estar disposta a me sacrificar como deveria.
Perdoa-me pela indiferença,
que tantas vezes ocorre na minha vida.
Perdoa-me pela única coisa constante na minha vida: a inconstância,
que parece ser eterna.
Perdoa-me por tantos pecados que achei insignificantes,
por ter atribuído valor ao pecado.
Perdoa-me por julgar mal as pessoas,
por não confiar em você.
Perdoa-me pai, são incontáveis os pedidos de perdão que tenho que fazer, mas eu sei que o Senhor me perdoará, pois é sincero meu arrependimento, e o Senhor é misericordioso.
Amém
domingo, fevereiro 17, 2008
Dados históricos do SPFC
Estava com saudades de publicar algo a respeito do meu time do coração, então achei esses dados históricos, achei bacana e estou postando agora (argh! gerundismo!!) :
SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE
Fundação: 16 de dezembro de 1935
Uniforme: Camisa branca com lista tricolor (vermelho, branco e preto) horizontal, calção e meias brancas
Títulos: Mundial Interclubes (1992, 1993 e 2005), Copa Libertadores da América (1992, 1993 e 2005), Recopa Sul-Americana (1993 e 1994), Supercopa da Libertadores (1993), Copa Conmebol (1994), Campeonato Brasileiro (1977, 1986, 1991, 2006 e 2007), Torneio Rio-São Paulo (2001) e Campeonato Paulista (21 vezes: 1931, 1943, 1945, 1946, 1948, 1949, 1953, 1957, 1970, 1971, 1975, 1980, 1981, 1985, 1987, 1989, 1991, 1992, 1998, 2000 e 2005).
Maiores ídolos: Arakén, Friedenreich, Sastre, Teixeirinha, Leônidas da Silva, Bauer, Benê, Rui, Friaça, De Sordi, Gino, Mauro Ramos, José Poy, Zizinho, Bellini, Canhoteiro, Dino Sani, Toninho Guerreiro, Roberto Dias, Gérson, Pedro Rocha, Marinho Chagas, Valdir Peres, Zé Sérgio, Serginho Chulapa, Oscar, Dario Pereyra, Pita, Gilmar, Careca, Müller, Silas, Ricardo Rocha, Telê Santana, Zetti, Cafu, Leonardo, Raí, Toninho Cerezo, Rogério Ceni, Kaká, Lugano, Cicinho e Mineiro.
Site oficial: http://www.spfc.com.br/
Estádio: Morumbi
Inauguração: 1960
Capacidade: 80 mil
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
O ensino plural e a Igreja atual
"O Programa Escola Plural (proposta político-pedagógica apresentada, em fins de 1994, pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte - SMED) altera radicalmente a organização do trabalho escolar com a instituição de novos tempos escolares tanto para os professores quanto para os alunos. Propõe o rompimento com os processos tradicionais e tecnicistas de ensino, que se baseiam na concepção cumulativa e transmissiva de conhecimentos; a eliminação dos mecanismos de reprovação escolar próprios da concepção seletiva e excludente de avaliação do ensino, faz críticas às relações unidirecionais em que apenas o professor avalia e tem esse poder e introduz, neste sentido, uma nova relação educativa onde todos avaliam todos. O Programa propõe modificar a relação dos sujeitos com o conhecimento, buscando novos significados para o conteúdo escolar numa perspectiva globalizadora e transdisciplinar."(1)
Esse foi um conceito mais formal que encontrei sobre a definição de escola plural. Na minha concepção, a escola plural nada mais foi do que uma estratégia para que Belo Horizonte ficasse reconhecida como "a cidade com mais crianças na escola - e aquela em que menos alunos repetem o ano".
O perigo dessa proposta é que as crianças realmente avançam as séries, porém, sem qualidade nenhuma. Conheço casos de alunos que chegaram à oitava série sem nem ao menos conseguir ler satisfatoriamente.
Sem um sistema que avalie (verdadeiramente) os alunos, sem reprovações, os alunos simplesmente se desinteressam pela educação, afinal, quer eles se esforcem para aprender, quer não, eles irão avançar para a próxima série e irão adquirir seu diploma.
Todos nós precisamos de alguém que nos lidere, que diremos então de crianças e adolescentes - no auge de seu desenvolvimento? Sem um líder podemos achar que mandamos em todos, e que temos direitos iguais aos de todos (mas queremos apenas os deveres que nos são convenientes).
Bem, até aí não há nenhuma novidade, mas o que isso tem a ver com a igreja atual (vocês me perguntam)?
Tem a ver, porque atualmente impera a teologia da prosperidade, onde praticamente nós nos tornamos deuses e temos direitos iguais aos de Deus.
Tem a ver, porque como deuses nós nunca somos reprovados, Deus nunca nos diz não, porque se disser nós nos afastamos dEle.
Tem a ver, porque se seguirmos a vontade de Deus ou não, Ele é misericordioso, e não nos mandará para o inferno por alguns errinhos não confessados.
Tem a ver, porque as pregações sobre bênçãos terrenas e prosperidade financeira lotam os templos, e ajudam os evangélicos a subir de número nas pesquisas.
Tem a ver porque excluimos o que é tradicional e correto, em trocas de ilusões agradáveis.
Só não tem a ver, porque depois de alguns anos foi comprovado que o ensino plural falhou e agora as escolas da prefeitura podem reprovar os alunos que não alcançarem a média estabelecida...
... e ainda não acabou a onda nas igrejas de "Deus tem que nos dar, somos filhos dele, herdeiros reais e blábláblá".
Obviamente, existem exceções. Meu pai, professor da prefeitura, recebe, com orgulho, notícias de ex-alunos aprovados no vestibular, em bons empregos, bem-sucedidos.
Assim também, há aquelas igrejas em que o cristianismo é mais pregado, e há pessoas interessadas em seguir os passos de Jesus (ainda que nada tenham nessa terra).
Infelizmente, esses exemplos ainda são exceções, e não regras.
Será que vamos ter que continuar produzindo "analfabetos cristãos" em massa, e ver que o fracasso está exposto demais, para tomarmos uma atitude e mudarmos de postura?
Eu sinceramente espero que não.
(1) Extraído e adaptado do site http://www.fae.ufmg.br/escplural/oqueescolaplural.htm
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
A pregação...
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Saudade
Difícil de definir porque saudade é boa e ruim ao mesmo tempo.
Boa, porque nos remete a lembranças de uma pessoa querida, de lugares bacanas, de momentos inesquecíveis.
Ruim, porque ela dói.
Dor que não chega a ser física -mas é quase.
E nos lembra que estamos longe de alguém, de um momento, de um lugar.
A saudade é pior ainda quando é saudade de quem não volta mais.
Porque saudade de quem está longe a gente cura quando revê (e volta a sentir quando não vê mais).
Mas saudade de quem já se foi nunca mais se cura.
Saudade vai, saudade vem.
Na verdade saudade existe até quando alguém não está tão longe assim.
Saudade é tão difícil de definir, que só existe em português, e em língua nenhuma mais.
Saudade é fácil de sentir.
Quem nunca sentiu saudade?
Todo mundo já sentiu.
Saudade é universal.
Até Deus sente saudades de nós.
E nós (mesmo sem saber ás vezes) sentimos saudades dele.
São as saudades originais de todo ser humano.
Acho que foi daí que surgiu a saudade.
Saudade não é doença, mas dói.
Saudade não é cura, mas consola com suas lembranças.
Saudade, saudades, eternas ou temporárias saudades, não importa.
Saudade é isso - e apenas isso - saudade.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Azuis
Disse um astronauta
Que a Terra é azul.
Então, azul na Terra
Não falta.
Manhãs são azuis,
Assim com azuis
São as almas.
As pétalas das flores raras,
Assim como azuis
São os olhos de muitas caras.
Talismãs são azuis,
Assim como azuis são os mares,
A leveza azul de um véu,
Assim como azuis
São as roupas do céu.
Azul, azul, azuis.
Balas de anis, água de piscina,
Calça jeans, luz de televisão,
Penas de gralha, canto de azulão.
Azul, por que você
É tão querido?
Menino quer bicicleta azul,
Menina quer azul
Em seu vestido.
Manhãs são azuis,
Assim como azuis
São as noites de Natal,
Assim como deve ser
Azul
A cor do bem
Que luta contra o mal.
[Lalau e Laurabeatriz. Uma cor, duas cores, todas elas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1997.]
OBS: Achei esse poeminha enquanto lia os textos do livro de Português de 5ª série do meu irmão (meu Deus, meu irmão já está na quinta série!!). Achei o poema perfeito para expressar porque o azul é tão...
...azul.
=)
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Tributo ao meu avô

Meu avô não foi o tipo de cara que você veria estampado na capa da revista que prestigia as 100 pessoas mais influentes do mundo, você nunca o veria dando uma entrevista para a televisão, nem dando palestras por aí. Ele cursou até a quarta série do ensino fundamental. Em sua época de escola, somente os muito ricos passavam dessa fase.Mas muitas das maiores lições que aprendi nessa vida foram-me ensinadas por ele.
O senhor José Nogueira me ensinou o valor da família. Não podemos desperdiçá-la. Ele nunca foi aquele avô que ficava apertando e abraçando os netos o tempo inteiro. Mas nunca vi alguém que cativasse as crianças mais do que ele. Ele me passou o dom de entender e expressar os sentimentos sem palavras, só pelo olhar.
Vovô me ensinou que se a vida não é fácil, nós é que temos que lutar para podermos vencer. Meu avô trabalhou por mais de 40 anos numa mesma gráfica. Quando ele se aposentou legalmente, trabalhou por mais vários anos. E mesmo quando parou, ele continuava fazendo coisas em casa que eu, se não convivesse com ele, nunca acreditaria que um senhor de 80 conseguisse fazer. Ele cozinhava maravilhosamente, e sempre foi um bom amigo do garfo. Nunca precisamos de alguém para consertar coisas estragadas, ele resolvia tudo. Ia ao supermercado todos os dias, e freqüentava o centro regularmente. Ele me levava a médicos, dentistas e outros, de ônibus, quando não tinha ninguém que pudesse me levar.
Ele me ensinou a ter gosto pela vida. Ele sempre foi apaixonado pela vida. Era visível. Ele curtia a vida com 80 anos como se tivesse 20. Ele nunca desistiu de viver, até os últimos dias da vida dele, ele lutou.
Eu sempre sentirei muitas saudades dele, e não foram poucas as lágrimas que derramei para escrever isso. Mas ele sempre nos pedia que quando ele morresse, nós fizéssemos uma festa e soltássemos foguetes. Eu sempre achei que jamais ia superar a morte dele. Mas o motivo que me faz continuar vivendo e acreditando que viver vale a pena, não é simplesmente o exemplo do grande homem que foi meu avô. Meu avô me ensinou a tomar decisões corretas, mesmo no fim de sua vida. Eu poderia dizer muito mais a respeito dele, mas...
...“Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito:
‘Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos consideradas como ovelhas ao matadouro.’
Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Meu avô está morto há 15 dias. Antes de morrer ele declarou não menos que três vezes que Jesus Cristo era o Senhor e Salvador de sua vida. Ele está num lugar bem melhor que todos nós agora.
Mas, apesar do nome do post, e das lembranças, não escrevi isso tudo com o objetivo de fazer uma simples menção à pessoa maravilhosa que vovô foi. É meu último post esse ano. Eu normalmente escreveria minha retrospectiva, mas posso resumi-la no que escrevi. Esse foi um ano de aprendizados, em todas as áreas da minha vida. Eu sou grata a Deus por isso. Por poder crescer, através de todas as dificuldades e vitórias que tive esse ano.
Eu queria que você leitor do TrintaeTrês, refletisse sobre sua própria vida, sem se deixar levar pelas emoções que esse texto talvez tenham produzido em você. O natal passou, um novo ano se aproxima. Você que tem 15, 20, ou 80 anos, estará vivo amanhã? Não é sensacionalismo o que quero criar, apenas pense, como diria minha mãe, “para morrer basta estar vivo”. Desde o instante em que você nasceu você está morrendo. Sua vida tem valido a pena? Você está realizando os seus sonhos, fazendo planos, sendo justo?
Eu posso dizer de mim mesma que tenho deixado a desejar. Aliás, de todas as lições que vovô me ensinou, não há nenhuma em que eu esteja satisfeita. Se algum dia eu chegar aos 80 anos (quase 81), eu tenho muito a melhorar. Se eu morrer agora, eu tenho muito a melhorar.
Vou resumir meus pensamentos, porque o texto já está muito grande:
Meu avô foi um herói. Jesus é o cara.
Meu avô viveu uma vida digna. Jesus viveu uma vida perfeita.
Meu avô sofreu com essa maldita doença, o câncer. Jesus foi maltratado e torturado até a morte.
Meu avô me amou desde o meu nascimento. Jesus me ama mesmo antes de eu vir ao mundo.
Meu avô vivia por sua família. Jesus morreu pela humanidade.
Eu amarei pra sempre meu avô. Eu sempre serei louca, apaixonada e desesperada por Jesus.
José Nogueira *18-12-1926 +15-12-2007
terça-feira, novembro 20, 2007
Outro Deus (parte 2)
Chegou a minha vez de dizer que “Deus morreu, vocês mataram Deus”. Sei dos riscos. Dizem que gato escaldado tem medo de água fria. Mas alguns gatos não se dão por vencidos. Aliás, dizem também que gatos têm sete vidas. Que seja.
Tudo bem, posso atenuar um pouco, respeitando as pessoas que me querem bem e temem por mim. Temem que eu me comprometa em lutas quixotescas. Temem as retaliações que possa sofrer. E, na verdade, temem que eu perca o juízo e a fé. Nesse caso, dou um passo atrás e digo que um deus morreu em mim. E nasceu outro, que me seduziu com amor eterno. Por Ele me apaixonei.
O deus que morreu foi exaltado na sub-cultura da religiosidade evangélica brasileira. Basicamente, era um deus que (1) vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, evitar meus sofrimentos, e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto; (2) prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos; (3) estava comprometido a me favorecer em todas as minhas demandas contra os pagãos; (4) compensava minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé; (5) manipulava todas as circunstâncias da minha vida como um tapeceiro que corta fios e dá nós no emaranhado do avesso do tapete, para revelar a bela paisagem ao final do processo, capaz de encantar todos aqueles que olham pelo lado certo. Enfim, morreu em mim aquele deus parecido com a figura idealizada de um super-pai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenharem da religião.
Esse deus morreu em mim porque se demonstrou falso. Isto é, ou não existia de fato, ou estava descrito de maneira equivocada, pois não precisamos ser muito sagazes para perceber que (1) o justo sofre, (2) o justo convive com frustrações, (3) os maus prosperam, (4) Deus não faz o que compete aos seres humanos fazer, e (5) não se pode conceber que Deus tenha decidido na eternidade que a missionária fulana de tal seria estuprada numa esquina de São Paulo, para cumprir um propósito, pois nesse caso, o estuprador está isento de responsabilidade.
Não é razoável a crença em um deus que coloca os seus fiéis numa bolha protetora contra toda sorte de dificuldades e possibilidades de dores. A Bíblia Sagrada registra que todos os homens que foram íntimos de Deus e cumpriram tarefas designadas por Ele sofreram, mais até do que muitos que deram as costas para Ele. Isso levou Santa Teresa de Ávila afirmar: “Se o Senhor trata assim os seus amigos, não se admira que tenha tantos inimigos”. Também não faz sentido o relacionamento com Deus motivado pelo interesse de suas bênçãos e galardões, pois isso faz com que Deus deixe de ser um fim em si mesmo e passe a ser um meio de prosperidade, isto é, passa a ser um ídolo a serviço dos fiéis. Igualmente incoerente é acreditar que a fé é suficiente para o êxito, pois ninguém passa no vestibular “pela fé”. Finalmente, não é sensato acreditar que Deus é a causa de tudo quanto acontece no mundo, pois nesse caso Deus estaria por trás de todo ato de maldade, levando o malvado a agir, de modo que ninguém seria culpado pelos seus atos.
Essa coisa de “Deus tem um plano para cada criatura” é incoerente em relação à fé cristã, pois seres criados à imagem e semelhança de Deus não podem ser privados da liberdade. Ou os seres humanos são responsáveis pelos seus destinos, ou não podem ser julgados moralmente.
Esse deus morreu. Mas sua morte fez ecoar uma pergunta no ar: Deus tem um favor especial aos nascidos de novo? Isto é, em relação aos não cristãos, os cristãos são tratados de maneira diferente pelo seu Deus? Minha resposta é sim e não.
Sim, porque por definição aqueles que se relacionam de maneira consciente e voluntária com Deus desfrutam de possibilidades que extrapolam os horizontes de vida daqueles que vivem como se Deus não existisse. A pergunta a respeito do cuidado especial de Deus não se refere a favoritismo ou acepção de pessoas, mas de algo inerente ao relacionamento. Algo como alguém perguntar se uma mãe trata diferente seus filhos em relação a outras crianças. É claro que sim, pois estão sob seus cuidados e sob sua autoridade. Mas, em tese, uma mulher que vive a experiência da maternidade trata todas as crianças com o mesmo senso de justiça e compaixão. E é justamente nesse sentido que Deus não faz qualquer distinção entre os que o reconhecem e os que o rejeitam: Deus faz o sol nascer sobre justos e injustos.
Mas então, qual foi o Deus que nasceu para ocupar o lugar do deus que morreu? Ou se preferir, para tornar a coisa um pouco mais prática, o que posso esperar de Deus?
(1) Sendo cristão, enxergo a vida com outros olhos. Experimentei a metanóia, que chamam de arrependimento, mas creio ser uma expansão de consciência (do gr. meta = além, e nous = mente). Vivo sob valores, imperativos, prioridades e propósitos diferenciados. Conhecer a Deus me faz andar na luz, na verdade, livre de pesos, culpas e máscaras, com a consciência e as intenções tão puras quanto um ser humano imperfeito as pode ter, e isso já basta para que minha vida dê um salto de qualidade imensurável.
(2) Recebo subsídios de Deus no meu “homem interior”, pois sendo verdade que “tudo posso naquele que me fortalece” aprendo a viver o contentamento em toda e qualquer situação. As promessas de Deus aos seus não dizem respeito ao conforto circunstancial ou à prosperidade aqui e agora, mas afetam a interioridade humana, por exemplo, com paz que excede o entendimento e alegria completa. Mais do que isso, a intimidade com Deus não faz a minha vida mais fácil, mas me faz mais humano, mais maduro, mais capaz de amar com a lucidez que escolhe as coisas mais excelentes, mais capaz de enfrentar com dignidade toda e qualquer situação.
(3) Sou integrado numa comunidade de cristãos que me abençoa na dinâmica da mutualidade. O socorro de Deus para minha vida chega pelas mãos dos meus irmãos. São os meus irmãos que me falam as palavras de Deus, repartem comigo seu pão, andam ao meu lado no vale da sombra da morte. Experimento a presença de Deus na comunhão com os filhos de Deus, vendo Deus na face dos irmãos.
(4) Tenho minha consciência e sensibilidades despertadas para o sofrimento da raça humana e a agonia do cosmos que sofre suas dores, de modo a receber um pouco do amor e da compaixão do coração de Deus em meu próprio coração, e acato a utopia do novo céu e da nova terra não como sonhos irrealizável, mas como promessa que motivas à ação toda vez que sou interpelado pelo Deus que me fala desde o clamor dos oprimidos.
(5) Vivo sob o olhar amoroso, poderoso e justo de Deus, que interfere em minha vida à luz de sua economia eterna, à seu critério, e isso é mistério da graça, isto é, não depende dos méritos dos beneficiados. Descanso no fato de que, apesar de Deus não ser a causa primeira de tudo quanto me acontece, não há qualquer coisa que venha me acontecer que esteja fora do seu conhecimento, controle e cuidado. É suficiente crer que toda vez que Deus opta por deixar a vida correr seu curso normal – e geralmente é isso o que Deus faz – nada pode me separar do seu amor, que está em Cristo Jesus meu Salvador.
Em síntese, morreu o deus que fazia de mim uma criança mimada, que chorava a cada desencontro da vida. Recebi revelação do Deus que me convida a crescer, para que Ele possa me receber como seu cooperador, seu amigo, alguém com quem Ele não tem segredos, e que encontra a felicidade não na vida confortável, mas na vida digna. Com a morte de um deus, morreu também uma espiritualidade. E nasceu outra, marcada pela graça, pela fé e pela resistência.
retirado do novo site do ed. René Kivitz: http://www.galilea.com.br
terça-feira, outubro 23, 2007
É melhor...
sábado, outubro 20, 2007
Crazy for Jesus
Há exatamente uma semana estávamos nos despedindo do segundo congresso Loucos Por Jesus. Todas as palavras ministradas que eu assisti foram impactantes, marcantes, lindas, transformadoras (...).
Esse ano não tem sido um ano mais fácil que 2006 - quando eu fizer e publicar a restrospectiva 2007, fiquem à vontade para comparar - e esse semestre tem sido especialmente difícil. De dinheiro a paciência e tempo, muitas coisas estão escassas na minha vida. Porém, em nenhum momento pensei em desistir. Por mais mortal que fosse o desânimo que viesse sobre mim, eu orava, lia a Bíblia, jejuava e obtinha novas forças para continuar.
Nas semanas que se antecederam ao Congresso, uma série de problemas aconteceu. Fiquei realmente desanimada, parecia ser meu fim. Comecei a pensar em desistir de alguns ministérios, por não me considerar apta a exercê-los com excelência.
Pedi para meu líder orar por mim, a respeito de um problema que estava gritando um pouco mais do que os outros naquele momento. E então orei, orei e orei, pedindo a Deus graça para trabalhar no Congresso, e prometi a Ele que o que minhas mãos tivessem que fazer, que eu o faria com toda a minha força. As pregações que assisti trasmitiram claramente mensagens de Deus que pareciam ser exclusivas para mim. Nos momentos em que não estava nos cultos - quando estava trabalhando em outras áreas, ou mesmo em casa, Deus confirmava cada uma daquelas mensagens em meu coração.
E então, desci da montanha. Colegas da faculdade estressadas, pais estressados, notícias ruins por todos os lados, frustrações de volta e etc etc etc. Ainda bem que no domingo à noite comecei a ler o "Manual de Locuras por Jesus", escrito pelo meu querido pastor Lucinho. Terminei na segunda (uma coisa interessante a respeito do livro: comprei sabendo que Deus tinha algo a me falar mas, sem ter nenhum dinheiro no bolso, joguei para o meu cartão. Quando cheguei em casa meus pais me entregaram 20 reais - meu avô me deu pelo Dia das Crianças!!) e tive muitas idéias malucas lendo o livro. Uma amiga e eu tivemos mais idéias malucas num outro dia.
Em um dos dias da semana liguei para um desconhecido (o seu número não me sai da cabeça). Era um senhor de 70 anos. O Senhor Valmir disse que era agnóstico, ateu. (ele disse assim mesmo, os dois juntos). Conversei com ele por mais alguns minutos e desligamos. Ele desistiu de viver. Disse que era velho demais para procurar qualquer verdade. Queria apenas morrer em paz e ficar livre desse mundo. Nada do que eu disse o fez ter mais ânimo ou mudar de idéia a respeito de Deus.
Assustei-me ao ver um velhinho tão sem esperança, sem razões para viver - na minha mente infantil, só os jovens ficavam revoltados da vida e desistiam dela. Para mim, os velhinhos tinham que ser os mais sensatos e sonhadores, que dessem aos jovens mensagens de esperança.
Ao desligar, chorei. Chorei porque se aquele velhinho morresse naquele momento, ele iria para o inferno (eu também achava que os velhinhos não deveriam ir para o inferno, estava convicta de que eles se arrependeriam e não iriam para lá, afinal, são tão bonzinhos que, ao ouvir a mensagem do evangelho se arrependeriam e voltariam para Jesus). Chorei por uma alma perdida como nunca antes. Senti como se eu mesma estivesse indo para o inferno. E ouvi a doce voz do Espírito Santo me dizendo: "agora você entendeu o que eu sinto quando uma alma se perde".
Chorei mais um pouco. Agora, por saber que os meus sonhos de seguir o "Ide", e minhas estratégias para fazer isso, nunca haviam sido por aquilo que eu sentia naquele momento, ou, pelo menos, não com aquela intensidade. Depois de tanto chorar, acabei dormindo.
Segui minha rotina e por outros problemas terem surgido, estava deixando o desânimo começar a surgir de novo.
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Naquela noite eu estava indo dormir quase sem me comunicar com ninguém, nem mesmo com Deus. Tive uma vontade de ouvir um CD e, já com a luz apagada e pronta para dormir, peguei um CD da minha estante e coloquei para tocar, sem nem mesmo ver qual era. "Look to you", do United, começou a tocar. A segunda música é minha preferida. Alguns trechos dela estão no meu perfil do site dos Salva-vidas. "Tell the world that Jesus lives, tell the world that, tell the world that". Enquanto prestava atenção à pronúncia dos ministros, para melhorar meu inglês, lembrei que sabia a tradução completa daquela música. E, enquanto ouvia, lembrei-me de que eu não tinha lido a Bíblia. Acendi a luz. Antes mesmo de começar a ler, aquela doce voz veio em minha mente com uma frase:
"NUNCA DESISTA DE FAZER LOUCURAS POR MIM, PORQUE EU NUNCA VOU DESISTIR DE FAZER LOUCURAS POR VOCÊ".
Após um estado de choque, fui ler a Bíblia:
"Que o Deus da esperança os encha de alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo" - Rm 15:3. Foi um dos primeros versículos que li. Enquanto isso, o CD já tocava "All for love". Eu queria que o senhor Valmir estivesse no meu quarto, naquele momento.
Então eu disse a Deus: "eu não vou desistir". E enquanto pensava no que iria fazer na próxima semana, peguei meu caderno do ursinho Pooh, minha caneta cor-de-rosa e comecei a escrever...
segunda-feira, outubro 08, 2007
Receita - Pão com ovo e batata Ruffles
Uma bandeja de presunto de validade duvidosa;
Um pão francês;
Um pacote de pão-de-queijo;
Dois ovos;
Um hambúrguer;
Um pacote de Ruffles 18g;
Um Bis;
Modo de fazer:
Chegue em casa cansado e olhe o que tem para comer. Descubra a bandeja de presunto e desista da idéia de comer pão com presunto. Coloque os pães-de-queijo par assar num fogão industrial e vá ler SET. Olhe o forno cinco minutos depois e descubra que o pão-de-queijo ainda está crú. Volte a ler a revista. Sinta o cheiro de queimado e constate que você nunca conseguiu deixar um pacote inteiro de pão-de-queijo tão queimado. Desista de comer e espere seu pai chegar em casa. Quando for fazer hambúrguer e fritar um ovo para ele, destrua o ovo e faça um ovo mexido bem gorduroso. Frite outro ovo para seu pai. Fique com dó de jogar fora o ovo mexido gorduroso, coloque dentro do pão e acrescente o pacote de Ruffles (fora ou dentro do pão é uma escolha sua). Depois de comer a sua receita criativa ache uma caixa de Bis escondida no armário do alto da cozinha e coma apenas um (lembre-se do quão gorduoso estava aquele ovo).
Ok, depois de acordar o Nivton às cinco da manhã numa noite sem dormir, ficar na Igreja para o ensaio do teatro e esperar uma reunião que pra você acabou não tendo, ter que estudar para uma prova de audiologia e fazer um relatório de observação às quatro da manhã no outro dia, esquecer o jaleco para a prática de audiologia e aprender a mexer no aparelho de BERA com um paciente de verdade e finalmente chegar em casa e ter que reeditar o trabalho de ABFW e saber que tem que começar a estudar para neurologia, contando os milissegundos para chegar o Loucos por Jesus, você não queria que eu fizesse algo de incrementado na cozinha e que saísse dessa minha pequena mente cansada algo lindo e produtivo né?
God bless you all!!
Fiquem com Jesus =)
domingo, setembro 09, 2007
Eu quero ter um ano de idade
– [http://www.cro-pe.org.br/janabr2003/jan1.htm]
É muito comum ouvirmos a expressão “Deus sumiu” entre os cristãos, quando eles não vêem a ação direta e clara de Deus sobre as suas vidas. Eu ouvi hoje na célula essa frase, e logo me lembrei dessa etapa do desenvolvimento humano. Ao dizer que Deus sumiu porque não podemos ver sua ação estamos fazendo a mesma coisa que bebês de até seis meses de idade. Estamos dizendo que uma coisa existe apenas porque podemos comprovar com nossos olhos que elas existem. Não adquirimos a capacidade de discernir que mesmo que uma coisa saia do nosso campo de visão ela continua a existir.
Deus continua sendo Deus e continua a agir, independentemente se podemos enxergar isso ou não, é preciso um pouco de maturidade espiritual para nos convencermos disso. É muito comum que nos acreditemos nisso em todo o tempo, mas quando os problemas começam a surgir, então voltamos à antiga visão de que Deus sumiu porque não podemos ver sua ação.
Deus, dê-me graça para que eu possa te enxergar sabendo que o Senhor permanece Deus, ainda que tudo em volta diga o contrário. Ajude-me a saber que ainda está aí, e que eu continue confiando em Sua palavra, mesmo que eu não consiga sentir Tua presença ou viver uma experiência sobrenatural contigo. Ainda que eu não veja milagres e ache que minhas orações não passam do teto, que eu simplesmente saiba que continua existindo e que cuida de mim, não importa qual seja a situação.
Crianças de um ano de idade têm noção de permanência de objeto. Eis o motivo porque eu quero ter um ano de idade.
quinta-feira, setembro 06, 2007
You are the way, the truth and the life
Em resumo, a busca de todo ser humano é de um caminho, que o leve à verdade, que o permita conhecer o que é vida de verdade.
“EU sou O caminho, A verdade, e A vida(...)” – Jesus, em João 14:6
terça-feira, agosto 14, 2007
Oremos
domingo, agosto 05, 2007
A Bíblia, por ela mesma
sexta-feira, agosto 03, 2007
Uma declaração cristã
Meu impulso inicial foi chamar este post de “Resposta a Bento XVI”, mas logo desisti, pois seria atribuir demasiada importância ao pronunciamento do Vaticano. Chamo de “Uma declaração cristã” para ser coerente com o pensamento de que em tempos de pós-modernidade e pluralismo (que alguns confundem com relativismo) não cabem afirmações categóricas. O máximo que um cristão pode fazer é “uma declaração cristã”, pois a declaração cristã sugere a unanimidade entre os cristãos, o que certamente existirá apenas no céu.
O documento "Respostas a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja" elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé e ratificado pelo papa Bento 16, afirma que "a única verdade da fé cristã encontra-se na Igreja Católica", cria a ocasião para uma declaração cristã.
Conforme bem advertiu Pierucci:
Não bastassem a arrogância fundamentalista da "Christian America" monoteísta do governo de George W. Bush e a truculência fundamentalista do monoteísmo intransigente dos aiatolás e talebãs, agora vamos ter pela frente, para completar, mais esta espécie do mesmo gênero: o fundamentalismo católico, que afirma o primado cristão da verdade católica no universo multicultural das igrejas cristãs agora declaradas "não-igrejas" ou "igrejas lacunares".[ANTÔNIO FLÁVIO PIERUCCI, Folha de S.Paulo, 17 de julho de 2007]
Rejeitei, portanto, e de imediato o pronunciamento do Vaticano. Primeiramente porque poderia argumentar da legitimidade do protestantismo. Poderia advogar em favor do protestantismo, mas cairia no mesmo erro do Vaticano: reivindicar posse da verdade. Seria também vítima do equívoco que confunde o corpo místico de Cristo com as instituições que pretendem representá-lo na história.
Depois considerei afirmar que a verdade a respeito da fé cristã não se encontra nem no Catolicismo nem no protestantismo, mas nas Escrituras, ou na Bíblia Sagrada, compreendida como a coletânea de textos canônicos: a Lei de Moisés e os Profetas do Velho Testamento e os escritos apostólicos do Novo Testamento. Nesse caso, tanto o catolicismo quanto o protestantismo seriam apenas interpretações das Escrituras. Mas logo percebi que cometeria outro erro, a saber, confundir doutrina com verdade: tanto o catolicismo quanto o protestantismo articulam a fé cristã em termos dogmáticos e doutrinários, nos termos da modernidade com sua razão-mania que pretende fazer caber a verdade cristã em um conjunto de teorias filosófico-teológicas. Além de confundir doutrina com verdade, confundiria a experiência com o Cristo ressurreto com a apropriação intelectual das teorias que pretendem explicá-la.
Indo um pouco mais longe, considerei que a tentativa de estabelecer as Escrituras como lócus da verdade a respeito da fé cristã desconsideraria o fato de que a Bíblia Sagrada é uma realidade tardia à consolidação do cristianismo. De fato, havia no movimento cristão chamado primitivo um conjunto de escritos apostólicos, mas não eram considerados textos canônicos autoritativos como o são pela cristandade contemporânea. O Cânon bíblico é formado no quarto século da era cristã, de modo que já existia cristianismo antes que houvesse o que hoje chamamos Bíblia.
Considerei, então, que a verdade a respeito da fé cristã estivesse no testemunho da Igreja, que nasce no Pentecoste. A proclamação dos primeiros cristãos, os documentos gerados, e as experiências comunitárias seriam continentes da verdade. Mas nesse caso, deixaria o cristianismo e a obra de Cristo à mercê das contingências humanas, o que não me agrada, até porque não é o que leio nas Escrituras Sagradas, o que significa que nem mesmo os primeiros cristãos se compreendiam como protagonistas do movimento de Cristo.Fiquei com a mais conservadora das possibilidades: a única verdade a respeito da fé cristã encontra-se em Cristo. O cristianismo prescinde da Igreja, das Escrituras, do Clero, e de qualquer outra realidade que tenha a mínima cooperação humana para sua existência. A única coisa (perdoe o “coisa”) da qual o cristianismo não prescinde é de Cristo.
O cristianismo é obra do Cristo ressurreto e do Espírito Santo. Não é obra do catolicismo, nem do protestantismo. É Cristo quem edifica sua igreja. É o Espírito Santo quem guia a toda a verdade, sendo que o próprio Cristo é a verdade. É Cristo a verdade e é o Espírito Santo quem aproxima e une Cristo aos que são seus. Cristo está aonde as Escrituras ainda não chegaram. Cristo está aonde Igreja ainda não chegou. Cristo está aonde o testemunho da Igreja ainda não chegou.
Eis uma declaração cristã: "a única verdade da fé cristã encontra-se em Cristo".
quinta-feira, agosto 02, 2007
Um ano de Salva-vidas
